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Remédio para ansiedade emagrece? O que dizem os estudos

Como fluoxetina, bupropiona e outros antidepressivos afetam o peso e por que usá-los para emagrecer traz riscos.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 10 de setembro de 2026

Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍ ‌​‍‌‍‍‌‌‍‌‌‍‍‌‌‍‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‍‌‍‍‌‌‍ ​‍​‍​‍​​‍​‍‌‍‍​‌​‍‌‍‌‌‌‍‌‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌‍‍​‌‌​‌‌​‌​​‌​​‍‍​‍​‍ ‌‍‌‌‍​‌‌‍‍‌‌‌‌‍​‌‌‍​​‍‌‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‌‌​‌‌​‌‌‌‌‍‌​‌‍‍‌‌‍ ​‍‍‌‌‍‌‍‌‌‌​‍‌‍​‌‍‌‌‌‍​​‍‍‌‍​‌‌​​‌​​​‍ ‌‍‍‌‌‍‍‌‌​‌‍‌‌‌‍‍‌‌​​‍ ‌‍‌‌‌‍‌​‌‍‍‌‌‌‌‍‌‌‍ ‌‍‌​‌‍‌‌​ ‌‌​​‌​‍‌‍‌‌‌​‌‍‌‌‌‍‍‌‌​‌‍​‌‌‌​‌‍‍‌‌‍ ‌‍‍​‍‌‍‍‌‌‍‌​​ ‌‌‍‌​​​‌​‍​​‌‌‌‍‌‍​‍‌‌‍‌‌​‌‍​‍‌​​‌​‌​‌‍‌​​‌‌​‍‌​‌​‌‍‌‌​‌‌‍​​‍‌‌‍​‌​‍​​​‍​​‍​‍‌​​‍​‌​‍‌​‌‍​‌​​​‌‌‍‌‍‌‍​​‌‌​​‌​​​​​‍‌‌​‌‍‌‌​​‌‍‌‌​ ‌‌‌‌‍‌‍ ‌‍‌‌​​‍‌​‍‌‌‌‌‍‌‌‌‍​‍​‍‌‌‍​‍‌‍​‌‍ ‌‍‌​‍‌‌‍​‌‌​‍‌‌​‌‍‍‌‌‍​‌‍​‌‍‌‌​‍‌‌​​‌‍​‌‌‍‌‌‍‌‌​‍‌​​‌‍​‌‌‌​‌‍‍​​ ‌‌‍​‌‍ ‌‍‌‌​​‌‍ ‌​‌‍‍‌‌‌​‌‍‍‌‌‍ ‌‍‍‌​​‍‌‌​‌‌‌​​‍‌‌ ‌‍‍‌‍‌‌‌‍‌​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‍​​‍​​‌‍‌​​​‍​​​​‌‍​‍​​​​​​​​‍​‌‍​‍‌‌‍‌‌​‍‌‌​​‍​​‍​‍‌‌​‌‌‌​‌​​‍‍‌‍​‌‍ ‌‍‍‌‌​‌‍‌‌‌‍‍‌‌​​‍‌‌​‌‌‌​​‍‌‌ ‌‍‍‌‍‌‌‌‍‌​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‍​​‍‌‍​‍‌‍​‍‌‍​‌‍​‌​​​‌‍‌‍​​‍‌‍‌‌‌‍​‌‍​‌​​‍​​‍​‍‌‌​​‍​​‍​‍‌‌​‌‌‌​‌​​‍‍‌‍‌​‌‍‌‌‌​‌‍​‌​‍‌‍‍‌‌​​‌‌​‌‍‍‌‌‍

Nenhum remédio para ansiedade tem aprovação no Brasil para emagrecer, e a maior parte dos antidepressivos usados nesse tratamento tende a manter ou aumentar o peso ao longo dos meses.

A fluoxetina provoca uma perda pequena e passageira, enquanto a bupropiona, indicada para depressão e tabagismo, é a que menos engorda, embora traga risco de convulsão.

A única opção com antidepressivo na fórmula aprovada pela Anvisa para obesidade é a combinação de bupropiona com naltrexona, vendida como Contrave, sempre com prescrição e acompanhamento médico.

Por que o remédio para ansiedade pode mexer com o peso

Relatos como “emagreci tomando fluoxetina” circulam com frequência nas redes sociais, quase sempre vindos de quem viu a balança mudar nas primeiras semanas de tratamento.

A experiência pode ser real para aquela pessoa, mas diz pouco sobre o que acontece com a maioria de quem usa esses medicamentos, e menos ainda sobre o que acontece depois de alguns meses.

Quando se fala em remédio para ansiedade, na maior parte das vezes o assunto são os antidepressivos. Os mais receitados nos transtornos de ansiedade são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, como sertralina, escitalopram, paroxetina e fluoxetina, que aumentam a quantidade desse neurotransmissor disponível entre os neurônios.

Calmantes da família dos benzodiazepínicos, como clonazepam e alprazolam, também entram nessa conversa, mas costumam ser usados por períodos curtos.

