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Platô no tratamento com GLP-1: por que acontece e o que fazer

Entenda por que a balança estaciona depois de alguns meses de tratamento, o que os estudos mostram sobre esse momento e como conversar com o médico.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 22 de setembro de 2026

Resumo rápido:

O platô é a fase em que o peso deixa de cair, mesmo com o uso correto de semaglutida ou tirzepatida, e acontece porque o corpo reage à perda de peso reduzindo o gasto de energia e aumentando a fome. Em uma análise dos estudos com tirzepatida, essa estabilização começou, em média, entre 24 e 36 semanas de tratamento, dependendo do peso inicial. Na maioria das vezes, ela não significa que o remédio parou de funcionar. Nos estudos STEP 4 e SURMOUNT-4, quem manteve o tratamento conservou o peso perdido e ainda emagreceu mais, enquanto quem interrompeu voltou a ganhar peso. Por isso, diante do platô, o caminho é conversar com o médico, e não mudar a dose por conta própria.


Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​‌‍‍‌‌‌‌‍

O que é o platô no tratamento com GLP-1?

Nos primeiros meses de tratamento, a perda de peso costuma ser rápida e visível. Com o tempo, esse ritmo diminui até que a balança praticamente estaciona, e é essa fase que recebe o nome de platô.

A definição usada nos estudos ajuda a entender o fenômeno. Em uma análise dos estudos SURMOUNT-1 e SURMOUNT-4, publicada em 2025 na revista Clinical Obesity, o platô foi definido como uma variação de peso menor que 5% em um intervalo de 12 semanas e em todos os intervalos seguintes.

Ou seja, o platô não aparece de um dia para o outro. Ele se instala aos poucos, à medida que cada semana traz uma perda um pouco menor que a anterior.

Isso acontece mesmo com quem segue o tratamento à risca. A pessoa aplica a caneta no dia certo, mantém a alimentação e a atividade física, e ainda assim o peso para de mudar, o que costuma gerar frustração e a sensação de que algo deu errado.

Quando o platô costuma aparecer?

A análise da Clinical Obesity avaliou 1.438 participantes do SURMOUNT-1 e 259 do SURMOUNT-4 que usaram tirzepatida corretamente e perderam pelo menos 5% do peso.

No SURMOUNT-1, o tempo mediano até o platô foi de 24,3 semanas em pessoas com sobrepeso, de 26,0 semanas em pessoas com obesidade grau 1 e de 36,1 semanas nos graus 2 e 3. Quem começa com mais peso, portanto, tende a perder peso por mais tempo antes de estabilizar.

Esses números vêm de estudos com tirzepatida, a substância do Mounjaro, e não existe uma análise equivalente publicada para a semaglutida. Ainda assim, os estudos com semaglutida mostram o mesmo desenho, com perda mais rápida no início e desaceleração ao longo dos meses, como detalhamos no post sobre quantos quilos a semaglutida faz perder por semana.

Por que o peso para de cair mesmo com o remédio?

O platô não tem uma causa única. Na maioria das vezes, fatores biológicos e mudanças de rotina atuam juntos.

O corpo reduz o gasto de energia

Quando o peso diminui, o corpo passa a gastar menos energia, em parte porque há menos massa para manter. Mas a queda costuma ser maior do que essa perda explicaria, uma resposta chamada termogênese adaptativa.

Uma revisão publicada em 2022 na Proceedings of the Nutrition Society descreve como essa adaptação começa já no início da restrição calórica e ajuda a explicar por que o peso se estabiliza antes do esperado, mesmo em quem segue a dieta com rigor. A revisão trata de dietas de restrição, mas o mesmo mecanismo age em qualquer perda de peso importante.

Os hormônios da fome mudam

A perda de peso também altera os sinais que controlam o apetite. A leptina, produzida pelo tecido gorduroso e ligada à saciedade, diminui, enquanto a grelina, que estimula a fome, aumenta.

Em um estudo publicado no New England Journal of Medicine em 2011, essas alterações ainda estavam presentes um ano depois de uma perda de peso feita com dieta. É por isso que muitos especialistas falam em um peso que o corpo tenta defender, o chamado set point.

O efeito do remédio encontra um novo equilíbrio

Os agonistas de GLP-1 reduzem o apetite e retardam o esvaziamento do estômago. Com o tempo, a quantidade de comida que a pessoa passa a ingerir se aproxima do que o corpo, agora mais leve, precisa para se manter, e a perda de peso desacelera naturalmente.

Há ainda indícios de que o efeito sobre o esvaziamento do estômago diminui com o uso contínuo, mas ainda não está claro quanto isso pesa no platô.

