
O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

Como Yanca perdeu 20 kg em um ano, sem abrir mão do seu estilo e modo de ser

Março é o mês de conscientização sobre a obesidade e o sobrepeso, e a Voy escolheu falar sobre um peso que não aparece em nenhuma balança: o das roupas que ficam guardadas esperando um corpo diferente, da blusa que a gente puxa para o lado sem perceber, da sensação de não merecer usar o que se quer.
Na série De Frente com o Sobrepeso, convidamos pessoas que enfrentaram obstáculos concretos no seu processo de saúde e que, com acompanhamento, persistência e coragem, conseguiram superá-los. São vozes que merecem ser ouvidas, não como cases de sucesso isolados, mas como espelhos para quem ainda está no começo da jornada.
Nesse episódio, convidamos a @yankapires, consultora de imagem e estilo que já perdeu 20kg na sua jornada de emagrecimento, pra contar um pouco da sua história com corpo, expressão e moda.
Antes de falar, a roupa já falou
A moda raramente é tratada como um tema de saúde. Mas para quem convive com o sobrepeso, ela pode ser um dos campos mais carregados do cotidiano: o espelho antes de sair de casa, a escolha entre esconder ou aparecer, a roupa comprada para um corpo futuro que talvez nunca chegue do jeito esperado.
Yanca cresceu gostando de moda, mas sem espaço para isso. Morou no interior, fez faculdade de direito, se mudou para São Paulo em busca de um mundo maior. E ao longo do caminho foi entendendo que a imagem pessoal não é frescura nem vaidade: é linguagem. E que deixar essa linguagem de lado, por não caber no tamanho, por não se sentir merecedora, por adiar tudo para depois do emagrecimento — tem um custo silencioso alto.
Nesta conversa, ela fala com honestidade sobre o mercado de moda que exclui, o guarda-roupa provisório que a maioria das mulheres tem, e o que acontece quando a gente começa a se vestir para quem é agora.
Entrevista na íntegra
Entrevistadora
Thamires Campello Pesquisadora especialista em Ciências da Saúde e doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), Thamires combina sólida expertise técnica com uma comunicação acessível e empática: qualidades que a tornam uma voz ideal para mediar conversas sobre saúde com profundidade, sensibilidade e foco em impactos reais no cotidiano da saúde no Brasil.
Entrevistada
Yanca, Consultora de moda e especialista em imagem pessoal. Viveu o sobrepeso e a dificuldade de se vestir num mercado que raramente oferece opções reais para corpos fora do padrão. Hoje usa sua experiência pessoal e profissional para ajudar mulheres a usar a moda como ferramenta de autoexpressão — não de ocultação.

Como você entrou no mundo da moda?
Eu sempre gostei muito, mas por morar no interior nunca foi uma opção real. Fiz direito, pedi transferência para São Paulo. E fui entendendo que queria trabalhar a moda como ferramenta de autoexpressão, não como lançamento de tendência, não como obrigatoriedade de seguir algo. Sempre me interessou essa ideia de individualidade.
Entendi que a nossa imagem comunicar aquilo que somos é muito importante. O homem já nasce com certas ferramentas ao lado dele. Nós ainda precisamos galgar algo. E a nossa imagem é uma das nossas principais ferramentas. Deixar isso de lado tem um custo.
Por que a roupa importa tanto? Parece que ela fala antes da gente?
É uma linguagem silenciosa. Nossa imagem fala antes da gente falar. A gente passa a vida se preparando para o que vai dizer e deixa a roupa, a aparência um pouco de lado. Só que às vezes a pessoa chega, fala tudo que tem para falar, e quem está na frente está pensando: "Mas que roupa horrível." E não prestou atenção em nada.
Mais do que a percepção do outro, é como a gente se sente naquela roupa. Quando a gente se veste de uma forma que gosta, naturalmente já se empodera. Se sente mais confiante, pisa com mais segurança, fala com mais segurança.
"A gente se prepara para o que vai falar e deixa a imagem de lado. Mas a imagem já falou antes de você abrir a boca."

A moda pode ser usada para esconder o corpo?
Com certeza. Ela é uma ferramenta, e a gente usa da forma como se sente mais à vontade ou da forma que sabe fazer no momento. Muitas pessoas usam a moda para se esconder: uma modelagem mais larga, o preto que "todo mundo sabe que emagrece", e que não necessariamente emagrece. Às vezes uma roupa inteira branca disfarça mais do que uma roupa toda preta. Mas as pessoas usam o preto como escudo.
Eu mesma já usei modelagens mais largas e só com o emagrecimento entendi que era uma forma de esconder. Porque é tão natural que a gente nem percebe que está fazendo isso. Está puxando a blusa de lado, está escolhendo sempre a peça mais ampla. São vícios que a gente vai desenvolvendo e só olhando para trás consegue ver.
Como foi a sua relação com o sobrepeso dentro do universo da moda?
É complicado porque o mercado não oferecia opções para mim. Eu tinha intenção, tinha conhecimento, mas chegava numa loja comum e não encontrava o meu tamanho. E eu não tinha uma imagem de mim como alguém gorda — não me via dessa forma. Me via como alguém autêntica, diferente. E ficava: "Mas não é possível que o GG não serve..."
Hoje olhando fotos antigas eu penso: estava, você só não via. Mas a maioria das pessoas tem essa percepção logo no começo: "Não estou habitando o meu próprio corpo." Para mim era diferente, sempre me vi um pouco mais magra do que era. Mas a dificuldade concreta existia: eu queria, e não tinha onde comprar.
"Eu queria usar peças diferentes e não conseguia por não achar do meu tamanho. A indústria já te induz a disfarçar."

