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Inibidores de apetite: quais são, como funcionam e o que a Anvisa aprovou

Entenda como os inibidores de apetite atuam no organismo, quais categorias existem e o que considerar antes de iniciar o uso com orientação médica.

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 26/06/2026
Tempo de leitura: 7 min
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

Inibidores de apetite são substâncias que ajudam a reduzir a fome e a sensação de necessidade de comer, contribuindo para uma menor ingestão calórica.

É essa a lógica por trás das canetas injetáveis para emagrecimento, como o Mounjaro, o Wegovy, que estão entre as opções com evidência clínica mais sólida disponíveis hoje no Brasil.

Mas a diminuição do apetite como efeito não é exclusividade dos medicamentos injetáveis. Existem opções orais com prescrição, suplementos e estratégias alimentares que atuam de forma parecida, com graus de eficácia muito diferentes.

Este artigo organiza essas opções para você entender o que cada uma faz, qual a evidência por trás de cada uma e como a Anvisa regula esse campo no Brasil.

Tipos de inibidores de apetite disponíveis no Brasil

Canetas injetáveis (agonistas GLP-1 e GIP/GLP-1)

São os medicamentos com maior evidência clínica e maiores taxas de perda de peso. No Brasil, três têm aprovação da Anvisa para tratamento da obesidade:

  • O Saxenda (liraglutida), aprovado em 2016;
  • O Wegovy (semaglutida 2,4 mg), aprovado em 2023;
  • O Mounjaro (tirzepatida), aprovado em junho de 2025.

Todos exigem prescrição médica e são indicados em conjunto com dieta e atividade física. Apesar de funcionarem de forma parecida, são medicamentos distintos, com princípios ativos, doses e perfis de efeitos colaterais diferentes.

Orlistat (comprimido com prescrição)

O orlistat é o único medicamento oral aprovado pela Anvisa para emagrecimento. Ele não suprime o apetite, mas bloqueia a enzima lipase no intestino e reduz em cerca de 30% a absorção de gordura dos alimentos ingeridos.

Ele está disponível no Brasil com prescrição médica nas marcas Lipiblock, Lipoxen, Orlipid e versões genéricas. A perda de peso com orlistat é mais modesta do que com os GLP-1.

Suplementos e opções de venda livre

Fibras como glucomannan, chás e compostos vegetais são comercializados com alegações de controle do apetite. A Anvisa regula suplementos alimentares e fitoterápicos com exigências menores do que as de medicamentos.

Isso significa que um produto pode ser vendido legalmente sem ter passado pelos mesmos testes de eficácia e segurança exigidos para um medicamento. Ao avaliar qualquer suplemento, vale verificar se tem registro na Anvisa e se as alegações estão respaldadas por evidências.

Inibidores de apetite naturais

Algumas substâncias e estratégias alimentares têm base científica para modular a saciedade, mesmo que com efeito mais limitado do que medicamentos.

Glucomannan

O glucomannan é uma fibra solúvel extraída da raiz da planta konjac. Ao entrar em contato com água no estômago, forma um gel viscoso que retarda o esvaziamento gástrico e prolonga a saciedade.

Um estudo publicado no British Journal of Nutrition mostrou redução modesta na ingestão calórica com glucomannan em gel.

Outros estudos não encontraram efeito significativo na perda de peso a longo prazo. Pode ser útil como parte de uma estratégia alimentar, mas não substitui medicamentos com aprovação regulatória.

Cafeína

A cafeína tem algum efeito supressor de apetite a curto prazo e pode acelerar levemente o metabolismo. As evidências sobre seu impacto na perda de peso são modestas e inconsistentes. O consumo de até 400 mg por dia (equivalente a cerca de quatro xícaras de café) é considerado seguro para a maioria dos adultos saudáveis, segundo agências regulatórias internacionais.

Proteínas e fibras alimentares

Proteínas magras (frango, peixe, tofu, ovos, leguminosas) e alimentos ricos em fibras (frutas, vegetais, grãos integrais) têm maior capacidade de prolongar a saciedade em comparação a ultraprocessados com a mesma quantidade de calorias.

