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Como funcionam as canetas emagrecedoras, resultados e quem pode usar

Os agonistas de GLP-1 atuam na saciedade e estão entre os tratamentos mais eficazes para obesidade. Veja os resultados de cada um.

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Aprovado por:

Time Cínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 8 min
Atualizado em 24 de junho de 2026
Aviso importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

Muitas pessoas com sobrepeso ou obesidade enfrentam dificuldades para emagrecer, mesmo seguindo dieta e praticando atividade física regularmente. Isso mostra que a perda de peso não depende apenas de disciplina ou força de vontade.

O que muita gente não sabe é que o peso corporal é regulado por hormônios que atuam continuamente no organismo, influenciando a fome, a saciedade e o gasto energético. Esse sistema biológico pode dificultar o emagrecimento e favorecer a recuperação do peso perdido, mesmo quando há esforço consistente.

É nesse contexto que entram os medicamentos chamados agonistas de GLP-1 (como Mounjaro, Wegovy e Ozempic) que representam hoje os tratamentos farmacológicos mais eficazes disponíveis para a obesidade.

Não por que substituem hábitos saudáveis, mas porque atuam diretamente na biologia envolvida na regulação do peso, tornando o processo mais eficiente e sustentável.

Como os agonistas de GLP-1 funcionam

O GLP-1 é um hormônio produzido pelo intestino após as refeições. Entre suas principais funções estão sinalizar ao cérebro que o corpo já recebeu alimento suficiente, aumentar a sensação de saciedade e retardar o esvaziamento do estômago.

Em pessoas com obesidade, esse sistema de sinalização costuma ser menos eficiente. É exatamente nesse ponto que atuam os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1: eles imitam a ação desse hormônio e reforçam mecanismos que o organismo já deveria desempenhar naturalmente.

Na prática, isso leva a uma redução consistente do apetite ao longo do dia, menor compulsão alimentar e melhor controle dos níveis de glicose no sangue. Muitos pacientes também relatam uma diminuição do chamado “food noise”, que são os pensamentos frequentes e intrusivos sobre comida, comuns em quem convive com obesidade.

O que os estudos mostram sobre os medicamentos disponíveis no Brasil

Os agonistas de GLP-1 aprovados pela Anvisa para o tratamento da obesidade apresentam diferenças relevantes de eficácia, refletindo variações no mecanismo de ação e nas doses utilizadas nos estudos clínicos.

Wegovy (semaglutida): ação única no GLP-1

O Wegovy age em um único receptor, o GLP-1, e foi o primeiro medicamento da geração atual de agonistas a ser aprovado especificamente para o tratamento da obesidade.

No estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine em 2021, adultos sem diabetes tratados com semaglutida 2,4 mg por 68 semanas perderam, em média, 14,9% do peso corporal, versus 2,4% no grupo placebo. Cerca de 69% perderam mais de 10% do peso.

Outros medicamentos com semaglutida

O Ozempic tem o mesmo princípio ativo, mas foi desenvolvido para diabetes tipo 2 e utiliza doses menores. Elepode ser usado no tratamento para emagrecer, mas de forma off-label (fora da indicação da bula) e com acompanhamento médico.

Em maio de 2026, a Anvisa aprovou o Ozivy, primeiro registro de semaglutida genérica no Brasil, produzido pelo laboratório EMS. Para entender o que muda na prática, veja o artigo sobre semaglutida genérica.

Saxenda (liraglutida): menor eficácia, aplicação diária

A liraglutida também é um agonista de GLP-1, mas com meia-vida mais curta, ou seja, dura menos tempo no corpo e, por isso, exige aplicação diária.

No estudo SCALE de 2015, a dose de 3 mg levou a uma perda média de 8% a 10% do peso em 56 semanas, um resultado inferior ao da semaglutida e da tirzepatida. Ainda assim, ela pode ser indicada dependendo do perfil clínico do paciente.

Mounjaro (tirzepatida): ação dupla e maior eficácia

O Mounjaro é o único medicamento da classe que age em dois receptores ao mesmo tempo: GLP-1 e GIP, outro hormônio envolvido na regulação da glicose e do tecido adiposo. Essa ação combinada está associada a resultados superiores.

No estudo SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine em 2022, adultos com obesidade tratados com tirzepatida por 72 semanas tiveram perda média de até 22,5% do peso com a dose de 15 mg. Além disso, 96% dos participantes perderam pelo menos 5% do peso corporal, a maior eficácia já observada entre os medicamentos dessa classe.

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Quem tem indicação para o tratamento

Os critérios de indicação para uso dos medicamentos GLP-1 seguem diretrizes clínicas estabelecidas, todas previstas na bula, mas lembre-se: a decisão final é sempre do médico.

Indicação do tratamento farmacológico para obesidade:

  • IMC ≥ 30 kg/m²
  • IMC ≥ 27 kg/m² com pelo menos uma comorbidade associada, como:
    • Diabetes tipo 2
    • Hipertensão
    • Dislipidemia
    • Apneia do sono

Contraindicações dos agonistas de GLP-1:

  • Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide.
  • Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2).
  • Histórico de pancreatite.
  • Gravidez ou tentativa de engravidar.
  • Período de amamentação.
  • Menores de 18 anos (exceto em contexto de pesquisa clínica).

Atenção especial (tirzepatida / Mounjaro):

  • Pode reduzir a eficácia de contraceptivos orais.
  • Necessário discutir métodos contraceptivos com o médico antes de iniciar o tratamento.