A serotonina, ao lado da noradrenalina e da dopamina, participa de muito mais do que o humor. Esses mensageiros químicos ajudam a regular o apetite, a saciedade e a vontade de comer por impulso, e por isso um remédio que altera o equilíbrio entre eles pode mexer no peso de forma indireta.

Essa mudança aparece como efeito colateral possível, sem ser o objetivo do tratamento, e pode tanto aumentar quanto diminuir o número na balança.

A ansiedade também muda a relação com a comida

Parte da variação de peso durante o tratamento vem da própria ansiedade. Há quem coma mais nos momentos de tensão, principalmente alimentos ricos em açúcar e gordura, e há quem perca o apetite e passe horas sem comer.

Com a melhora dos sintomas, esses padrões mudam, e fica difícil separar o que é efeito do remédio do que é consequência de a pessoa estar se sentindo melhor.

Quem usava a comida como alívio pode passar a comer menos, enquanto quem tinha perdido o apetite pode voltar a sentir fome e recuperar peso. Esse vaivém costuma se somar ao ciclo de dieta, restrição e compulsão, comum em quem tenta emagrecer por conta própria, e ajuda a explicar por que o efeito de um antidepressivo sobre o peso varia tanto de uma pessoa para outra.

O que os estudos mostram sobre antidepressivos e peso

Quando se acompanham grandes grupos de pessoas por meses ou anos, a tendência que aparece é de ganho de peso. Uma revisão sistemática publicada na Obesity Reviews em 2019 reuniu 27 estudos de coorte, que seguem os participantes ao longo do tempo, sobre antidepressivos e antipsicóticos.

A maioria dos estudos com antidepressivos registrou ganho de cerca de 5% do peso corporal, o equivalente a uns 3,5 kg para quem pesa 70 kg, e a bupropiona foi a exceção, associada a perda de peso.

Um estudo mais recente, publicado no Annals of Internal Medicine em 2024, comparou oito antidepressivos de primeira linha em mais de 183 mil adultos atendidos em sistemas de saúde dos Estados Unidos. As diferenças entre eles foram pequenas.

Em seis meses, escitalopram, paroxetina e duloxetina levaram a um ganho de 0,3 a 0,4 kg maior do que o da sertralina, usada como referência, e elevaram de 10% a 15% a chance de ganhar pelo menos 5% do peso.

A bupropiona ficou no extremo oposto, com 0,22 kg a menos do que a sertralina e chance 15% menor de um ganho relevante, enquanto a fluoxetina teve efeito parecido com o da sertralina. Os autores ressaltam que muitos participantes deixaram de tomar o remédio ao longo do acompanhamento, o que pede cautela na leitura desses números.

Alguns antidepressivos pesam mais na balança. Uma metanálise publicada no Journal of Clinical Psychiatry em 2010 apontou a amitriptilina, da classe dos tricíclicos, a mirtazapina e a paroxetina como os que trazem maior risco de ganho de peso.

O efeito costuma ser atribuído ao aumento do apetite e à sonolência que esses remédios provocam, e tende a ficar mais evidente em tratamentos longos.

Fluoxetina emagrece?

A fluoxetina ganhou fama de antidepressivo que emagrece, e essa fama tem alguma base, embora bem menor do que se imagina. A revisão da Cochrane sobre fluoxetina em adultos com sobrepeso ou obesidade, de 2019, encontrou uma perda média de 2,7 kg a mais do que com placebo.

A certeza dessa evidência foi classificada como baixa, porque a maior parte dos estudos tinha falhas de método e durava de três semanas a um ano.

Os próprios autores estimaram que um novo estudo poderia encontrar desde uma perda de 7,1 kg até um ganho de 1,7 kg, o que significa que repetir o resultado não está garantido.

Os efeitos adversos também foram mais frequentes com o remédio, relatados por 63,6% de quem usou fluoxetina contra 56,2% no grupo placebo, com queixas como tontura, sonolência, cansaço, insônia e náusea.

O que mais pesa contra a ideia de emagrecer com fluoxetina é o tempo. Em um ensaio clínico de 52 semanas com 458 pessoas com obesidade, que usaram 60 mg por dia, a perda máxima aconteceu por volta da 20ª semana, e ao fim de um ano já não havia diferença em relação ao placebo.

A metanálise de 2010 citada acima chegou à mesma conclusão ao descrever a perda com fluoxetina como restrita à fase inicial do tratamento.

Bupropiona engorda menos, mas tem outra indicação

A bupropiona costuma ser citada como prova de que existe remédio para ansiedade que emagrece, só que ela nem é indicada para ansiedade. No Brasil, suas indicações são o tratamento da depressão e o apoio para parar de fumar.

Ela age sobretudo sobre dopamina e noradrenalina, ligadas à motivação e ao sistema de recompensa, e a bula inclui entre os efeitos adversos justamente agitação, insônia e ansiedade.

O efeito sobre o peso aparece nos estudos. Em um ensaio clínico publicado na Obesity Research em 2002, adultos com obesidade que completaram 24 semanas perderam 7,2% do peso com 300 mg por dia e 10,1% com 400 mg, contra 5,0% no grupo placebo.