A rotina muda sem que a pessoa perceba

Depois de meses com pouco apetite, é comum que pequenas porções extras voltem ao dia a dia sem chamar atenção. A atividade física também pode diminuir por cansaço, falta de tempo ou desânimo com a balança.

Essas mudanças, somadas, podem anular a diferença entre o que se come e o que se gasta. Por isso, revisar a alimentação e a rotina, de preferência com apoio de nutricionista, é um passo importante antes de qualquer conclusão sobre o tratamento.

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Continuar o tratamento ajuda a sair do platô?

Os estudos de manutenção indicam que sim, na maior parte dos casos. No STEP 4, publicado no JAMA em 2021, adultos com sobrepeso ou obesidade usaram semaglutida 2,4 mg por 20 semanas e depois foram divididos em dois grupos.

Quem continuou com a semaglutida perdeu, em média, mais 7,9% do peso nas 48 semanas seguintes. Quem passou para o placebo recuperou, em média, 6,9% do peso no mesmo período.

O SURMOUNT-4, publicado no JAMA em 2024, seguiu o mesmo desenho com tirzepatida. Depois de 36 semanas de tratamento, quem manteve o medicamento perdeu mais 5,5% do peso até a semana 88, somando 25,3% de perda desde o início, enquanto quem trocou para o placebo recuperou 14,0%.

Esses resultados mostram duas coisas. A primeira é que a perda continua, em ritmo menor, para boa parte de quem segue o tratamento. A segunda é que interromper o medicamento tende a trazer o peso de volta, tema do post sobre o que acontece se você parar o medicamento.

Como saber se é platô ou se o tratamento não está funcionando?

O platô é uma estabilização dentro de um tratamento que já trouxe resultado. A falta de resposta é outra situação, em que a pessoa não perde peso de forma relevante desde o início ou perde todo o efeito ao longo do tempo.

Para diferenciar os dois, o médico olha quanto peso foi perdido desde o começo, se houve melhora em pressão, glicose ou colesterol, se as aplicações estão sendo feitas corretamente e se a rotina mudou. Também pode pedir exames para descartar outras causas, como alterações da tireoide.

Confundir as duas situações pode levar a decisões apressadas, como subir a dose sem necessidade ou abandonar um tratamento que ainda está ajudando a manter o peso.

O que fazer quando o peso estaciona?

O primeiro passo é não mudar nada por conta própria. Manter a medicação, a alimentação e a atividade física como foram orientadas e marcar uma consulta com o médico que acompanha o tratamento é o caminho mais seguro.

Na consulta, as decisões são individuais. O médico pode sugerir ajustes na alimentação, mais atenção à proteína e ao treino de força para preservar a massa muscular, ou uma revisão da dose dentro do que a bula de cada medicamento permite.

Aumentar a dose não é uma resposta automática. As doses máximas variam entre os medicamentos, e cada aumento traz mais chance de efeitos colaterais, então a decisão depende do histórico, da tolerância e dos objetivos de cada pessoa.

Trocar de medicamento resolve?

Nem sempre. Como o platô envolve respostas do próprio corpo, ele pode acontecer com qualquer medicamento da classe.

Trocar uma caneta de semaglutida por outra, como Ozempic por Ozivy ou Semaclique, não muda a molécula nem a dose, e por isso não deve ser encarado como solução para o platô.

A troca para outra substância, como da semaglutida para a tirzepatida, pode ser considerada pelo médico em alguns casos, sempre depois de uma avaliação completa.

Para ter uma ideia do ritmo esperado com cada uma, vale ler também o post sobre quantos quilos o Mounjaro faz perder por semana.

Quais cuidados manter durante o platô?

A obesidade é uma doença crônica, e o tratamento com GLP-1 costuma ser de longo prazo. Manter o peso perdido já é um resultado importante para a saúde, mesmo quando a balança não desce mais.

Durante toda essa fase, os cuidados com o medicamento continuam os mesmos. A pancreatite é tratada como precaução, e dor abdominal forte e persistente pede avaliação médica imediata. Quem já teve pancreatite deve conversar com o médico antes e durante o tratamento.

O que lembrar:

  • O platô é a fase em que o peso deixa de cair mesmo com o uso correto do medicamento, e é esperado no tratamento com GLP-1.
  • Nos estudos com tirzepatida, ele começou em média entre 24,3 e 36,1 semanas, mais tarde em quem tinha mais peso no início.
  • Menor gasto de energia, mais fome e mudanças de rotina ajudam a explicar a estabilização.
  • No STEP 4 e no SURMOUNT-4, manter o tratamento preservou o peso perdido e trouxe perda adicional, e interromper levou ao reganho.
  • Aumentar a dose ou trocar de medicamento não são respostas automáticas, e a decisão é sempre do médico.
  • Trocar de marca de semaglutida mantendo a dose não resolve o platô.

Voy

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