Quais são os medicamentos análogos aos GLP-1?

Descubra as principais diferenças entre os medicamentos Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro.

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Aprovado por:

Time de Saúde Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 15/01/2026
Aviso importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍ ‌​‍‌‍‍‌‌‍‌‌‍‍‌‌‍‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‍‌‍‍‌‌‍ ​‍​‍​‍​​‍​‍‌‍‍​‌​‍‌‍‌‌‌‍‌‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌‍‍​‌‌​‌‌​‌​​‌​​‍‍​‍​‍

Análogos de GLP-1 são medicamentos que imitam um hormônio que o próprio corpo já produz e que, nos últimos anos, mudaram a forma como tratamos o diabetes tipo 2 e a obesidade.

Entender como eles funcionam, para quem são indicados e quais são seus limites é essencial para tomar decisões seguras e realistas.

Neste texto, você vai encontrar uma explicação clara e baseada em evidências sobre os análogos de GLP-1, incluindo a regra da Anvisa que passou a valer em junho de 2025.

O que são análogos de GLP-1 (e como funcionam)

GLP-1 é a sigla para peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. O nome difícil se refere a um hormônio produzido naturalmente pelo intestino logo após as refeições. Ele participa do controle da glicose, da saciedade e do apetite.

Na prática, o GLP-1 natural:

  • avisa ao cérebro que você já comeu o suficiente;
  • estimula o pâncreas a liberar insulina quando a glicose sobe;
  • reduz a liberação de glucagon, que aumenta o açúcar no sangue;
  • desacelera o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de saciedade.

O problema é que o GLP-1 natural dura muito pouco no organismo. Ele é rapidamente destruído por uma enzima chamada DPP-4, em apenas 1 a 2 minutos. Por isso, não pode ser usado diretamente como medicamento.

A virada científica aconteceu nos anos 1990, quando pesquisadores identificaram uma substância chamada exendina-4, presente no veneno do lagarto Gila monster.

Essa molécula age de forma semelhante ao GLP-1 humano, mas resiste à degradação. A partir dela, surgiram os análogos de GLP-1: versões sintéticas modificadas, com ação prolongada por horas ou até dias.

Esses medicamentos atuam em vários pontos do corpo:

  • No pâncreas: aumentam a liberação de insulina quando a glicose está alta e reduzem o glucagon, ajudando no controle do diabetes tipo 2.
  • No estômago: retardam o esvaziamento gástrico, fazendo com que a saciedade dure mais tempo.
  • No cérebro: agem nos centros de apetite e saciedade, reduzindo fome e vontade de comer.
  • No sistema cardiovascular: melhoram parâmetros como pressão arterial e colesterol, reduzindo risco cardiovascular em pessoas com diabetes.

Com o tempo, surgiram moléculas cada vez mais potentes e duradouras, como liraglutida, semaglutida e dulaglutida.

Mais recentemente, a tirzepatida trouxe uma inovação adicional: além do GLP-1, ela também atua nos receptores de GIP, outro hormônio intestinal, o que aumenta a eficácia metabólica.

Quais medicamentos são análogos de GLP-1 no Brasil

A Anvisa aprovou diferentes análogos de GLP-1 no Brasil, cada um com indicações, princípios ativos, doses e frequências específicas.

Princípio ativo: semaglutida

  • Ozempic: injeção semanal, aprovado para diabetes tipo 2 desde 2018.
  • Wegovy: semaglutida em dose maior (até 2,4 mg), aprovada para obesidade em 2023 e disponível nas farmácias desde 2024.
  • Rybelsus: versão oral (comprimido diário), indicada para diabetes tipo 2.

Princípio ativo: liraglutida

  • Victoza: injeção diária, para diabetes tipo 2.
  • Saxenda: mesma molécula, em dose maior (3 mg), aprovada para obesidade desde 2016.

Princípio ativo: tirzepatida

  • Mounjaro: injeção semanal, duplo agonista GIP/GLP-1, aprovado para diabetes tipo 2 em 2024. Estudos mostram perda de peso superior à semaglutida.

Outros

  • Dulaglutida (Trulicity): injeção semanal, indicada para diabetes tipo 2.
  • Lixisenatida: registrada no Brasil, mas menos utilizada.
  • Exenatida: não possui registro ativo atualmente.

Desde 23 de junho de 2025, todos esses medicamentos passaram a exigir retenção de receita médica na farmácia.

Para quem os análogos de GLP-1 são indicados

Esses medicamentos não são para qualquer pessoa. A Anvisa aprova o uso apenas em situações bem definidas e a prescrição só pode ser feita por um médico após uma avaliação.

As indicações, de acordo com a bula, são:

Diabetes tipo 2

Todos os análogos registrados podem ser usados no tratamento do diabetes tipo 2, especialmente quando a metformina isolada não é suficiente. Eles reduzem a hemoglobina, ajudam no controle pós-refeição e raramente causam hipoglicemia quando usados sozinhos.

