Sobrepeso e obesidade: qual a diferença?

Novos critérios clínicos redefinem risco, tratamento de excesso de peso no Brasil.

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Aprovado por:

Time de Saúde Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 26/02/2026
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Mais de 60% dos adultos brasileiros estão acima do peso. É o dado mais recente do Vigitel 2025. O dado é impactante, mas ele não responde algumas perguntas: quando o sobrepeso vira obesidade? O que mudou no diagnóstico? E em que momento é hora de procurar ajuda médica?

As respostas ficaram mais técnicas e, ao mesmo tempo, mais precisas em 2025. E isso muda a forma como entendemos risco, tratamento e prevenção.

Quer entender mais? Segue o texto que explicamos tudo com fontes seguras.

O que define sobrepeso e obesidade

O Índice de Massa Corporal (IMC), calculado dividindo o peso em quilos pela altura em metros ao quadrado, continua sendo a principal ferramenta de triagem no mundo. Porém, ele não é um índice completo.

Ainda que exista uma divisão a partir do IMC do que é entendido como sobrepeso, o IMC não diferencia gordura de músculo, não informa onde a gordura está concentrada e não mede impacto metabólico.

Um fisiculturista pode ter IMC 31 sem excesso de gordura. Enquanto uma pessoa com IMC 24 pode apresentar gordura visceral elevada e alto risco cardiometabólico. Ou seja, o número isolado não traduz o que está acontecendo dentro do organismo.

IMC já não conta a história toda

Em janeiro de 2025, uma comissão internacional com 58 especialistas publicou na The Lancet Diabetes & Endocrinology uma redefinição formal da obesidade, endossada por 76 organizações médicas, incluindo ABESO, SBEM e SBCBM. A proposta é clara: o IMC deixa de ser critério único e passa a ser um ponto de partida.

As novas categorias clínicas

A redefinição trouxe duas classificações com implicações práticas importantes:

  • Obesidade pré-clínica: excesso de gordura confirmado, mas sem disfunção orgânica, é fator de risco. Acompanhamento e mudança de hábitos são a abordagem principal.
  • Obesidade clínica: excesso de gordura com impacto funcional comprovado: dores articulares, apneia do sono, alterações metabólicas, limitação de atividades diárias configuram uma doença ativa, com indicação de tratamento mais intensivo.

Sobrepeso, nesse contexto, continua sendo a faixa anterior a esses dois estágios: um estado de alerta que merece monitoramento.

Sobrepeso sempre vira obesidade?

Nem sempre, mas ignorar o risco também não é realista.

Dados citados no documento do Lancet estimam que entre 25% e 30% das pessoas com obesidade pré-clínica evoluem para obesidade clínica em cinco anos.

A progressão depende de fatores genéticos, padrão alimentar, nível de atividade física, qualidade do sono, ambiente social e presença de outras doenças. Isso significa que não se trata de uma linha inevitável, mas de uma trajetória influenciada por múltiplos determinantes.

O papel da gordura abdominal

A circunferência abdominal ganhou peso clínico relevante nas novas diretrizes. A gordura visceral, localizada na região da barriga e envolvendo órgãos internos, apresenta associação mais forte com risco cardiometabólico do que o peso total isolado.

De acordo com os parâmetros adotados nas diretrizes brasileiras, valores acima de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres já são considerados sinal de alerta, independentemente do IMC.

62% dos brasileiros acima do peso

Os números do Vigitel 2025 são claros e difíceis de ignorar. A prevalência de excesso de peso no Brasil passou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024, um aumento de 20 pontos percentuais em 18 anos.

Além disso, a obesidade mais que dobrou no mesmo período, de 11,8% para 25,7%. Enquanto casos de diabetes cresceu 135%; e de hipertensão, 31%.

Isso não é um problema de força de vontade

A obesidade é reconhecida como doença crônica, complexa e multifatorial por todas as principais sociedades médicas brasileiras. Ela envolve regulação hormonal, predisposição genética, ambiente alimentar (acesso a ultraprocessados, custo de alimentos saudáveis), qualidade do sono, estresse crônico e condições psicológicas.

O Atlas Mundial da Obesidade 2025 da Federação Mundial da Obesidade estima que o excesso de peso é responsável por 60.900 mortes prematuras por ano no Brasil, um impacto que vai muito além da balança.

O impacto do sono

O Vigitel 2025 trouxe um dado novo: 31,7% dos adultos relatam sintomas de insônia, e 20,2% dormem menos de seis horas por noite.

Sono insuficiente altera a regulação de grelina e leptina, hormônios relacionados à fome e à saciedade. O resultado é maior apetite, maior preferência por alimentos calóricos e dificuldade aumentada de controle ponderal.

O peso não é apenas sobre alimentação: é também sobre qualidade de sono e, claro, de vida.

Quando o sobrepeso precisa de atenção médica

Mais cedo do que se imaginava há alguns anos.

