- Resolução CFM nº 2.429/2025, que normatiza a cirurgia bariátrica e metabólica (Conselho Federal de Medicina). https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2025/2429_2025.pdf
Aviso Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.O que é a cirurgia bariátrica e por que ela também é chamada de metabólica
Cirurgia bariátrica é o nome do conjunto de operações que alteram o sistema digestivo para tratar a obesidade, e muitos especialistas preferem o termo bariátrica e metabólica porque o efeito vai além do peso e alcança a glicemia, a pressão e a gordura no sangue.
A operação reduz o volume do estômago e, conforme a técnica, muda o trajeto do alimento pelo intestino, o que altera os sinais hormonais de fome e saciedade.
O procedimento trata uma doença crônica e depende de mudanças permanentes na alimentação, de acompanhamento e de suplementos.
A comparação com as canetas emagrecedoras tem um texto próprio, o comparativo entre GLP-1 e cirurgia bariátrica, e este artigo se concentra na cirurgia.
Quais são os tipos de cirurgia bariátrica
O bypass gástrico em Y de Roux cria uma pequena bolsa no estômago e a liga a uma parte mais distante do intestino delgado, de modo que o alimento segue um trajeto mais curto.
O sleeve, ou gastrectomia vertical, retira parte do estômago e deixa um tubo estreito, sem desviar o intestino. Esses dois procedimentos são os classificados como altamente recomendados na Resolução CFM nº 2.429/2025.
A mesma norma reconhece técnicas alternativas, usadas sobretudo em cirurgias de revisão, como o duodenal switch e o bypass de anastomose única, e registra que elas têm menos evidência de alto nível. A banda gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro deixaram de ser autorizadas por causa de resultados insatisfatórios.
O balão intragástrico e a gastroplastia endoscópica são procedimentos feitos por endoscopia, sem cortes. A resolução os reconhece para situações específicas, como a preparação para a cirurgia ou quando a operação não pode ser feita.
Quem tem indicação pelas regras de hoje
Pela Resolução CFM nº 2.429/2025, em vigor desde maio de 2025, a cirurgia pode ser considerada em adultos com IMC de 40 kg/m² ou mais, independentemente de outras doenças, e com IMC de 35 a 39,9 quando existe doença que melhora com a perda de peso.
Para o IMC de 30 a 34,9, a indicação depende de condições listadas na norma, como diabetes tipo 2, apneia do sono grave e esteato-hepatite com fibrose.
A partir dos 16 anos valem os critérios dos adultos, e entre 14 e 16 anos a cirurgia só é considerada em casos excepcionais, de obesidade grave com complicações que ameaçem a vida e avaliação de equipe multiprofissional.
A norma prevê uma equipe mínima com cirurgião, endocrinologista e metabologista, cardiologista, psiquiatra, nutrólogo, nutricionista e psicólogo, e o endocrinologista foi incluído pela Resolução CFM nº 2.470/2026.
A diretriz de 2022 da ASMBS e da IFSO, sociedades internacionais de cirurgia bariátrica, segue direção parecida. Ela recomenda a cirurgia para IMC de 35 ou mais, independentemente de doenças associadas, e a considera entre 30 e 34,9 em quem tem doença metabólica, incluindo o diabetes tipo 2.
Cobertura pelo SUS e pelos planos de saúde
No SUS, os critérios vêm da Portaria nº 424/2013 do Ministério da Saúde.
A indicação vale para IMC de 50 ou mais, para IMC de 40 ou mais e para IMC acima de 35 com comorbidades, como diabetes ou hipertensão de difícil controle e apneia do sono, e nos dois últimos casos exige pelo menos dois anos de tratamento clínico sem sucesso.
Nos planos de saúde, a cobertura segue a diretriz de utilização da ANS, descrita em parecer técnico da agência com base na RN nº 465/2021.
Ela exige idade acima de 18 anos e IMC de 50 ou mais, ou IMC de 40 a 49,9, ou IMC de 35 a 39,9 com doenças graves, e nas duas últimas situações dois anos de tratamento clínico sem sucesso.
Esses critérios são mais restritivos do que os do CFM de 2025, e o texto sobre planos de saúde e tratamento para emagrecer explica o que costuma ser coberto.
O que os estudos mostram sobre o peso e o diabetes
O estudo mais conhecido é o Swedish Obese Subjects, publicado no New England Journal of Medicine, em 2007, que acompanhou 4.047 adultos com obesidade por 10,9 anos em média, comparando 2.010 que operaram com 2.037 que fizeram tratamento convencional.