Como todos os grupos seguiam dieta com restrição de calorias, substitutos de refeição e exercício, a parte atribuível ao remédio ficou em 2,2 e 5,1 pontos percentuais.

Mesmo assim, a bupropiona isolada não tem aprovação da Anvisa para tratar obesidade, e usá-la com esse objetivo é off-label, termo que designa a prescrição fora das indicações da bula.

O risco de convulsão aumenta com a dose, e a bula contraindica o remédio para quem tem epilepsia, diagnóstico atual ou passado de bulimia ou anorexia, ou está interrompendo de forma abrupta o uso de álcool ou sedativos.

Contrave, a combinação aprovada que leva bupropiona

A única opção para obesidade no Brasil com um antidepressivo na fórmula é o Contrave, que combina bupropiona e naltrexona, substância usada há décadas no tratamento da dependência de álcool e opioides.

As duas atuam juntas em áreas do cérebro que regulam o apetite e o prazer ligado à comida. O medicamento foi aprovado pela Anvisa em dezembro de 2021 e chegou às farmácias em maio de 2023.

No estudo COR-II, com 1.496 pessoas com obesidade ou com sobrepeso associado a pressão alta ou colesterol alterado, a combinação levou a uma perda média de 6,4% do peso em 56 semanas, contra 1,2% com placebo.

A Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, da Abeso, classifica o Contrave como de potência baixa a média, com perda de 4,8% além da obtida com placebo.

Por conter bupropiona, o Contrave herda as contraindicações dela e soma outras. Segundo a bula aprovada pela FDA, ele não deve ser usado por quem tem pressão alta sem controle, histórico de convulsão, bulimia ou anorexia, nem por quem faz uso contínuo de opioides.

Nos ensaios clínicos, convulsões ocorreram em cerca de 0,1% dos pacientes, contra nenhum caso no grupo placebo.

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O que a diretriz brasileira diz sobre o uso fora da bula

A mesma diretriz da Abeso trata o uso off-label com cautela. Ela não recomenda, para obesidade, remédios sem eficácia e segurança demonstradas em ensaios clínicos randomizados, e admite o uso fora da bula apenas quando os tratamentos aprovados não podem ser usados, e ainda assim com medicamentos que tenham boa evidência nesse tipo de estudo.

Pelos estudos disponíveis, a fluoxetina tem evidência frágil para esse fim, com benefício de baixa certeza e efeito que se perde em poucos meses. A bupropiona isolada reúne dados mais consistentes, mas continua sujeita às mesmas contraindicações e ao risco de convulsão, e a decisão de usá-la fora da bula cabe sempre ao médico, depois de avaliar cada caso.

Há ainda riscos menos óbvios. Tomar um remédio psicoativo sem indicação pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados da ansiedade e da obesidade, e as bulas de antidepressivos trazem um alerta para pensamentos suicidas em pessoas com menos de 25 anos.

Interromper o remédio por conta própria também pode provocar sintomas de descontinuação e a volta do quadro que motivou a prescrição.

Quando ansiedade e obesidade aparecem juntas

Ansiedade e excesso de peso costumam andar juntos, e nesses casos a escolha do antidepressivo pode levar o peso em conta. O médico pode dar preferência a opções com menor impacto na balança, como as comparações entre antidepressivos mostram ser possível, sem abrir mão do que funciona melhor para a ansiedade de cada paciente.

Para a obesidade em si, existem remédios desenvolvidos e aprovados com essa finalidade. Além do Contrave, a lista inclui orlistate, sibutramina, liraglutida e os medicamentos da classe GLP-1 de alta potência, como a semaglutida do Wegovy, e a tirzepatida do Mounjaro.

O mercado mudou bastante com a queda de patentes, e vale entender o que cada produto aprova. A liraglutida ganhou versões nacionais, como Olire e Lirux, e a semaglutida nacional, que inclui o Ozivy e os primeiros genérico e similar registrados, tem indicação apenas para diabetes tipo 2.

O Wegovy em comprimido e o Foundayo, remédio oral da Eli Lilly, foram aprovados pela FDA nos Estados Unidos, mas ainda não têm registro na Anvisa.

Emagrecer com um remédio para ansiedade depende de um efeito colateral pequeno, inconstante e que, na maioria dos casos, vai na direção contrária. Tratar a ansiedade e a obesidade como duas condições que merecem cuidado próprio, com diagnóstico e acompanhamento, costuma levar a resultados mais seguros do que apostar numa coincidência de efeitos.

O que lembrar:

  • Nenhum remédio para ansiedade é aprovado no Brasil para emagrecer.
  • A maioria dos antidepressivos tende a manter ou aumentar o peso, e mirtazapina, amitriptilina e paroxetina estão entre os que mais engordam.
  • A perda de peso com fluoxetina é pequena e costuma se desfazer em alguns meses.
  • A bupropiona engorda menos, mas é indicada para depressão e tabagismo e tem risco de convulsão.
  • O Contrave, que combina bupropiona e naltrexona, é a opção aprovada para obesidade que leva antidepressivo na fórmula, sempre com prescrição.

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Perguntas Frequentes

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Aviso importante

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.