A Diretriz Brasileira Baseada em Evidências de 2025 para o Manejo da Obesidade, elaborada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e pela Academia Brasileira do Sono, recomenda que todos os pacientes com sobrepeso ou obesidade tenham o risco cardiovascular formalmente avaliado.

Além disso, pacientes com sobrepeso que apresentem comorbidades como diabetes tipo 2, apneia do sono ou doença cardiovascular estabelecida já podem ter indicação de tratamento farmacológico, conforme avaliação individualizada.

Tudo isso significa que não existe mais um único número fixo de IMC que determine o tratamento, mas sim um conjunto de fatores.

O que o tratamento envolve na prática

O ponto de partida continua sendo mudança estruturada de estilo de vida, com acompanhamento profissional. Isso inclui reeducação alimentar, atividade física regular e abordagem comportamental.

Sendo que a recomendação é de equipe multidisciplinar, envolvendo médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo.

Quando as medidas iniciais não são suficientes, ou quando há risco aumentado, o médico pode avaliar tratamento farmacológico ou cirurgia bariátrica. A decisão, como dito aceima depende de vários fatores: IMC, comorbidades, resposta a tentativas anteriores, e condições clínicas individuais.

Com isso, a individualização do tratamento deixou de ser diferencial e passou a ser regra.

Quem pode tomar medicamentos para emagrecer?

Se o IMC isolado já não define diagnóstico, ele também não define sozinho a indicação de medicamento GLP-1.

A decisão hoje é baseada em risco global e impacto clínico. Isso significa avaliar não apenas o peso, mas a presença de comorbidades, o risco cardiovascular estimado, a progressão do quadro e a resposta às mudanças de estilo de vida.

De forma prática, o tratamento com medicamentos para emagrecer pode ser considerado para:

  • Pessoas com obesidade clínica, especialmente quando já há repercussões metabólicas, articulares ou cardiovasculares.
  • Pessoas com IMC igual ou superior a 30 que não obtiveram resposta adequada apenas com intervenção comportamental estruturada.
  • Pessoas com sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9) que apresentem doenças associadas, como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão ou doença cardiovascular estabelecida.

Perceba que o critério central não é apenas o número na balança, mas o impacto da gordura corporal sobre a saúde.

Outro ponto importante: o medicamento não substitui alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional. Ele atua como ferramenta complementar dentro de um plano terapêutico estruturado. Também não é indicado para todos os perfis, já que há contraindicações, interações e efeitos adversos que precisam ser avaliados individualmente.

Por isso, a prescrição deve ser feita exclusivamente por médico, com acompanhamento regular e monitoramento clínico.

Diagnóstico e acompanhamento responsável

Resumindo, o que mudou em 2025 não foi apenas a definição técnica de obesidade, mas a forma de enxergar risco, progressão e tratamento.

O IMC deixou de ser uma sentença isolada e a avaliação passou a considerar gordura corporal, impacto funcional e risco cardiovascular. Isso torna o diagnóstico mais justo e mais preciso.

Mas essa sofisticação exige responsabilidade.

Avaliações devem ser realizadas em instituições reconhecidas, com profissionais qualificados e protocolos baseados em evidência científica. Tratamentos para emagrecimento, especialmente quando envolvem medicamentos, precisam de acompanhamento médico contínuo, monitoramento de efeitos colaterais e ajustes individualizados de dose.

Sobrepeso e obesidade é mais do que uma questão estética, é saúde e, por isso, exige um plano estruturado, metas realistas e acompanhamento regular.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

Voy Saúde
A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.


Perguntas Frequentes

Referências
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Rubino F et al. Definition and diagnostic criteria of clinical obesity. The Lancet Diabetes & Endocrinology, janeiro 2025. Disponível via SBCBM: https://sbcbm.org.br/diagnostico-da-obesidade-devera-ter-novos-parametros-a-partir-de-2025/

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SBEM. Dados do Vigitel 2025 apontam avanço da obesidade e do diabetes na população brasileira, janeiro 2026. https://www.endocrino.org.br/noticias/dados-do-vigitel-apontam-avanco-da-obesidade-e-do-diabetes-na-populacao-brasileira/

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Agência Brasil. Nova diretriz sobre obesidade e sobrepeso foca em risco cardiovascular, setembro 2025. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-09/nova-diretriz-sobre-obesidade-e-sobrepeso-foca-em-risco-cardiovascular

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Agência Brasil. Um a cada três brasileiros vive com obesidade, mostra relatório global (Atlas Mundial 2025), março 2025. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/um-cada-tres-brasileiros-vive-com-obesidade-mostra-relatorio-global

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CNN Brasil. Obesidade cresce 118% no Brasil, segundo Ministério da Saúde, fevereiro 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/saude/obesidade-cresce-118-no-brasil-segundo-ministerio-da-saude/

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