GLP-1 na gravidez e na amamentação: o que você precisa saber

GLP-1 na gravidez e amamentação: Mounjaro e Wegovy são seguros?

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 22/04/2026
Tempo de leitura: 7 min
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

A pergunta não é rara. Mulheres que estão em tratamento com medicamentos como Wegovy (semaglutida) ou Mounjaro (tirzepatida) e pensam em engravidar, ou que descobriram uma gravidez enquanto usavam o medicamento, frequentemente chegam com a mesma dúvida: posso continuar?

A resposta completa envolve entender por que, e essa compreensão faz diferença prática tanto para quem está planejando uma gravidez quanto para quem está amamentando.

O que são os GLP-1 e como atuam no organismo

Os agonistas do receptor de GLP-1 são medicamentos que imitam a ação de um hormônio intestinal natural, o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Esse hormônio regula a secreção de insulina, retarda o esvaziamento gástrico e sinaliza saciedade ao cérebro.

No tratamento do sobrepeso e da obesidade, as principais moléculas disponíveis no Brasil são a semaglutida, comercializada como Wegovy para obesidade, e a tirzepatida, disponível como Mounjaro. Ambas têm eficácia robusta documentada em ensaios clínicos de grande escala.

  • O estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine em 2021, demonstrou perda média de 14,9% do peso corporal com semaglutida em 68 semanas.
  • O estudo SURMOUNT-1, com tirzepatida, mostrou perdas de até 20,9% em 72 semanas.

Essa eficácia, contudo, foi demonstrada em adultos sem gestação ou amamentação ativa. E é aí que a distinção importa.

GLP-1 é contraindicado na gravidez: o que os estudos mostram

A contraindicação de semaglutida e tirzepatida durante a gravidez está estabelecida nas bulas pela Anvisa. Ela se baseia principalmente em estudos pré-clínicos realizados em animais, que mostraram riscos fetais relevantes.

No caso da semaglutida, estudos em ratas e coelhas gestantes identificaram malformações estruturais, redução do peso fetal, morte embrionária e alterações esqueléticas em doses equivalentes ou inferiores às utilizadas clinicamente em humanos.

Um ponto que ajuda a entender por que existe preocupação é o seguinte: o organismo do feto tem receptores de GLP-1 — ou seja, estruturas que “reconhecem” esse tipo de medicamento. Isso indica que, em teoria, o feto pode reagir à substância.

Não é permitido fazer estudos em mulheres grávidas

Ao mesmo tempo, não existem estudos controlados em mulheres grávidas, porque esse tipo de pesquisa não é considerado ético. Por isso, ainda temos pouca informação direta em humanos.

A própria fabricante, a Novo Nordisk, acompanha casos de mulheres que engravidaram enquanto usavam semaglutida. Mas, até agora, o número de casos é pequeno demais para afirmar se o uso é seguro ou não.

Diante dessa falta de dados confiáveis, a recomendação médica mais segura hoje é clara: não usar o medicamento durante a gestação.

Importante: a contraindicação não reflete apenas presença de risco em animais. Ela reflete, sobretudo, ausência de evidência de segurança em humanos. São coisas diferentes, e as duas, juntas, justificam a recomendação.

Quando parar o GLP-1 antes de engravidar

Se uma gravidez está nos planos, o momento de interromper o medicamento deve ser discutido com antecedência com o médico. O prazo recomendado varia entre as moléculas.

Para a semaglutida, tanto a Novo Nordisk quanto as autoridades regulatórias recomendam a interrupção pelo menos dois meses antes de tentar engravidar.

Essa recomendação leva em conta a meia-vida longa da semaglutida, de aproximadamente uma semana, o que significa que o medicamento permanece no organismo por semanas após a última dose.

Para a tirzepatida, a recomendação da Eli Lilly é de interrupção pelo menos um mês antes, mas na prática clínica muitos médicos optam por um período de segurança mais conservador.

O mais importante é que esse planejamento seja feito com acompanhamento profissional, não de forma autônoma.

E se eu engravidei enquanto usava o medicamento?

Gravidez não planejada durante o uso de GLP-1 é uma situação que acontece. O caminho é direto: interromper o medicamento imediatamente e comunicar ao médico o quanto antes para avaliação e acompanhamento.

Não há dados que permitam prever com precisão o impacto da exposição no início da gestação, mas prolongar o uso após a confirmação da gravidez é o que definitivamente deve ser evitado.

O médico responsável pelo acompanhamento pré-natal precisa estar ciente do histórico de uso para conduzir o monitoramento adequado.

GLP-1 durante a amamentação: a contraindicação continua

A contraindicação não termina com o parto. Ela se estende a todo o período de amamentação ativa, por razões biologicamente fundamentadas.

A semaglutida é detectada no leite de ratas lactantes. Não existem estudos equivalentes em humanas, mas recém-nascidos e lactentes têm imaturidade do sistema digestivo e maior permeabilidade intestinal, o que aumenta a possibilidade de absorção sistêmica de qualquer substância presente no leite.

A magnitude desse risco é desconhecida em humanos, e é exatamente essa incerteza que sustenta a contraindicação.

Nutrição da mãe

Além do risco direto ao bebê, o período de amamentação já impõe demandas nutricionais aumentadas à mãe.

A Organização Mundial da Saúde recomenda amamentação exclusiva por seis meses e continuada por dois anos, e o uso de medicamentos para emagrecimento nesse período é clinicamente desaconselhado tanto pela contraindicação específica dos GLP-1 quanto pelas necessidades nutricionais do aleitamento.

GLP-1 pode aumentar a fertilidade? Entenda a relação

Mulheres com sobrepeso ou obesidade frequentemente apresentam irregularidades menstruais associadas ao excesso de peso.

Com a perda de peso induzida pelo tratamento com GLP-1, ciclos que estavam irregulares podem se regularizar, e essa regularização pode vir acompanhada de aumento da fertilidade.

O ponto prático: para mulheres que não desejam engravidar, o uso de GLP-1 não dispensa a contracepção. A perda de peso em si pode ser o fator que torna uma gravidez possível em situações onde as irregularidades menstruais funcionam como barreira natural.

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Quando é seguro retomar o tratamento depois do parto

O término da amamentação é o momento em que o tratamento farmacológico para emagrecimento pode ser reavaliado, desde que haja indicação clínica e acompanhamento médico adequado.

Isso não significa, contudo, que o desmame deva ser antecipado com esse objetivo. A decisão sobre quando desmamar é de natureza pessoal e clínica, e não deve ser influenciada pelo desejo de retomar a medicação.

Após o desmame completo, o médico poderá avaliar o quadro atual da paciente, incluindo peso, histórico gestacional, comorbidades e resultados de exames. Se houver indicação, o tratamento pode ser iniciado ou retomado.

Para quem já usava GLP-1

Para quem já usava semaglutida ou tirzepatida antes da gravidez, a retomada não é automática. O corpo esteve em condições metabólicas distintas nos últimos meses, e o protocolo pode se aproximar de um reinício, com doses iniciais menores e titulação progressiva.

Efeitos gastrointestinais como náusea e sensação de estufamento são comuns nas primeiras semanas e tendem a diminuir com o tempo.

Acompanhamento antes, durante e depois

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

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A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.

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