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Por que as pessoas desistem do tratamento?


Entenda os fatores reais por trás do abandono e como reverter isso.scribble-underline

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Aprovado por:

Time de Saúde Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 11/03/2026
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Você marcou a consulta, esperou na fila, reorganizou a alimentação e tentou encaixar a academia num dia que já estava cheio. Durante semanas, talvez meses, funcionou.

Depois a vida aconteceu do jeito que a vida acontece – um problema no trabalho, uma crise em casa, uma recaída alimentar – e você foi deixando para recomeçar outro dia. O abandono do tratamento para obesidade é tão comum que a literatura científica tem nome para ele: attrition.

Estudos internacionais registram taxas entre 5% e 62% dependendo do tipo de intervenção. Já dados brasileiros existem dados ainda mais concretos: em um ambulatório de obesidade em Salvador, 87,1% dos pacientes que saíram do programa não continuaram com nenhum tipo de tratamento depois.

O mais importante a dizer é: não se trata de falta de vontade. Muitas vezes o sobrepeso tem origem biológica e não emocional. Quando o assunto é obesidade, estamos falando de uma condição crônica.

Peso, genética e biologia: o que antecede o tratamento

Vale dizer antes: nem todo sobrepepeso é obesidade, e nem toda obesidade tem a mesma origem.

Mas existe algo em comum com essas condições: uma parcela significativa das pessoas que lida com sobrepeso ou com dificuldade de emagrecer carrega predisposições genéticas ou alterações hormonais e metabólicas. Fatores que tornam o controle de peso biologicamente mais difícil – independentemente de dieta ou exercício.

Além disso, condições como hipotireoidismo, síndrome dos ovários policísticos, resistência à insulina e variantes genéticas ligadas à regulação do apetite não são exceção rara.

São parte da realidade clínica de muitos pacientes que, sem esse diagnóstico, passam anos acreditando que o problema é falta de força de vontade.

Obesidade é uma condição crônica

A forma como o tratamento da obesidade costuma ser estruturado raramente leva isso a sério. Doenças crônicas exigem acompanhamento contínuo, ajustes frequentes e tolerância a recaídas: e não têm data de alta.

Para quem tem hipertensão ou diabetes, ninguém espera que o acompanhamento termine quando os números melhoram. Com a obesidade, porém, a lógica ainda é outra: metas de curto prazo, consultas que se rarefazem com o tempo e a sensação implícita de que, se o peso voltou, foi porque o paciente não fez a parte dele.

O problema do tratamento feito para o curto prazo

Pesquisas clássicas sobre adesão mostram que 75% dos pacientes não seguem recomendações de mudança de estilo de vida não porque não querem, mas porque manter mudanças de comportamento por meses ou anos, contra hábitos enraizados e contra a biologia do próprio corpo, é genuinamente difícil.

O problema é que muito do que se oferece como "tratamento para obesidade" ainda funciona em janelas de 12 a 24 semanas. Quando o programa termina, o paciente fica sozinho, e o sobrepeso não termina com ele.

Outros motivos por trás do abandono

Os estudos que perguntaram diretamente aos pacientes encontraram respostas em algumas categorias, raramente isoladas.

Barreiras logísticas: tempo, acesso e rotina

A mais citada nos estudos brasileiros é o horário. No programa PRAUSP da USP, 46% dos que abandonaram apontaram horário incompatível com o trabalho como motivo principal.

No ambulatório de Salvador, os motivos mais frequentes foram problemas no trabalho (38,7%) e falta de tempo (25,8%). O sistema de saúde, em grande parte, ainda funciona no horário em que essas pessoas estão trabalhando.

Mas há uma camada mais profunda: o mesmo estudo da USP observa que esses pacientes já sabiam do horário antes de entrar no programa. Isso sugere que a barreira logística às vezes é linguagem para uma barreira emocional mais difícil de nomear.

Barreiras emocionais: vergonha, frustração e resultados lentos

Uma revisão sistemática publicada no Frontiers in Nutrition (2024) identificou que os fatores psicológico como: expectativas irreais de perda de peso, sintomas de depressão, ansiedade elevada e insatisfação precoce com os resultados, também influenciam muito as desistências.

Mais uma vez, não é porque as pessoas não têm força de vontade. Muitas vezes isso acontece porque o tratamento não é adequado, não considera a realidade ou rotina da pessoa ou até porque não há um alinhamento real de expectativas.

Frustração ao não ver resultados

Quem inicia o tratamento espera resultados visíveis em semanas. Quando o processo é mais lento, a frustração se instala e, combinada com culpa e baixa autoestima preexistentes, empurra o paciente para fora antes que o tratamento tenha chance de funcionar.

A vergonha de retornar depois de uma ausência também tem peso: muitas pessoas preferem não voltar a ter que explicar o sumiço.

