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De Frente com Sobrepeso: esporte, obesidade e pertencimento

Adriano, fotógrafo de um grande clube brasileiro, fala sobre obesidade, futebol e como o tratamento multidisciplinar o ajudou a perder 31kg.scribble-underline

Histórias reais Voy
Atualizado em 19/03/2026
Aviso Importante:

O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Entrevista Adriano
Adriano perder 31kg

Março é o mês de conscientização sobre a obesidade e o sobrepeso, e a Voy escolheu falar sobre um peso que não aparece em nenhuma balança: o das tentativas frustradas que ficam na memória, da culpa que acompanha cada deslize, da sensação de solidão em um processo que o mundo insiste em tratar como simples, mas que está longe de ser.

Na série De Frente com o Sobrepeso, convidamos clientes que enfrentaram obstáculos concretos no seu processo de saúde e que, com acompanhamento, persistência e coragem, conseguiram superá-los. São vozes que merecem ser ouvidas, não como cases de sucesso isolados, mas como espelhos para quem ainda está no começo da jornada.

Dentro do futebol, fora do padrão

Adriano cresceu dentro do futebol. Desde os 12 anos, o esporte foi seu ambiente, primeiro como voluntário em projetos sociais, depois como profissional por trás das câmeras. Mas por toda essa trajetória, carregou consigo uma condição que poucos ao redor entendiam de verdade: a obesidade.

O esporte, especialmente o futebol de alto rendimento, é um dos ambientes onde o preconceito contra a obesidade aparece de forma mais explícita, e mais naturalizada. Os corpos são avaliados publicamente, dentro e fora do campo.

Há uma cultura implícita de que quem não tem controle sobre o próprio corpo não tem disciplina. Para quem trabalha nesse meio sem ser atleta – como técnicos, comissões, fotógrafos – essa pressão não desaparece. Ela só muda de forma.

Adriano viveu isso de perto, mas mesmo assim, escolheu ficar. Nesta conversa, ele fala com honestidade rara sobre bullying, pertencimento, o tabu do medicamento, recaídas, e sobre a diferença entre sobreviver e viver de verdade.

Entrevista

Confira a entrevista na íntegra

Entrevistadora: Thamires Campello

Pesquisadora especialista em Ciências da Saúde e doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), Thamires combina sólida expertise técnica com uma comunicação acessível e empática: qualidades que a tornam uma voz ideal para mediar conversas sobre saúde com profundidade, sensibilidade e foco em impactos reais no cotidiano da saúde no Brasil.

Entrevistado: Adriano

Fotógrafo profissional de um grande clube de futebol brasileiro. Convive com obesidade desde a infância e há quatro anos realiza acompanhamento multidisciplinar, incluindo psicologia, nutrição, endocrinologia e uso de medicamentos. Perdeu 31 kg ao longo do tratamento com a Voy.

Como foi a sua relação com a obesidade desde o início?

Eu sempre tive obesidade, mas nunca tive informação sobre ela. Quando completei 21 anos, fui ao médico pela primeira vez, e minha madrasta me orientou a fazer uma dieta, algo que eu nunca havia entendido antes. A partir daí, comecei o acompanhamento médico e estudei muito sobre o assunto. Foi um início totalmente novo para mim.

Como foi a infância e a adolescência sendo uma pessoa obesa?

Hoje faço acompanhamento psicológico há quatro anos, e isso foi fundamental para entender tudo que vivi. A obesidade traz muitas questões psicológicas junto com ela.

O tratamento é tanto para viver o presente quanto para curar as marcas que ela deixa: o bullying, o preconceito, a dificuldade de sentir pertencimento. Aprendi que pertenço a qualquer lugar, independente da minha condição física.

Você trabalha dentro do futebol, um ambiente onde corpos e performance estão sempre em evidência. Havia um tabu nisso?

O futebol sempre esteve em toda a minha vida. Desde os 12 anos trabalho com futebol, voluntariamente no início, depois profissionalmente. E com ele vieram educação, disciplina e, mais tarde, acesso à informação que mudou a minha trajetória.

Mas ser invisível era quase uma habilidade que eu precisei desenvolver. No ambiente do futebol, o fotógrafo precisa não aparecer, e sendo uma pessoa obesa, isso ficava ainda mais difícil. Meu corpo me denunciava antes de eu abrir a boca. Eu aprendi a ocupar os espaços de um jeito muito específico para não chamar atenção para mim mesmo.

Hoje eu entendo que ocupar um espaço não depende do meu físico, mas da minha consciência sobre o meu pertencimento a ele. O trabalho interno para chegar nessa consciência foi longo.

“Você aprende a se minimizar de formas que nem percebe.”scribble-underline

Você falou sobre se sentir invisível, como era isso?

A obesidade sempre foi um desafio em qualquer ambiente. No transporte público ou dentro de um centro de treinamento de alta performance, onde lido com jogadores em condição física completamente diferente da minha, a questão é sempre individualizar a minha condição.

No início, eu tinha muito essa questão de ser invisível. Eu sempre fui uma pessoa grande, um homem grande, e sendo obeso isso ficava ainda mais difícil. Você aprende a se minimizar de formas que nem percebe.

Ser fotógrafo exige movimento: você está em campo, correndo, agachando. Como era executar isso com mais peso?