O mercado plus size oferece o que as mulheres precisam?
Não, e o problema vai além do tamanho. Quando a indústria faz uma modelagem maior, raramente segue um padrão que favoreça o corpo. É sempre roupa muito estampada, muito larga, tentando esconder. Não tem uma calça mais ajustada, um vestido que marque. É muito difícil de achar. A indústria já te diz: disfarça. Ela não te dá outra opção.
O que muda na relação de uma mulher com a moda quando ela está acima do peso?
Falando por experiência própria e por anos de consultoria: quando você está acima do peso, você sente que não merece. Não merece usar o cropped, não merece a tendência do momento, não merece a peça que sempre quis. E começa aquele pensamento: "Vou usar isso quando emagrecer." Ou: "Pode até ser para mim, mas para a mim do futuro, não para a mim de agora."
E aí a gente começa a se sabotar. Veste o que cabe, veste o que tem, disfarça. Os anos vão passando. A moda deixa de ser expressão e passa a ser o que passa desapercebido.
"Você não usa a moda como ferramenta de expressão. Você usa o que dá, o que vai passar desapercebido, e vai deixando as peças para um outro momento que nunca chega."

O que é o "guarda-roupa provisório"?
É o guarda-roupa que está lotado, mas onde você não tem roupa. Tem peças com etiqueta, tem peças separadas para quando emagrecer. Só que quando você emagrece, não quer mais usar aquelas roupas, quer roupas novas, porque é uma nova fase. E aí aquelas peças ficaram lá para nada.
O ciclo é sempre o mesmo: guarda-roupa lotado, sensação de não ter nada para usar, compra uma roupa para uma ocasião específica que não combina com nada mais, o guarda-roupa fica mais lotado ainda. E por baixo de tudo isso, a frustração de nunca se sentir bem vestida.
Eu vou na casa de clientes e o que mais tem é esse cenário. Roupas esperando um corpo que ainda vai chegar. Enquanto o corpo que está aqui agora fica sem roupa.
O peso que ninguém vê no espelho
Yanca passou por um mercado que não foi feito para ela, por um universo onde o corpo importa antes da competência, por anos de consultoria ajudando mulheres a saírem do guarda-roupa provisório e começarem a existir no presente.
O que ela aprendeu nesse caminho é simples e difícil ao mesmo tempo: a roupa que você usa agora diz como você se sente agora. Adiar o seu estilo é adiar a sua presença no mundo.
Vestir-se bem não depende de um número na balança. Depende de parar de esperar permissão para ocupar o espaço que já é seu.
Quer cuidar da sua saúde como passo para se sentir bem no próprio corpo?
Antes de tudo, é preciso saber se você tem indicação para um tratamento de emagrecimento com acompanhamento médico, e isso só uma avaliação pode dizer.
Se for o caso, é importante entender que cada processo é único. Fatores como metabolismo, histórico de saúde, hábitos e composição corporal influenciam os resultados. O que realmente faz diferença é o diagnóstico certo aliado ao acompanhamento médico e nutricional, que ajudam a criar hábitos sustentáveis e resultados duradouros.
O peso que ninguém vê
@yankapires perdeu 20kg carregando uma condição que o mundo da moda raramente sabe acolher: a obesidade.
A perda de peso não veio de força de vontade isolada. Veio de acompanhamento contínuo, plano individualizado e suporte real adaptado à sua rotina. Não foi milagre, foi tratamento bem conduzido.
Porque emagrecer pode começar num número. Mas o que sustenta a transformação é toda a jornada que ninguém vê, dentro e fora do campo.
Quer perder peso como a Yanca?
Antes de tudo, é preciso saber se você é elegível a um tratamento com medicamentos GLP-1, e isso só uma avaliação médica pode dizer.
Se for o caso, é importante entender que a resposta para “quantos quilos vou emagrecer em um mês?” varia. Cada caso é um caso. Fatores como metabolismo, hábitos, composição corporal e histórico de saúde influenciam o ritmo de emagrecimento.
A história da Yanca mostra que o que realmente faz diferença é o diagnóstico certo aliado ao acompanhamento médico e nutricional, que ajudam a otimizar os efeitos do medicamento, manter a consistência e criar hábitos sustentáveis que se encaixem na sua rotina.
A perda gradual, aliada ao suporte profissional, garante resultados duradouros. No fim, a quantidade de quilos que você vai perder depende do cuidado contínuo, não apenas do medicamento.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




