
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
A busca pelo "melhor remédio para emagrecer" nunca esteve tão intensa. E faz sentido, nos últimos anos, medicamentos com resultados expressivos em estudos clínicos ganharam manchetes, redes sociais e conversas de consultório.
Mas entre a promessa e a realidade, o que de fato a ciência mostra sobre essas opções?
Spoiler: não existe pílula mágica. Existe, sim, uma nova geração de medicamentos que, quando usados com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida, têm demonstrado resultados que antes pareciam improváveis.
Segue aqui que a gente explica.
O que são remédios para emagrecer?
Remédios para emagrecer são medicamentos prescritos para auxiliar no tratamento da obesidade e do sobrepeso. Não estamos falando de suplementos, chás ou fórmulas "naturais" vendidas sem receita. Estamos falando de fármacos desenvolvidos, testados em ensaios clínicos e aprovados por agências reguladoras como a ANVISA.
E essa diferença é muito importante.
Esses medicamentos são indicados para pessoas com IMC elevado ou que apresentam condições associadas ao excesso de peso, como diabetes, hipertensão ou doenças cardiovasculares. Por isso, a decisão de usar (ou não) cabe sempre ao médico e após uma avaliação individualizada.
Como funcionam os principais medicamentos
Os tratamentos farmacológicos para obesidade atuam de formas diferentes. Alguns reduzem a absorção de gordura no intestino. Outros agem no sistema nervoso central, influenciando apetite e saciedade. Mas a classe que revolucionou o campo nos últimos anos são os agonistas do GLP-1, e seus primos mais novos, os agonistas duplos.
Abaixo falamos um pouco sobre os principais disponíveis no mercado e aprovados:
Agonistas do GLP-1: Semaglutida e Liraglutida
O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) é um hormônio que seu corpo produz naturalmente após as refeições. Ele sinaliza saciedade, retarda o esvaziamento do estômago e ajuda a regular a glicemia.
Medicamentos como a semaglutida (presente no Wegovy e no Ozempic) e a liraglutida (Saxenda) imitam a ação desse hormônio. O resultado? Menos fome, mais saciedade, menor ingestão alimentar, sem aquela sensação constante de estar se privando.
Agonistas duplos: Tirzepatida
A tirzepatida (Mounjaro) vai além. Ela atua em dois receptores hormonais simultaneamente: GLP-1 e GIP. Essa ação dupla parece potencializar os efeitos sobre apetite e metabolismo, o que explica, ao menos em parte, os resultados ainda mais expressivos observados em estudos.
Outros medicamentos disponíveis no Brasil
Existe ainda o orlistate, que reduz a absorção de gorduras no intestino (com efeitos colaterais gastrointestinais conhecidos por quem já usou). Ou ainda outro medicamento, a Sibutramina, que age no sistema nervoso central, mas tem contraindicações importantes para pessoas com risco cardiovascular. São opções, mas com perfis de eficácia e segurança distintos dos agonistas de GLP-1.
Afinal, o que dizem os estudos clínicos
Números. Vamos a eles. O estudo SURMOUNT-5, publicado no New England Journal of Medicine, comparou diretamente a tirzepatida e a semaglutida em adultos com obesidade.
Após 72 semanas, veja o resultado:
- Tirzepatida: perda média de 20,2% do peso corporal (cerca de 22,8 kg)
- Semaglutida: perda média de 13,7% do peso corporal (cerca de 15 kg)
São resultados expressivos. Mas, e isso é crucial, foram obtidos em condições controladas, com acompanhamento médico rigoroso e, na maioria dos casos, associados a mudanças na alimentação e atividade física.
Uma meta-análise publicada no The Lancet em 2024, analisando mais de 60 mil pacientes, confirmou: os agonistas de GLP-1, especialmente semaglutida, estão entre as opções mais eficazes atualmente disponíveis.
Além da perda de peso, estudos mostram benefícios adicionais: redução de eventos cardiovasculares, melhora do perfil glicêmico e lipídico, proteção renal. A semaglutida, por exemplo, reduziu em 20% os eventos cardiovasculares em pacientes com obesidade e histórico de doença cardíaca.
O Papel do Acompanhamento Médico
Se tem uma coisa que vale para todos os medicamentos para emagrecer, sem exceção é: o tratamento sem acompanhamento de um profissional de saúde além de ser arriscado, pode diminuir as chances de resultado.
Veja aqui alguns dos motivos:
- Avaliação individualizada: o que funciona para uma pessoa pode não ser adequado para outra. Histórico de saúde, outros medicamentos, condições preexistentes, tudo isso importa.
- Ajuste de tratamento: efeitos colaterais, resposta ao medicamento, evolução do peso. Cada etapa precisa de reavaliação para que seja seguro e para que haja resultados.
- Integração com estilo de vida: medicamento sozinho não sustenta resultado. O médico junto com nutricionistas e profissionais da saúde, são cruciais para te ajudar a montar um plano que faz sentido para a sua rotina.
- Segurança: medicamentos controlados existem por um motivo. A automedicação pode causar desde efeitos adversos evitáveis até riscos graves.
A obesidade é uma doença crônica. O tratamento, quando indicado, costuma ser prolongado, e isso exige acompanhamento contínuo, não uma receita única.
Mitos e verdades sobre remédios para emagrecer
Para concluir, vamos falar sobre as tantas informações que vemos na internet e que, muitas vezes, não têm nenhum embasamento científico.
"Remédios funcionam sozinhos"
Mito. E um dos mais perigosos. Medicamentos são ferramentas auxiliares, não substituem alimentação adequada, atividade física e mudanças de comportamento. Os próprios estudos que mostram resultados impressionantes foram conduzidos com pacientes seguindo orientação nutricional e praticando exercício. Tirar isso da equação muda completamente o cenário.
"Todos causam dependência"
Depende do medicamento. Os agonistas de GLP-1 (Ozempic, Wegovy, Mounjaro, Saxenda) não apresentam risco de dependência física. São medicamentos seguros nesse aspecto. A sibutramina, por atuar no sistema nervoso central, exige mais atenção, mas mesmo assim, o risco é baixo quando o uso é acompanhado.
O que pode existir é uma dependência psicológica do resultado, a pessoa que não muda hábitos e "transfere" a responsabilidade do emagrecimento para a medicação. Quando para, o peso volta. Não porque o remédio viciou, mas porque o comportamento não mudou.
"Existem remédios milagrosos"
Se existissem, a obesidade não seria uma epidemia global. Não há atalho. Há, sim, opções que ajudam significativamente, quando integradas a um plano de tratamento completo.
A nova diretriz da ABESO (2025) é clara: o tratamento da obesidade é multifatorial e de longo prazo. Medicamentos são uma peça do quebra-cabeça, não a solução completa.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




