
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Na terça-feira, 14 de abril de 2026, a Anvisa publicou no Diário Oficial da União a proibição total de dois produtos vendidos como canetas emagrecedoras: Gluconex e Tirzedral.
A medida veta a comercialização, a distribuição, a importação, a propaganda e o uso de ambos no território nacional, e determina a apreensão de qualquer estoque encontrado.
Os dois produtos tinham algo em comum além do princípio ativo: nenhum passou pela avaliação da Anvisa. Sem registro, não há comprovação de segurança, qualidade ou eficácia.
Por que a Anvisa proibiu Gluconex e Tirzedral
A razão formal é objetiva. Segundo o órgão, Gluconex e Tirzedral não possuem registro, notificação ou cadastro na Anvisa, conforme exige a legislação sanitária brasileira.
A empresa fabricante de ambos não foi identificada. Isso significa que a agência não tem como rastrear a origem dos produtos, verificar o que contém o líquido injetável nem garantir que a concentração declarada corresponde ao que está na seringa.
Os dois produtos eram divulgados principalmente em redes sociais como injetáveis à base de GLP-1 com tirzepatida como princípio ativo, anunciados como alternativas mais baratas ao Mounjaro. Vinham sendo contrabandeados do Paraguai.
Há ainda uma barreira legal adicional: a Eli Lilly detém a patente da tirzepatida no Brasil até pelo menos 2035, o que torna qualquer versão não autorizada do princípio ativo ilegal por duas razões simultâneas: falta de registro sanitário e violação de propriedade intelectual.
Gluconex e Tirzedral fazem parte de uma lista maior
A proibição de abril de 2026 não é um evento isolado. Desde novembro de 2025, a Anvisa vem derrubando sistematicamente todas as marcas de tirzepatida e retatrutida produzidas em laboratórios paraguaios ou vendidas por importadores informais.
Gluconex e Tirzedral eram as últimas marcas paraguaias de tirzepatida que ainda podiam ser adquiridas antes da proibição específica.
Medicamentos que já foram proibidos:
A lista de canetas emagrecedoras com tirzepatida proibidas pela Anvisa inclui atualmente:
- Gluconex e Tirzedral (abril de 2026)
- Lipoland e T.G. do laboratório Landerlan, Lipoless do laboratório Éticos e Tirzec da Quimfa (fevereiro de 2026)
- Synedica e T.G. Indufar (novembro de 2025).
A Anvisa também negou o registro de três outros medicamentos que tentavam entrar legalmente no mercado que não atenderam aos requisitos técnicos de eficácia e qualidade exigidos pela agência.:
- Plaobes e Lirahyp, da Cipla Brasil, à base de liraglutida
- Embeltah, da Dr. Reddys, à base de semaglutida.
O que a proibição significa na prática
A proibição não deixa margem para interpretação. Aplica-se a qualquer pessoa física ou jurídica que comercialize, distribua, importe ou divulgue os produtos, incluindo estabelecimentos de saúde e veículos de comunicação.
Medicamentos sem registro só podem ser importados de forma excepcional, para uso pessoal, com receita médica e seguindo regras específicas. Quando a Anvisa publica proibição específica, no entanto, a importação fica suspensa por qualquer modalidade.
Profissionais de saúde e pacientes que tiverem acesso a produtos com essas marcas devem comunicar o caso à Anvisa ou à vigilância sanitária local. A orientação do órgão é não utilizar os produtos em nenhuma hipótese.
Quais canetas emagrecedoras têm registro no Brasil
Quatro produtos à base de GLP-1 têm registro regular na Anvisa:
- Saxenda (liraglutida).
- Ozempic (semaglutida para diabetes tipo 2).
- Wegovy (semaglutida para obesidade).
- Mounjaro (tirzepatida).
As vendas de análogos de GLP-1 cresceram 25,5% entre 2024 e 2025, passando de 4,6 para 5,8 milhões de unidades, considerando apenas produtos regularizados.
Em janeiro de 2026, quase meio milhão de caixas dessas canetas foram vendidas no Brasil. Para entender o histórico completo de proibições, veja o que a Anvisa já baniu e por quê.
Genéricos e manipulados
Além dos produtos contrabandeados, há outro caminho que muita gente considera: a tirzepatida manipulada em farmácias.
A situação regulatória é diferente da dos produtos paraguaios, mas os riscos se sobrepõem. Entenda o que dizem a Anvisa e as sociedades médicas sobre o Mounjaro manipulado.
Vale lembrar também que, apesar da patente da semaglutida ter expirado em março de 2026, ainda não há genérico aprovado no Brasil. A Anvisa analisa cerca de 20 pedidos, mas a estimativa mais realista para os primeiros genéricos chegarem às prateleiras é o final de 2026 ou início de 2027.
Tratamento eficaz é tratamento seguro
Essa demanda crescente é exatamente o que sustenta o mercado paralelo.
Com o Mounjaro custando em torno de R$ 1.800 por mês nas farmácias brasileiras, e as versões paraguaias sendo vendidas por R$ 500 a R$ 600, a diferença de preço criou um fluxo constante de importação irregular que a Anvisa vem tentando fechar desde o final de 2025.
Tratamento seguro com canetas emagrecedoras passa por três condições inegociáveis: produto com registro na Anvisa, prescrição médica e acompanhamento profissional. O acesso a versões não registradas, além de ilegal, envolve riscos que as autoridades sanitárias classificam como potencialmente fatais.
O que lembrar
- A proibição de Gluconex e Tirzedral completa o ciclo de banimentos que a Anvisa iniciou em novembro de 2025.
- Nenhuma marca paraguaia de tirzepatida pode mais ser importada ou usada legalmente no Brasil.
- Quem usa caneta emagrecedora precisa de produto com registro na Anvisa, prescrição médica e acompanhamento profissional. Não existe atalho seguro nesse tratamento.

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