
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Se o seu médico prescreveu Ozempic para perder peso, ou se você já começou o tratamento, é normal querer saber quais efeitos colaterais podem aparecer em cada fase. Afinal, ninguém quer surpresas quando o assunto é a própria saúde.
Entender por que esses efeitos acontecem ajuda a manter a perspectiva e seguir o tratamento de forma segura e eficaz. O ideal é sempre conversar com o médico, que vai orientar as doses corretas e avaliar sua resposta ao tratamento.
Mas podemos adiantar uma boa notícia: os efeitos colaterais do Ozempic são bem documentados pela ciência e, na maioria dos casos, são temporários e leves. Segue o texto que a gente te expica.
O que é o Ozempic e como ele age no corpo
Ozempic é o nome comercial da semaglutida, um medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP-1. Em termos simples, ele imita um hormônio que o corpo já produz naturalmente após as refeições: o GLP-1. Esse hormônio envia sinais de saciedade ao cérebro e ajuda a regular o açúcar no sangue.
O resultado na prática é:
- Menos fome.
- Maior sensação de saciedade.
- Digestão mais lenta.
Esse mesmo mecanismo explica por que certos efeitos colaterais do Ozempic são comuns. Ao desacelerar o esvaziamento do estômago, o sistema digestivo precisa se adaptar e, nos primeiros dias ou semanas, é normal que ele reclame um pouco.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Dito isso, vamos falar sobre esses efeitos: considerando a bula original do Ozempic e os ensaios clínicos mais relevantes sobre o medicamento.
No estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine, 74,2% dos participantes que receberam a semaglutida relataram algum efeito colateral gastrointestinal. No grupo placebo (que não recebeu o medicamento), esse número foi de 47,9%.
Vejam os relatos mais frequentes:
- Náusea, a queixa número um, especialmente nas primeiras semanas
- Diarreia, pode surgir de forma inesperada no início
- Constipação, o oposto também acontece, pela digestão mais lenta
- Dor abdominal e gases, desconforto que tende a diminuir com o tempo
Não é coincidência que todos sejam gastrointestinais. Como dissemos antes, o GLP-1 atua diretamente no trato digestivo, reduzindo a velocidade com que o estômago se esvazia. Ou seja: seu corpo está se ajustando a um novo ritmo, e isso leva tempo.
Quanto tempo os efeitos colaterais costumam durar?
A maioria dos efeitos colaterais do Ozempic é descrita nos estudos como leve a moderada e transitória. Segundo especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein, os sintomas costumam melhorar após 1 a 2 meses de tratamento, e apenas cerca de 10% dos pacientes podem apresentar mais dificuldade em tolerar o medicamento.
Existem, no entanto, alguns fatores que podem diferenciar a intensidade e duração dos efeitos:
- Doses e escalonamento: pacientes que iniciam com doses mais baixas e aumentam gradualmente costumam apresentar menos efeitos adversos.
- Condições de saúde individuais: problemas gastrointestinais prévios, diabetes, ou outras condições metabólicas podem influenciar a tolerância.
- Adesão ao acompanhamento médico: ajustes de dose e orientação nutricional feita por um profissional podem reduzir desconfortos e aumentar a eficácia do tratamento.
Por isso, o acompanhamento médico é essencial. Com avaliação contínua, ajustes na abordagem e orientação profissional, é possível minimizar efeitos colaterais e seguir o tratamento de forma segura e eficiente.
Efeitos menos comuns: o que a ciência observou
Nem tudo se resume ao sistema digestivo. Alguns efeitos mais raros também podem aparecer – o que reforça a importância do acompanhamento de um profissional de saúde durante o tratamento.
- Hipoglicemia: É possível, mas costuma aparecer em quem usa outros medicamentos que baixam a glicose (como insulina ou sulfonilureias). Sozinho, o Ozempic raramente causa quedas importantes de açúcar no sangue.
- Pancreatite e vesícula: Eventos graves são raros, mas merecem atenção. A bula cita pancreatite como evento incomum (até 1 em 100 pessoas). Pedra na vesícula também pode ocorrer, muitas vezes ligada à perda rápida de peso, não necessariamente ao remédio.
- E o que mostram os estudos? O estudo SELECT, que acompanhou pacientes por até quatro anos, reforçou que o perfil de segurança se mantém consistente no longo prazo. Mas "consistente" não significa "sem riscos", significa que os riscos são conhecidos e monitoráveis.
"Rosto de Ozempic" e outras preocupações estéticas
Se você já pesquisou sobre o Ozempic provavelmente encontrou expressões como “rosto de Ozempic”, “cabeça de Ozempic” ou relatos de queda de cabelo. Esses termos viralizaram nas redes sociais, mas nem sempre são explicados de forma correta.
O “rosto de Ozempic” é uma forma popular de falar sobre a sensação de que a cabeça ficou maior após a perda de peso com medicamentos para emagrecer. A explicação é simples: quando o corpo perde gordura (o principal efeito dos GLP-1), o volume corporal diminui. A cabeça, por outro lado, é estrutura óssea, ou seja, não muda de tamanho.
Resultado? Com menos volume no corpo, a cabeça parece maior. É pura ilusão de proporção. Isso quer dizer que não é um efeito exclusivo da semaglutida. É consequência de perder muito peso.
Sobre a queda de cabelo, as evidências atuais indicam que o quadro está mais associado ao emagrecimento acelerado (e ao estresse metabólico que ele gera) do que à semaglutida em si.
O que fazer para evitar esses efeitos?
Algumas medidas ajudam a reduzir esses impactos estéticos:
- Consumir proteína suficiente para preservar massa magra;
- Praticar exercícios, especialmente musculação;
- Ajustar metas e entender que perda de peso sustentável não costuma ser rápida: e isso é bom para o corpo.
O papel do acompanhamento médico
A ANVISA passou a exigir, em 2025, que medicamentos GLP-1 tenham receita retida por um motivo claro: o uso sem acompanhamento médico aumenta os riscos.
As Diretrizes da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) de 2025 reforçam o mesmo ponto: o tratamento da obesidade precisa ser contínuo, individualizado e sempre associado a mudanças de estilo de vida. Medicação sem acompanhamento não é tratamento: é risco.
Com um profissional de saúde te monitorando, é possível:
- Ajustar doses no tempo certo;
- Orientar alimentação para reduzir efeitos gastrointestinais;
- Acompanhar sinais de alerta;
- Otimizar resultados ao longo do uso.
É literalmente a diferença entre usar uma ferramenta com ou sem manual de instruções e, no caso dos GLP-1, esse manual é o acompanhamento médico regular.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.