Obesidade

Apenas alguns dos GLP-1 têm aprovação específica para tratar obesidade, são eles:

  • Saxenda (liraglutida)
  • Wegovy (semaglutida 2,4 mg)

As indicações incluem:

  • IMC ≥ 30 kg/m², ou
  • IMC ≥ 27 kg/m² com comorbidades relacionadas ao peso.

O Ozempic, apesar de conter semaglutida, é aprovado apenas para diabetes. Seu uso para obesidade é off-label, ou seja, fora da indicação da bula. O uso é seguro, mas requer uma atenção médica ainda maior.

Apesar da popularidade, os análogos de GLP-1 não são medicamentos para qualquer objetivo de emagrecimento. As aprovações regulatórias e as diretrizes médicas deixam claro que há limites bem definidos para seu uso.

Não são indicações aprovadas:

  • Perda de peso estética Usar esses medicamentos apenas para modificar a aparência, sem critérios clínicos, não é considerado tratamento médico. Nesses casos, o risco de efeitos colaterais supera os possíveis benefícios, já que não há doença a ser tratada.
  • Uso em pessoas sem obesidade ou comorbidades associadas Pessoas com IMC dentro da faixa de normalidade, ou apenas com leve sobrepeso sem doenças relacionadas, não se enquadram nas indicações aprovadas. Nesses perfis, o organismo já possui mecanismos adequados de controle de peso, e interferir neles pode gerar efeitos indesejados sem ganho real de saúde.
  • “Secar” alguns quilos para eventos específicos Usar GLP-1 para perder peso rapidamente antes de casamentos, férias, carnaval ou sessões de fotos é uma prática inadequada. Esses medicamentos não foram desenvolvidos para resultados imediatos e pontuais, e sim para tratamento contínuo de condições crônicas. Além disso, a interrupção precoce aumenta o risco de efeitos adversos e de reganho de peso.

É importante reforçar que o uso fora das indicações aprovadas é considerado off-label, o que exige ainda mais cautela, discussão de riscos e acompanhamento rigoroso. Foi justamente o crescimento desse tipo de uso que levou a Anvisa a adotar a regra de retenção de receita em 2025.

Análogos de GLP-1: quanto peso vou perder?

Quando alguém inicia um tratamento com análogos de GLP-1, a pergunta surge quase automaticamente: “quanto peso eu vou perder?” A resposta mais honesta, baseada na ciência e na prática clínica, é simples: depende.

Depende do medicamento, da dose, do tempo de uso, da resposta do seu organismo e, principalmente, de como o tratamento é integrado à alimentação, à atividade física e ao acompanhamento médico. Ainda assim, os estudos ajudam a estabelecer expectativas realistas, evitando frustrações ou promessas irreais.

O que mostram as médias dos estudos

Em ensaios clínicos de longo prazo, os resultados médios observados são:

Médias dos estudos

  • Liraglutida (Saxenda): 5 a 8% do peso corporal em cerca de um ano.
  • Semaglutida (Wegovy): média de 14,9% em 68 semanas.
  • Tirzepatida (Mounjaro): 15 a 22,5%, dependendo da dose.

É importante destacar que esses números não vêm de uso isolado do medicamento. Em todos esses estudos, os participantes receberam orientação nutricional estruturada e incentivo à prática regular de atividade física. O remédio potencializa o tratamento, mas não substitui hábitos.

Nem todo peso perdido é gordura

Um ponto frequentemente ignorado é a composição do peso perdido. Estudos mostram que entre 20% e 60% da perda total pode corresponder à massa magra, especialmente quando não há ingestão adequada de proteína nem estímulo muscular.

Por isso, estratégias como: consumo adequado de proteínas, treinamento de força (musculação), acompanhamento nutricional, não são opcionais. Elas são fundamentais para preservar músculo, manter o metabolismo mais ativo e melhorar a qualidade do emagrecimento.

Diferenças entre liraglutida, semaglutida e tirzepatida

Embora façam parte da mesma família de medicamentos, liraglutida, semaglutida e tirzepatida não são iguais. Elas diferem em frequência de uso, potência, mecanismo de ação e perfil de tolerabilidade, o que influencia diretamente a escolha do tratamento.

Frequência de aplicaçãoA liraglutida exige injeção diária, enquanto a semaglutida e a tirzepatida são aplicadas uma vez por semana. Para muitas pessoas, essa diferença pesa bastante na adesão ao tratamento ao longo do tempo.

Mecanismo de açãoLiraglutida e semaglutida atuam exclusivamente como agonistas do receptor de GLP-1. A tirzepatida vai além: é um duplo agonista, atuando tanto nos receptores de GLP-1 quanto de GIP, o que parece ampliar a eficácia metabólica e contribuir para maior perda de peso.

TolerabilidadeTodos podem causar efeitos gastrointestinais, especialmente náusea. No entanto, os dados indicam que a náusea tende a ser mais frequente com semaglutida, intermediária com liraglutida e menos comum com tirzepatida, possivelmente pelo efeito modulador do GIP sobre o trato gastrointestinal.