Quando o próprio sistema de saúde afasta o paciente

Essa é a menos discutida, mas uma das mais documentadas. Segundo especialistas ouvidos pelo Futuro da Saúde, quando o paciente é frequentemente julgado pela própria doença, ele desiste de buscar ajuda e sente vergonha e medo de sua condição.

Não estão falando apenas da sociedade em geral, mas também do consultório médico. Comentários desnecessários sobre peso, condutas que tratam a obesidade como escolha moral e pesagens sem privacidade comprometem a relação terapêutica e, consequentemente, a adesão.

O papel do estigma, dentro e fora do consultório

O estigma opera em duas direções que se alimentam mutuamente. Por fora: a pressão cultural que associa obesidade a preguiça e falta de disciplina. Por dentro: a culpa e vergonha crônicas, e a convicção de que "não adianta tentar de novo".

Uma Pesquisa da USP-Ribeirão Preto mostrou que a gordofobia está presente em pessoas de todos os pesos e gêneros, incluindo profissionais de saúde.

Já o Manual do Ministério da Saúde (2022) é explícito: a internalização do preconceito impacta negativamente a saúde, os serviços precisam oferecer cuidado sem estigmatização e as pesagens devem ser feitas em ambiente privado.

Quando o sistema ignora isso, o abandono não é surpreendente, é uma resposta racional a um ambiente que não acolhe.

O que os dados brasileiros mostram

No estudo de Salvador já citado, 87,1% dos que saíram do programa não estavam em tratamento em nenhum outro serviço. Apenas metade conseguiu perder peso depois. O abandono, na maioria dos casos, não foi transição para outra estratégia – foi o fim do processo.

Outro estudo PRAUSP da USP acompanhou pacientes após o abandono: o IMC médio passou de 33,4 para 33,8 kg/m², e a obesidade grave (IMC acima de 40) saltou de 12% para 18% do grupo. Quem saiu ficou, em média, pior. E ainda assim, 52% disseram que participariam do programa novamente. Queriam continuar, mas precisavam de condições para isso.

Abandonar não significa fracassar para sempre

Um estudo publicado no Eating and Weight Disorders mostrou que alguns pacientes que saíram de programas continuaram progredindo de forma autônoma, usando o que aprenderam durante o tratamento. Abandono e fracasso não são sinônimos.

Retomar depois de uma pausa – de semanas ou de anos – não é recomeçar do zero. É continuar de onde parou, com mais clareza sobre o que funciona para aquela pessoa específica. Um bom profissional não vai perguntar por que você sumiu, vai perguntar como pode ajudar agora.

Se você está lendo este artigo depois de um período fora do tratamento, essa é a informação mais importante: a porta continua aberta.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

Voy Saúde
A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.


Perguntas Frequentes

Referências
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Francischi RPP et al. Tratamento da obesidade: investigando o abandono e seus aspectos motivacionaisscribble-underline. Tese USP (PRAUSP), 2012. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-27032012-154151/pt-br.php

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Estudo Ambulatório de Obesidade Salvador-BA. Motivos de desistência do tratamentoscribble-underline. Revista de Enfermagem Contemporânea, 2019. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem/article/download/2561/2686

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Moroshko I, Brennan L, O'Brien P. Predictors of dropout in weight loss interventions: a systematic review of the literaturescribble-underline. Obesity Reviews, 2011;12:912-34. PubMed: 21815990

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Frontiers in Nutrition. Dropout in cognitive behavioral treatment in adults living with overweight and obesity: a systematic reviewscribble-underline, 2024. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/nutrition/articles/10.3389/fnut.2024.1250683/full

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Ministério da Saúde. Manual de atenção às pessoas com sobrepeso e obesidade no âmbito da Atenção Primária à Saúde do SUSscribble-underline, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atencao_pessoas_sobrepeso_obesidade.pdf

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Futuro da Saúde / Novo Nordisk. Pessoas com obesidade enfrentam desafios em sua jornada de saúdescribble-underline, 2023. Disponível em: https://futurodasaude.com.br/jornada-pessoas-com-obesidade-novonordisk/

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Jornal da USP. Obesidade é doença crônica, mas ainda enfrenta estigmatização e negligênciascribble-underline, 2024. Disponível em: https://jornal.usp.br/diversidade/obesidade-e-doenca-cronica-mas-ainda-enfrenta-estigmatizacao-e-negligencia/

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Springer – Eating and Weight Disorders. Predictors of attrition from a weight loss program: a study of adult patients with obesity in a community settingscribble-underline, 2020. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s40519-020-00990-9

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Machado P. Obesidade e emagrecimento: por que é tão fácil desistir depois que mudamos nossos hábitos?scribble-underline IstoÉ Bem-Estar. Disponível em: https://bemestar.istoe.com.br/obesidade-e-emagrecimento-por-que-e-tao-facil-desistir-depois-que-mudamos-nossos-habitos/

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