
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
O Mounjaro tem ganhado destaque no Brasil como uma das opções mais eficazes para o tratamento da obesidade. Desenvolvido a partir da tirzepatida e aprovado pela Anvisa, ele atua diretamente na fome, na saciedade e no metabolismo, o que representa um avanço em relação às abordagens baseadas apenas em dieta e exercício.
Os resultados ajudam a explicar esse destaque. No estudo SURMOUNT-1, a dose de 15 mg levou a uma perda média de 20,9% do peso corporal em 72 semanas, um nível de eficácia pouco comum entre tratamentos medicamentosos.
Para quem já tentou emagrecer e convive com o efeito sanfona, esse tipo de dado aponta para algo valioso: a possibilidade de um tratamento mais previsível e com base científica.
Isso não significa solução automática. O Mounjaro exige acompanhamento médico e funciona melhor quando combinado a mudanças no estilo de vida, e é justamente essa combinação que cria as condições para um emagrecimento mais consistente e sustentável.
O que os estudos SURMOUNT mostram na prática
Os estudos SURMOUNT avaliaram a tirzepatida em mais de 5 mil pessoas com obesidade ou sobrepeso. O principal deles, o SURMOUNT-1, acompanhou 2.539 adultos sem diabetes, com média de 45 anos — sendo 67% mulheres —, peso médio de 105 kg e IMC de 38.
Ao longo de 72 semanas, os participantes foram divididos em quatro grupos: um recebeu placebo (sem medicamento ativo), enquanto os outros utilizaram tirzepatida em três doses diferentes (5 mg, 10 mg e 15 mg), aplicadas uma vez por semana.
Para aumentar a segurança e reduzir efeitos colaterais, todos começaram com uma dose mais baixa (2,5 mg) e foram aumentando gradualmente ao longo do tratamento até atingir a dose final de cada grupo
Os números do SURMOUNT-1
A perda de peso acompanhou a dose. Em média, foi de 15,0% com 5 mg, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg, contra 3,1% no grupo placebo.
Na prática, isso faz diferença. Uma pessoa com 105 kg perdeu cerca de 22 kg com a dose de 15 mg, enquanto no placebo a redução ficou em pouco mais de 3 kg.
Esse contraste ajuda a explicar por que a tirzepatida se tornou uma referência no tratamento da obesidade, especialmente quando combinada com alimentação equilibrada e atividade física orientada.
Tirzepatida e semaglutida: qual emagrece mais
Por muito tempo a comparação entre os dois medicamentos foi feita de forma indireta, cruzando resultados de estudos diferentes. Isso mudou com o SURMOUNT-5, o primeiro estudo a comparar os dois cara a cara, na mesma população e no mesmo período.
Resultados
Ao longo de 72 semanas, a tirzepatida levou a uma perda média de 20,2% do peso corporal, enquanto a semaglutida ficou em 13,7%.
Essa diferença tem relação direta com o mecanismo de ação. A tirzepatida atua simultaneamente em dois hormônios — GIP e GLP-1 —, o que intensifica a saciedade e a redução do apetite. Já a semaglutida age apenas no GLP-1, o que ajuda a explicar a diferença de resultados.
Isso não significa que a semaglutida deixe de ser uma opção eficaz. Pelo contrário: ela continua sendo amplamente utilizada e, em muitos casos, tem um custo mais acessível, um fator que pesa na decisão.
Na prática, a escolha entre os dois tratamentos depende do histórico clínico, da tolerância individual e também do orçamento. Para entender melhor as diferenças de custo e acesso, vale analisar o valor do Mounjaro e as alternativas disponíveis.
Quem tem indicação médica para usar Mounjaro
Só um médico, de preferência endocrinologista, pode responder a essa pergunta. O tratamento para emagrecer é uma questão de saúde e segue critérios da Anvisa para ser prescrito com segurança. Ainda que a estética seja importante para a saúde mental, ela é apenas uma consequência.
No Brasil, o Mounjaro é aprovado para adultos com:
- IMC igual ou maior que 30
- IMC igual ou maior que 27 quando há uma comorbidade associada, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, apneia do sono, doença cardiovascular ou esteatose hepática.
Em alguns casos, o médico pode pedir exames e revisar a saúde metabólica para avaliar riscos.
Manutenção do peso: por que continuar o tratamento faz diferença
Muita gente imagina que o desafio é perder peso, mas os estudos mostram que manter o resultado é o ponto mais delicado. Por isso vale alinhar com o médico quanto tempo o tratamento deve durar, lembrando que a obesidade é uma doença crônica e pode exigir acompanhamento prolongado.
O estudo SURMOUNT-4 ilustra bem esse ponto. Os 670 participantes randomizados usaram tirzepatida por 36 semanas e perderam, em média, 20,9% do peso. Depois, metade continuou o medicamento e metade passou a receber placebo até a semana 88.
Quem continuou perdeu mais 5,5% e seguiu melhorando. Quem parou recuperou boa parte do peso e viu os marcadores metabólicos, como pressão e glicemia, voltarem a piorar.
Esse comportamento reforça o que a ciência já aponta: a obesidade se parece com a hipertensão ou o diabetes, condições que costumam pedir tratamento contínuo. Entender o que acontece se a pessoa parar o medicamento ajuda a planejar essa etapa com mais clareza.
Benefícios além do emagrecimento
O Mounjaro não age só no peso. Os estudos mostram melhora em pressão arterial, glicemia, colesterol, triglicérides, inflamação e apneia do sono, o que se traduz em mais proteção cardiovascular e melhor saúde metabólica.
Vale lembrar que todos os estudos incluíram alimentação orientada, atividade física e suporte. Os participantes que seguiram esse conjunto perderam de 4% a 6% a mais.
Cada corpo reage de um jeito
Não existe resultado padrão. Algumas pessoas perdem mais de 30% do peso, outras ficam abaixo de 5%, e nos dois cenários há benefícios, sobretudo em glicemia, pressão e inflamação.
É por isso que o acompanhamento médico faz diferença: ele permite ajustar a dose, monitorar a tolerância e adaptar o tratamento. A adesão também conta muito, e parte dela passa por conhecer e manejar os efeitos colaterais do Mounjaro, que tendem a ser mais intensos no início e a diminuir com o tempo.



