
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
O Wegovy, medicamento à base de semaglutida aprovado para o tratamento da obesidade, chegou ao Brasil em 2023 e rapidamente ganhou destaque.
Não à toa: estudos clínicos de grande escala mostram que o Wegovy pode levar a reduções significativas de peso, especialmente quando usado junto a acompanhamento médico e mudanças de estilo de vida.
Mas entre as promessas e os resultados reais existe um ponto crucial: o Wegovy não é um medicamento para usar por conta própria. Ele exige prescrição, avaliação individualizada e seguimento contínuo, e entender o motivo disso é essencial para quem está considerando esse tipo de tratamento.
O que é o Wegovy
O Wegovy é o nome comercial da semaglutida, um princípio ativo desenvolvido especificamente para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a comorbidades.
Ele pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1, medicamentos que imitam um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições e que ajuda a regular fome, saciedade e metabolismo.
A confusão entre Wegovy e Ozempic é comum, porque ambos utilizam a mesma molécula: a semaglutida. A diferença está na indicação e na dosagem.
- Ozempic foi aprovado pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2, com dose máxima de 1 mg por semana.
- Wegovy, por sua vez, foi desenvolvido para o controle crônico do peso e aprovado pela Anvisa com doses que chegam a 2,4 mg semanais, específicas para o manejo da obesidade.
Em resumo: mesma molécula, propósitos diferentes – e isso muda completamente o uso, as doses e o acompanhamento necessário.
Como o Wegovy funciona no corpo
O papel do GLP-1
O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) é um hormônio que o próprio corpo produz naturalmente. Depois que você come, células do intestino liberam GLP-1 para avisar ao cérebro que é hora de reduzir a fome: ele faz parte do sistema biológico que controla apetite, saciedade e digestão.
O Wegovy age imitando esse hormônio, só que de forma mais potente e com ação mais prolongada. Ele se liga aos mesmos receptores no cérebro e no trato gastrointestinal, fortalecendo os sinais de saciedade e ajudando o corpo a regular melhor o apetite.
Efeitos no apetite e na saciedade
Na prática, isso significa:
- menos fome entre as refeições,
- porções menores que satisfazem,
- menos pensamentos constantes sobre comida,
- sensação de saciedade que dura mais tempo.
O Wegovy também retarda o esvaziamento gástrico, fazendo com que o alimento permaneça mais tempo no estômago. Esse efeito prolonga a sensação de estar satisfeito e, para muitas pessoas, transforma a relação com a comida.
Mas é importante lembrar: cada organismo responde de forma diferente. Algumas pessoas percebem mudanças rápidas no apetite; outras precisam de mais tempo ou podem ter respostas distintas. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental.
O que dizem os estudos clínicos
Os ensaios clínicos do programa STEP (Semaglutide Treatment Effect in People with Obesity) avaliaram milhares de participantes por períodos que chegaram a dois anos. Os resultados são consistentes e bastante expressivos.
No estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine, os participantes que receberam semaglutida 2,4 mg (a dose do Wegovy) tiveram uma redução média de 14,9% do peso corporal em 68 semanas. No grupo placebo, a queda foi de apenas 2,4%. A diferença é marcante.
Os efeitos a longo prazo também foram estudados. No STEP 5, com duração total de 2 anos, 77,1% das pessoas que usaram semaglutida mantiveram uma perda de pelo menos 5% do peso, contra 34,4% no grupo placebo. Isso mostra que o efeito não é apenas inicial, ele pode ser sustentado quando o tratamento é contínuo.
E há mais. O estudo SELECT, que acompanhou mais de 17 mil pacientes com obesidade e doença cardiovascular pré-existente, encontrou uma redução de 20% em eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC. Ou seja, o impacto é clínico e metabólico, não apenas estético.
Vale reforçar: esses resultados vêm de estudos controlados, com acompanhamento médico rigoroso. Na vida real, a resposta varia de pessoa para pessoa e depende de vários fatores além do medicamento, como rotina, saúde geral e adesão ao tratamento.
O que esperar durante o tratamento
A Importância do ajuste gradual
O tratamento com Wegovy não começa na dose plena. Existe um período de escalonamento, doses progressivamente maiores ao longo de semanas, que permite ao corpo se adaptar. Esse ajuste é determinado pelo médico com base na resposta individual.
Por que isso importa? Porque começar com doses altas aumenta a chance de efeitos adversos e não acelera os resultados. A paciência, nesse caso, é estratégica.
Efeitos colaterais do Wegovy
Os efeitos colaterais mais comuns do Wegovy são gastrointestinais principalmente náusea, diarreia e constipação. Na maior parte dos casos, esses sintomas são leves a moderados e costumam reduzir com o tempo, especialmente nas primeiras semanas, quando o organismo ainda está se ajustando ao medicamento.
De acordo com os estudos do programa STEP, cerca de 74% dos participantes relataram algum efeito gastrointestinal. O número pode parecer alto, mas é importante entender o contexto:
- a maioria desses efeitos foi classificada como leve,
- e menos de 10% das pessoas precisaram interromper o tratamento por causa deles.
Por isso, o acompanhamento médico é fundamental. Ele permite ajustar a velocidade de aumento da dose, orientar estratégias para amenizar sintomas e identificar rapidamente qualquer sinal que mereça avaliação mais detalhada. O objetivo é sempre garantir um uso seguro e eficaz do medicamento.
O acompanhamento médico faz diferença aqui. Permite ajustar o ritmo do tratamento, manejar sintomas e identificar precocemente qualquer sinal que mereça atenção.
Por que o Wegovy exige receita médica?
Isso não é uma formalidade burocrática: é uma medida de segurança. Em junho de 2025, a Anvisa reforçou as regras para medicamentos agonistas de GLP-1, como o Wegovy. Desde então, a receita médica passou a ser retida na farmácia no momento da compra.
O motivo é claro: um relatório técnico identificou que 32% das notificações de eventos adversos no Brasil estavam associadas ao uso fora das indicações aprovadas. Para comparação, o índice global estimado pela OMS é de 10%. Ou seja, o uso inadequado aqui era significativamente maior e precisava ser contido.
Por que a avaliação médica é indispensável
Só um médico pode avaliar se o Wegovy é indicado para o seu caso, afinal existem contraindicações; condições que exigem monitoramento e, um ponto central: o medicamento sozinho não sustenta resultados a longo prazo.
Estudos mostram que, após interromper a semaglutida, cerca de dois terços do peso perdido tende a ser recuperado ao longo do tempo. Isso acontece porque a obesidade é uma doença crônica, e o corpo tende a retornar ao peso anterior sem uma estratégia contínua.
Por isso, as ABESO (Diretrizes Brasileiras de Tratamento Farmacológico da Obesidade), publicadas em 2025 em parceria com 15 sociedades médicas, reforçam a abordagem integrada: medicamento + mudanças de estilo de vida + acompanhamento contínuo.
A obesidade é uma doença crônica. O tratamento, quando indicado, também tende a ser.
Wegovy, Ozempic e outras canetas: qual a diferença?
A dúvida é legítima. A tabela abaixo resume as principais diferenças entre os medicamentos injetáveis mais conhecidos dessa classe:

Usar Ozempic para emagrecer, sem diagnóstico de diabetes, é uso off-label no Brasil. Pode haver situações em que o médico considere apropriado, mas a decisão é clínica e individualizada.
A ANVISA também proibiu a manipulação de semaglutida em farmácias. Não existe versão "genérica manipulada" desse medicamento.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




