Aviso Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

Quem pesquisa sobre esses dois medicamentos quase sempre chega à mesma pergunta: se o Mounjaro emagrece mais, ele também causa mais efeito colateral?
A lógica parece fazer sentido. Mais potente, mais efeito. Mas os dados clínicos contam uma história um pouco mais complicada, e mais interessante, do que isso.
Como cada medicamento age no organismo
Wegovy tem como princípio ativo a semaglutida, uma molécula que imita o GLP-1, hormônio naturalmente produzido pelo intestino após as refeições. O GLP-1 sinaliza saciedade para o cérebro, reduz o esvaziamento gástrico e ajuda a regular a produção de insulina.
Já o Mounjaro (tirzepatida) age em dois receptores ao mesmo tempo: o GLP-1 e o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), outro hormônio de incretina. Esse mecanismo duplo é o que diferencia estruturalmente as duas moléculas.
Por que isso importa para os efeitos colaterais? Porque boa parte dos sintomas mais relatados, como náusea, desconforto digestivo e sensação de plenitude, são consequência direta de como esses hormônios afetam o trato gastrointestinal.
Ambos os medicamentos agem por vias semelhantes, o que explica por que o perfil de efeitos adversos é parecido entre eles.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns dos dois?
Os efeitos mais frequentes com Wegovy e Mounjaro são gastrointestinais. Náusea, diarreia, vômito e constipação aparecem em ambos, com intensidade geralmente leve a moderada.
A maioria dos relatos acontece durante a fase de escalonamento de dose, o período em que a dose vai aumentando gradualmente até chegar à dose de manutenção — um processo detalhado neste guia sobre a dose inicial do Mounjaro e progressão de doses.
Além dos sintomas digestivos, queda de cabelo aparece em aproximadamente 6% dos pacientes em ambos os grupos. Reações no local de injeção (vermelhidão, coceira, inchaço leve) são mais comuns com a tirzepatida do que com a semaglutida.
O que o único estudo direto entre os dois revelou
O SURMOUNT-5, publicado no New England Journal of Medicine em 2025, foi o primeiro ensaio clínico a colocar Wegovy e Mounjaro frente a frente em condições controladas. Foram 751 adultos com obesidade, sem diabetes, acompanhados por 72 semanas.
Em termos de eficácia, o Mounjaro saiu na frente: perda média de 20,2% do peso corporal, contra 13,7% com o Wegovy, o que representa 47% mais de perda relativa de peso. Lembrando que os estudos mosytram média, cada pessoa tem uma reação e um tempo próprios.
Índice de abandono do tratamento
Mas o dado mais relevante para quem tem dúvida sobre efeitos colaterais está nos índices de abandono do tratamento. A descontinuação por eventos adversos gastrointestinais foi de 5,6% no grupo semaglutida e 2,7% no grupo tirzepatida.
Ou seja: no único estudo que comparou os dois diretamente, mais pacientes pararam de usar o Wegovy por causa de efeitos digestivos do que os que pararam de usar o Mounjaro. A descontinuação total por qualquer causa adversa também foi maior com a semaglutida (8,0% vs 6,1%).
Isso não significa que o Mounjaro seja isento de efeitos: está longe disso. Mas desfaz a ideia de que o medicamento "mais forte" é necessariamente o menos tolerado.
Onde os perfis realmente diferem
Olhando além dos números gerais, algumas diferenças específicas valem atenção.
Vesícula biliar
Uma metanálise publicada nos Annals of Saudi Medicine em 2025, que analisou dados de 26.894 participantes em 13 ensaios clínicos randomizados, encontrou associação significativa entre o uso de semaglutida e maior incidência de doença da vesícula biliar e colelitíase, independentemente do sexo.
Essa associação não foi observada de forma estatisticamente significativa com a tirzepatida.
Reações no local de injeção
Aqui o Mounjaro leva desvantagem. Enquanto apenas 0,2% dos participantes usando semaglutida relataram reações locais nos estudos clínicos, esse número chegou a 4,5% com tirzepatida em algumas análises.
Na maioria dos casos, as reações foram leves e não levaram à interrupção do tratamento.
Sintomas de refluxo
No SURMOUNT-5, eventos de refluxo gastroesofágico foram numericamente mais frequentes no grupo semaglutida do que no grupo tirzepatida, o que merece atenção para pacientes que já têm histórico de refluxo.
Rótulo de segurança atualizado. Em 2025, a FDA adicionou ao rótulo da semaglutida um aviso sobre neuropatia óptica isquêmica anterior não-arterítica (NAION), condição rara que afeta a visão. Uma revisão de classe para a tirzepatida ainda estava em andamento no mesmo período.
Queda de cabelo
A queda de cabelo é um dos efeitos que mais assustam quem está considerando esses tratamentos. Vale deixar claro: os estudos não indicam que seja uma ação direta da molécula sobre os folículos.
O que provavelmente acontece é o eflúvio telógeno, uma resposta do organismo ao estresse metabólico causado por uma perda de peso rápida e significativa. Os fios entram simultaneamente em fase de repouso e, semanas ou meses depois, caem. A condição costuma ser temporária.
Efeitos colaterais graves
Eventos sérios e raros existem nos dois casos. Pancreatite aguda e doença da vesícula biliar são riscos conhecidos dos agonistas GLP-1, com incidência inferior a 1% nos ensaios clínicos de ambas as moléculas — dados confirmados também pelo SURMOUNT-1 e pelo SURPASS-2, dois grandes ensaios que estabeleceram o perfil de segurança da tirzepatida.
Nenhuma morte foi registrada em nenhum dos grupos no SURMOUNT-5.
Uma observação importante: a fase de escalonamento é quando a maioria dos efeitos gastrointestinais se concentra. Depois de atingir a dose de manutenção, muitos pacientes relatam melhora significativa dos sintomas. Isso vale para os dois medicamentos.
Acompanhamento médico e nutricional faz diferença
Grande parte dos efeitos adversos relatados com Wegovy e Mounjaro não são inevitáveis. Em muitos casos, são consequência de um início de tratamento mal calibrado ou de uma adaptação alimentar insuficiente.
Progressão de doses
O escalonamento gradual de dose existe para dar tempo ao organismo de se ajustar — e quando seguido com supervisão médica, os sintomas gastrointestinais tendem a ser menos intensos e mais breves.
Acompanhamento nutricional
A alimentação também tem papel direto: refeições menores e com menos gordura reduzem o desconforto causado pelo esvaziamento gástrico mais lento, e um acompanhamento nutricional estruturado ajuda a preservar massa muscular durante a perda de peso, diminuindo inclusive o risco de queda de cabelo.
Monitoramente constante
Monitoramento clínico periódico permite identificar precocemente alterações biliares, pancreáticas ou metabólicas antes que evoluam.
Os medicamentos têm perfil de segurança bem documentado, mas funcionam melhor — e com menos intercorrências — quando fazem parte de um plano de saúde acompanhado.
O que lembrar:
- Wegovy e Mounjaro compartilham um perfil de efeitos colaterais parecido, predominantemente gastrointestinal, mais intenso no início do tratamento e geralmente manejável.
- As diferenças existem, mas são específicas: semaglutida apresenta maior associação com problemas na vesícula biliar; tirzepatida causa mais reações no local de injeção.
- No único estudo que os comparou diretamente, o Mounjaro teve menor taxa de abandono por eventos digestivos do que o Wegovy.
- A escolha entre os dois depende do histórico clínico de cada paciente e deve sempre ser feita com orientação médica.
- Este conteúdo é apenas informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada. O uso de qualquer medicamento deve ser feito apenas com prescrição válida e supervisão profissional.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