Era difícil, e eu raramente falava sobre isso. Tem um peso em não conseguir acompanhar o ritmo que o trabalho exige. Você vai desenvolvendo compensações, maneiras de fazer o trabalho mesmo assim, mas internamente existe um custo alto.

Esse custo foi uma das motivações mais reais que tive para buscar tratamento: não só querer me sentir melhor, mas conseguir trabalhar melhor.

Hoje, com o emagrecimento, as possibilidades fotográficas mudaram. Não só porque me movo diferente, mas porque a autoconfiança muda a forma como você ocupa o espaço.

Falar sobre o uso de medicamento foi um tabu para você?

Sim, com certeza. Existe um preconceito enorme em torno disso. As pessoas tratam como se fosse preguiça, como se fosse um atalho. Eu mesmo demorei para aceitar que precisava. Passei um tempo carregando a ideia de que pedir ajuda de um medicamento era uma fraqueza.

Foi a psicóloga e a nutricionista que me ajudaram a desconstruir essa culpa. A obesidade é uma doença crônica com limitações que não estão só no nosso controle, e o medicamento acaba sendo necessário para que a gente consiga lidar melhor com o que está no nosso alcance. Quando o médico valida essa necessidade, a opinião do vizinho não importa. O que importa é a minha saúde.

“Eu sobrevivi a minha vida inteira, agora eu quero viver.”scribble-underline

Como você entendeu a importância do tratamento multidisciplinar?

Foi um entendimento que veio com o tempo. Precisei de um profissional de educação física, de um médico endocrinologista, de nutricionista, de psicólogo. E depois entendi a possibilidade do medicamento. A obesidade tem limitações que não estão só no nosso controle, e o tratamento precisa cobrir tudo isso, não só um pedaço.

O que você pensa sobre o uso de medicamentos para emagrecimento estético?

Entendo que a estética faz parte da saúde mental, isso é real. Mas aprendi que magreza não é sinônimo de felicidade. E o uso indiscriminado desses medicamentos por quem não precisa acaba criando um preconceito contra quem realmente necessita. Para mim, quando o médico valida essa necessidade, o resto é ruído.

Você teve recaídas no processo?

Sim. Perdi 26 quilos em um primeiro momento e depois tive reganho quando relaxei no tratamento. Na época, ainda não tinha a consciência de que era uma doença para a vida inteira.

Aprendi que não basta só treinar: precisa ter alimentação certa, psicólogo, nutricionista. Todo esse conjunto. E nunca parei de fazer atividade física, mesmo no período de reganho. Hoje, valido tudo isso como aprendizado.

Por que você decidiu falar abertamente sobre isso agora?

Porque acredito que é muito importante para que as pessoas não fiquem sem informação. Quero mostrar que não é preciso ser magro para se tornar fotógrafo de um grande clube de futebol. Dentro desse processo de autocuidado, as pessoas constroem autoconfiança e conseguem viver, independente de qual profissão ou lugar querem ocupar.

Existe muita diferença entre você se ver e se enxergar. A gente precisa não só se ver, mas se enxergar. E falar sobre isso é parte do tratamento também.

O peso que ninguém vê

Adriano passou anos dentro de um dos ambientes mais exigentes do esporte brasileiro, onde corpos são avaliados, performance é medida e o padrão físico é implícito em cada olhar. E fez isso carregando uma condição que o mundo do esporte raramente sabe acolher: a obesidade.

A perda de 31 quilos não veio de força de vontade isolada. Veio de acompanhamento contínuo, plano individualizado e suporte real adaptado à sua rotina. Não foi milagre, foi tratamento bem conduzido.

Porque emagrecer pode começar num número. Mas o que sustenta a transformação é toda a jornada que ninguém vê, dentro e fora do campo.

Quer perder peso como o Adriano?

Antes de tudo, é preciso saber se você é elegível a um tratamento com medicamentos GLP-1, e isso só uma avaliação médica pode dizer.

Se for o caso, é importante entender que a resposta para “quantos quilos vou emagrecer em um mês?” varia. Cada caso é um caso. Fatores como metabolismo, hábitos, composição corporal e histórico de saúde influenciam o ritmo de emagrecimento.

A história do Adriano mostra que o que realmente faz diferença é o diagnóstico certo aliado ao acompanhamento médico e nutricional, que ajudam a otimizar os efeitos do medicamento, manter a consistência e criar hábitos sustentáveis que se encaixem na sua rotina.

A perda gradual, aliada ao suporte profissional, garante resultados duradouros. No fim, a quantidade de quilos que você vai perder depende do cuidado contínuo, não apenas do medicamento.

Para saber se há indicação de algum tratamento, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online em www.voysaude.com.

Voy Saúde
A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.

O que lembrar

  • Obesidade é uma doença crônica, não uma questão de falta de disciplina ou força de vontade
  • O tratamento eficaz é multidisciplinar: envolve endocrinologia, nutrição, psicologia e, quando indicado, medicamento
  • O uso de medicamentos GLP-1 para obesidade é validado medicamente — e diferente do uso estético sem indicação
  • Reganho de peso faz parte do processo e não significa fracasso: a obesidade exige acompanhamento contínuo
  • A transformação vai além da balança: autoconfiança, pertencimento e saúde mental são parte do resultado
  • Qualquer pessoa, em qualquer profissão ou ambiente, pode buscar tratamento e ocupar o espaço que quiser