Qual é a melhor opção?Não existe um medicamento “melhor para todos”. A escolha ideal depende do perfil individual, incluindo objetivo principal (controle glicêmico ou perda de peso), tolerabilidade, preferência por frequência de aplicação, presença de outras doenças, custo e acompanhamento médico.

Efeitos colaterais mais comuns (e como manejar)

Como qualquer medicamento que atua no metabolismo, os análogos de GLP-1 podem causar efeitos colaterais. A boa notícia é que, na maioria dos casos, eles são leves a moderados, temporários e manejáveis, especialmente quando o tratamento é iniciado da forma correta.

Os efeitos colaterais mais frequentes

Os efeitos colaterais mais comuns envolvem o sistema digestivo, justamente porque esses medicamentos atuam no intestino e no esvaziamento gástrico:

  • Náusea: ocorre em cerca de 31% a 44% dos usuários, variando conforme a molécula e a dose. A semaglutida tende a apresentar taxas mais altas do que a tirzepatida, enquanto a liraglutida fica em um patamar intermediário.
  • Diarreia ou constipação: afetam aproximadamente 25% a 35% das pessoas. Algumas apresentam fezes mais soltas, outras ficam constipadas. Isso depende da resposta individual ao retardo do esvaziamento gástrico.
  • Vômitos: ocorrem em cerca de 20% a 30% dos usuários, geralmente associados a episódios de náusea mais intensa.

Esses sintomas aparecem com mais frequência no início do tratamento ou após o aumento da dose. Em geral, há melhora significativa após 2 a 4 semanas, período em que o organismo se adapta à ação do medicamento.

Estratégias que ajudam lidar com os efeitos colaterais

Algumas estratégias simples fazem grande diferença na tolerabilidade:

  • Aumento progressivo da dosagem (de acordo com prescrição médica);
  • Refeições menores e mais frequentes, evitando grandes volumes de comida de uma só vez.
  • Evitar alimentos muito gordurosos, frituras e preparações muito condimentadas, que tendem a piorar a náusea.
  • Comer devagar e mastigar bem, dando tempo para o cérebro reconhecer a saciedade.
  • Manter hidratação adequada, mesmo que a sede diminua.
  • Caminhadas leves após as refeições, que ajudam no conforto gastrointestinal.

Essas medidas, combinadas, reduzem de forma importante a intensidade dos sintomas na maioria das pessoas.

Náusea não é sinal de maior eficácia

Um ponto importante: sentir náusea não significa que o medicamento está funcionando melhor. Muitas pessoas perdem peso de forma significativa sem apresentar náusea, enquanto outras sentem desconforto gastrointestinal sem grandes resultados na balança.

A perda de peso está relacionada à ação hormonal no apetite e na saciedade, e não ao mal-estar digestivo.

Efeitos raros, mas que exigem atenção

Embora incomuns, alguns efeitos adversos mais sérios podem ocorrer e exigem acompanhamento médico:

  • Pancreatite aguda, um evento raro, mas potencialmente grave.
  • Problemas na vesícula biliar, como formação de cálculos, especialmente em contextos de perda rápida de peso.
  • Hipoglicemia, que é rara quando o análogo de GLP-1 é usado isoladamente, mas pode ocorrer quando associado a insulina ou sulfonilureias.

Qualquer sintoma intenso, persistente ou fora do padrão deve ser comunicado ao médico. O acompanhamento não é burocracia, é parte essencial da segurança do tratamento.

A nova regra da Anvisa: retenção de receita (junho de 2025)

Desde 23 de junho de 2025, a Anvisa passou a exigir retenção de receita médica para todos os medicamentos agonistas de GLP-1. A prescrição deve ser feita em duas vias, com validade de 90 dias, sendo que uma fica retida na farmácia no momento da compra. A regra vale para todas as moléculas e todos os nomes comerciais, sem exceção.

A medida recebeu apoio de entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO). O objetivo não é dificultar o acesso de quem tem indicação médica real, mas reduzir o uso indiscriminado, aumentar a segurança e reforçar o acompanhamento profissional.

Em resumo: a retenção de receita não muda a eficácia nem o papel dos análogos de GLP-1 no tratamento da obesidade e do diabetes. Ela reforça que esses medicamentos são ferramentas potentes, que funcionam melhor e com mais segurança quando usados com critério, indicação correta e acompanhamento médico contínuo.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

Voy Saúde
A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.


Perguntas Frequentes

Referências
icon¹
  1. ANVISA. Entra em vigor norma que prevê retenção de receita para medicamentos agonistas GLP-1. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/entra-em-vigor-norma-que-preve-retencao-de-receita-para-medicamentos-agonistas-glp-1
icon²
  1. SOCESP. Obesidade e doença cardiovascular - combinação GIP e GLP-1. Disponível em: https://socesp.org.br/revista/leitor/revista-socesp-v33-n4-2023-33-4/obesidade-e-doenca-cardiovascular-combinacao-gip-e-glp-1-997/
icon³
  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo da terapia antidiabética no DM2 – Diretriz 2025. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/manejo-da-terapia-antidiabetica-no-dm2-2/