Aos 10 anos, a perda de peso foi de 25% com o bypass gástrico, 16% com a gastroplastia com banda vertical e 14% com a banda gástrica, enquanto o grupo de comparação ficou dentro de 2% do peso inicial.
A mortalidade foi menor no grupo operado, com razão de risco de 0,71 após ajustes, e com menos mortes por infarto e por câncer. O estudo não sorteou os participantes, o que mostra uma associação e não prova que a cirurgia seja a causa.
Um estudo americano publicado no New England Journal of Medicine, em 2017, acompanhou 1.156 pessoas, entre elas 418 operadas com bypass gástrico, que foram comparadas com quem buscou a cirurgia e não operou, em geral por questões de convênio, e com quem não buscou.
Aos 12 anos, a perda de peso foi de cerca de 27% no grupo operado e de 1% a 2% nos demais, e a remissão do diabetes tipo 2 foi de 51% contra 5% a 10%.
Para comparar as duas técnicas mais usadas, o ensaio finlandês SLEEVEPASS sorteou 240 adultos para sleeve ou bypass e acompanhou 193 por 10 anos, em artigo do JAMA Surgery.
A perda do excesso de peso, que mede quanto do peso acima do ideal foi eliminado, foi de 43,5% no sleeve e de 50,7% no bypass. A esofagite foi mais comum após o sleeve, em 31% contra 7%, e o esôfago de Barrett apareceu em 4% nos dois grupos.
Riscos, efeitos colaterais e acompanhamento
A mortalidade nos primeiros dias após a cirurgia é baixa, entre 0,03% e 0,2% segundo a diretriz da ASMBS e da IFSO, mas o procedimento tem complicações possíveis, como infecção, sangramento e vazamento nas suturas.
A longo prazo, o risco principal são as deficiências de vitaminas e minerais, e no sleeve também o refluxo, que apareceu com mais frequência no SLEEVEPASS.
A diretriz de nutrição de 2019, publicada por sociedades americanas de endocrinologia, obesidade e cirurgia bariátrica, descreve a suplementação contínua com multivitamínico com minerais, cálcio, vitamina D e vitamina B12, além de consultas e exames periódicos e avaliação da densidade óssea após dois anos. A dose de cada suplemento depende da técnica e dos exames de cada pessoa.
Reganho de peso depois da cirurgia
Perder peso com a cirurgia não garante manter o resultado para sempre. Em estudo americano publicado no JAMA, em 2018, com 1.406 pessoas operadas com bypass e acompanhadas por pelo menos cinco anos, o reganho mediano foi de 26,8% do peso máximo perdido aos cinco anos, o equivalente a 15% do menor peso atingido.
Os autores observaram que essa medida de reganho se associou a piores desfechos de saúde. Quando o reganho aparece, a conduta costuma passar pela revisão da alimentação, do acompanhamento e, em alguns casos, pelo uso de medicamentos para obesidade como complemento, assunto que o comparativo com o GLP-1 detalha.
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Se o objetivo é perder peso
A cirurgia é uma opção para quem tem indicação, e não a única. Os medicamentos para obesidade, como Wegovy, Mounjaro e Ozivy, também têm lugar no tratamento, e a semaglutida 2,4 mg levou a uma perda média de 14,9% do peso em 68 semanas no STEP 1, perda que costuma ficar abaixo da descrita com a cirurgia em estudos de longo prazo, embora a comparação entre estudos diferentes tenha limites, e sem os riscos de uma operação.
A lista de opções continua crescendo, com o Wegovy em comprimido, cujo pedido foi apresentado à Anvisa em janeiro de 2026, e o Foundayo, aprovado nos Estados Unidos em 2026.
O guia completo de medicamentos para emagrecer reúne o que está disponível no Brasil.
O que lembrar
- Bypass gástrico e sleeve são as técnicas altamente recomendadas pelo CFM, e a banda gástrica ajustável deixou de ser autorizada.
- Pela Resolução CFM nº 2.429/2025, a cirurgia pode ser considerada a partir de IMC de 30 em condições específicas, como o diabetes tipo 2.
- No SUS e nos planos de saúde, os critérios de cobertura são mais restritivos do que os do CFM.
- Em 10 a 12 anos, a perda de peso média foi de 25% a 27% com o bypass, com remissão do diabetes tipo 2 em 51% no estudo americano.
- O risco principal a longo prazo são as deficiências nutricionais, e a suplementação com acompanhamento é contínua.
- O reganho de peso acontece em parte dos pacientes, e os medicamentos para obesidade podem entrar como complemento.