A recomendação de fibras para adultos é de 25 a 30 g por dia. Esses alimentos são parte fundamental de qualquer plano alimentar para perda de peso sustentável.

Como os inibidores de apetite funcionam

As canetas injetáveis para emagrecimento atuam imitando hormônios produzidos naturalmente pelo intestino que ajudam a controlar a fome e a saciedade.

  • O Saxenda e o Wegovy imitam o hormônio GLP-1, que ajuda o corpo a se sentir saciado por mais tempo, retarda o esvaziamento do estômago e contribui para o controle da glicemia.
  • Já o Mounjaro tem uma ação mais ampla: além de atuar no GLP-1, também age sobre o hormônio GIP. Essa combinação potencializa os sinais de saciedade e controle metabólico, o que está associado a resultados mais expressivos nos estudos clínicos.
  • O Orlistat funciona de maneira diferente: ele não atua nos hormônios da fome. Sua ação é no intestino, reduzindo a absorção de parte da gordura ingerida na alimentação.
  • Já substâncias como o glucomannan não têm ação hormonal. Elas atuam de forma mecânica, absorvendo água e formando um gel no estômago, o que aumenta a sensação de saciedade e pode ajudar a reduzir a ingestão de alimentos.
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Os inibidores de apetite são eficazes?

A eficácia varia muito dependendo da opção. Os medicamentos injetáveis aprovados pela Anvisa têm a evidência mais sólida. Nos estudos clínicos, os medicamentos apresentam diferentes níveis médios de perda de peso.

A tirzepatida (Mounjaro) mostra os maiores resultados, seguida pela semaglutida (Wegovy), enquanto a liraglutida (Saxenda) apresenta efeito mais moderado. O orlistat tem resultados menores, e suplementos como o glucomannan mostram efeitos mais variáveis entre pesquisas.

Importante dizer que em todos os resultados foram obtidos em associação com dieta hipocalórica e aumento de atividade física.

Os inibidores de apetite são seguros?

Os medicamentos injetáveis aprovados pela Anvisa são considerados seguros para a maioria dos adultos com indicação clínica, mas, como qualquer tratamento, não estão livres de efeitos colaterais.

De acordo com as bulas, os efeitos mais comuns envolvem o sistema gastrointestinal, especialmente no início do uso ou durante o aumento de dose. Entre eles estão náuseas, vômitos, diarreia e constipação.

Já o Orlistat pode causar efeitos relacionados ao próprio mecanismo de ação, como fezes oleosas, aumento da urgência para evacuar e gases, principalmente quando a alimentação é rica em gordura.

As principais contraindicações incluem gravidez, amamentação e histórico de pancreatite ou alergia ao princípio ativo. No caso de suplementos de venda livre, o nível de evidência científica sobre segurança e eficácia pode ser mais limitado, e possíveis interações com outros medicamentos em uso devem sempre ser avaliadas por um profissional de saúde.

Como escolher o inibidor de apetite adequado

A decisão não cabe ao paciente tomar sozinho. O médico vai considerar o IMC, condições de saúde associadas (diabetes, hipertensão, doença cardiovascular), o histórico de tratamentos anteriores e as preferências do paciente para indicar a opção mais adequada.

Suplementos podem complementar estratégias alimentares, mas não substituem medicamentos quando há indicação clínica para eles. Se você já tentou mudanças de estilo de vida sem atingir os resultados esperados, vale conversar com um médico sobre as opções com aprovação regulatória.

O Que Lembrar

  • Mounjaro, Wegovy e Saxenda são os inibidores de apetite com maior evidência clínica disponíveis no Brasil, todos aprovados pela Anvisa e com prescrição obrigatória.
  • O orlistat é o único medicamento oral aprovado, mas não suprime o apetite: bloqueia a absorção de gordura.
  • Suplementos como glucomannan podem ter efeito modesto na saciedade, mas não têm o mesmo respaldo científico nem regulatório.
  • A eficácia vai de ~7% com Saxenda a ~22,5% com Mounjaro, sempre em combinação com dieta e atividade física.
  • A escolha do tratamento adequado depende de avaliação médica individualizada.
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