Efeitos colaterais: o que é esperado e o que requer atenção

O que acontece nas primeiras semanas

Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais e tendem a aparecer durante o período inicial de ajuste de dose, quando o organismo ainda está se adaptando ao medicamento. Na maioria dos casos, eles diminuem progressivamente nas semanas seguintes.

  • Náusea é o efeito mais frequente, relatado por cerca de 30 a 40% dos pacientes. Refeições menores e menos gordurosas ajudam a reduzir o desconforto.
  • Constipação e diarreia ocorrem em torno de 20% dos casos. Hidratação adequada e fibras na alimentação auxiliam no controle.
  • Fadiga, dor de cabeça e gases são relatados com menos frequência e tendem a desaparecer com a adaptação.
  • Reações locais no ponto de aplicação, como vermelhidão ou pequeno inchaço, são possíveis e geralmente leves.

Efeitos menos comuns que precisam de atenção

Pancreatite é um efeito raro, com incidência inferior a 1%, mas que exige avaliação médica imediata diante de dor abdominal intensa e persistente. Há também risco aumentado de cálculos biliares, especialmente em perdas de peso mais rápidas.

Importante: qualquer sintoma fora do padrão esperado deve ser comunicado ao médico responsável pelo acompanhamento.

Como o tratamento evolui na prática

O início do tratamento é sempre feito com a menor dose disponível, para que o organismo se adapte de forma gradual. A progressão de dose acontece a cada quatro semanas, sob orientação médica, até a dose de manutenção adequada para cada caso. Esse escalonamento reduz significativamente a intensidade dos efeitos colaterais nas primeiras semanas.

Cada corpo é único e responde ao tratamento de um jeito, porém existem algumas expectativas a partir do que foram observados nos estudos. São elas:

  • Os primeiros efeitos sobre o apetite costumam aparecer entre a 4ª e a 8ª semana.
  • A perda de peso mais expressiva geralmente ocorre entre os meses 2 e 6, com desaceleração progressiva depois disso.
  • O platô (quando a perda de peso estabiliza) observado próximo ao final do tratamento é esperado e não indica falha: significa que o organismo atingiu um novo ponto de equilíbrio com a dose em uso.

Importância dos novos hábitos alimentares

O acompanhamento nutricional ao longo do tratamento é fundamental para potencializar os resultados. Não se trata de seguir uma dieta restritiva, mas de aprender a reconhecer e respeitar os novos sinais de fome e saciedade que os agonistas de GLP-1 promovem.

Com a redução do apetite e a maior saciedade, o foco passa a ser qualidade alimentar, equilíbrio e consistência, fatores essenciais para um emagrecimento sustentável. Se quiser entender melhor essa relação, veja o artigo sobre alimentação anti-inflamatória e canetas emagrecedoras.

O que acontece quando o tratamento é interrompido

Interromper o tratamento sem planejamento costuma levar ao reganho de peso é o que mostra não só a prática clínica, mas os estudos.

Em um acompanhamento de 52 semanas após a suspensão da semaglutida, pacientes recuperaram cerca de dois terços do peso perdido. Além disso, marcadores cardiometabólicos, como pressão arterial e colesterol, também apresentaram regressão parcial.

Por que isso acontece? A obesidade é uma condição crônica com base neurobiológica, sem o medicamento, o organismo retoma os mecanismos que defendem o peso anterior, da mesma forma que a pressão sobe de volta quando se para um anti-hipertensivo.

A importância do acompanhamento médico

Por isso, o tratamento não deve ser visto como algo pontual, mas como parte de uma estratégia contínua. A decisão de manter, ajustar ou interromper o uso precisa ser feita com acompanhamento médico, com um plano de manutenção individualizado.

Os hábitos construídos durante o tratamento (especialmente alimentação equilibrada e prática regular de atividade física) fazem diferença na quantidade de peso que pode ser recuperada. Ainda assim, para muitas pessoas, é a combinação entre hábitos e suporte farmacológico que sustenta o controle do peso no longo prazo.

É nesse contexto que se destaca a importância dos agonistas de GLP-1. Quando utilizados com orientação adequada e acompanhamento contínuo, eles permitem resultados consistentes e sustentáveis, com impacto que vai além da perda de peso, contribuindo também para a saúde e a qualidade de vida.

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Perguntas Frequentes

Referências
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Jastreboff AM et al. (SURMOUNT-1). Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. N Engl J Medscribble-underline. 2022;387(3):205-216. DOI: 10.1056/NEJMoa2206038

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Wilding JPH et al. (STEP 1). Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Medscribble-underline. 2021;384(11):989-1002. DOI: 10.1056/NEJMoa2032183

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Pi-Sunyer X et al. (SCALE). A Randomized, Controlled Trial of 3.0 mg of Liraglutide in Weight Management. N Engl J Medscribble-underline. 2015;373(1):11-22. DOI: 10.1056/NEJMoa1411892

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Wilding JPH et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes Obes Metabscribble-underline. 2022;24(8):1553-1564. DOI: 10.1111/dom.14725

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Lincoff AM et al. (SELECT). Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Medscribble-underline. 2023;389(24):2221-2232. DOI: 10.1056/NEJMoa2307563

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Anvisa. Aprovacao de Wegovy (semaglutida) no Brasil. gov.br/anvisa

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