
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Durante anos, a semaglutida foi sinônimo de exclusividade: um medicamento protegido por patente, com preço elevado e pouca concorrência. Mas esse cenário vai começar a mudar.
A patente da semaglutida, princípio ativo do Wegovy e do Ozempic, expira no Brasil, oficialmente, no dia em 20 de março de 2026. O marco foi confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça em dezembro de 2025, após a farmacêutica Novo Nordisk tentar estender a proteção, mas não deu certo, a extensão foi rejeitada.
Isso não significa que o genérico já está disponível nas farmácias, mas indica que ele está no caminho. Segue o texto que explicamos tudo.
A patente caiu: o que isso significa na prática?
Quando falamos em patente farmacêutica, estamos falando de exclusividade temporária. Durante o período de proteção, apenas o laboratório detentor pode fabricar e comercializar o medicamento. Isso garante retorno sobre investimento em pesquisa, mas também limita a concorrência.
Com o vencimento da patente, outros laboratórios passam a poder desenvolver e registrar versões genéricas, desde que comprovem à autoridade regulatória que o produto possui qualidade, segurança e eficácia equivalentes ao medicamento de referência.
No caso da semaglutida, a patente foi depositada no INPI IInstituto Nacional da Propriedade Industrial), em 2006. O INPI é o órgão federal responsável por analisar e conceder patentes no Brasil, ou seja, é quem decide se uma empresa tem direito exclusivo de explorar comercialmente uma invenção por determinado período.
A patente da semaglutida só foi concedida em 2019, após 13 anos de análise. A Novo Nordisk argumentou que essa demora reduziu, na prática, seu tempo real de exclusividade no mercado e pediu compensação judicial. O STJ reconheceu que houve demora administrativa, mas decidiu que não existe base legal para estender o prazo da patente sem previsão específica em lei.
Resultado: a expiração ficou confirmada para 20 de março de 2026.
Quando o genérico da semaglutida estará disponível nas farmácias?
Uma coisa é certa, não será no dia seguinte ao fim da patente. A queda da patente abre o caminho legal para a concorrência. No entanto, cada laboratório interessado precisa obter aprovação individual da Anvisa. Isso envolve apresentação de dossiê técnico completo, comprovação de boas práticas de fabricação e estudos de bioequivalência.
A Anvisa não concede registros automaticamente, os pedidos passam por análise técnica própria, com prazos regulatórios específicos. Algumas empresas já se adiantaram, no site da Anvisa é possível verificar os pedidos de registro de versões de semaglutida já solicitados.
Entre os laboratórios posicionados estão Biomm em parceria com a Biocon, Hypera Pharma com a Neo Química, Cimed, Prati-Donaduzzi e Nexus, que anunciou investimento de R$ 60 milhões na fábrica em Sorocaba. A Eurofarma firmou parceria com a própria Novo Nordisk para distribuir uma segunda marca.
A estimativa mais realista é que os primeiros genéricos aprovados cheguem às prateleiras entre o final de 2026 e o início de 2027.
Quanto vai custar o genérico do Wegovy?
Quando se fala em genérico a primeira pergunta que é feita é sobre o preço. A tendência com o aumento da concorrência é sempre de baratear, porém, existe um piso regulatório.
No Brasil, a legislação determina que o medicamento genérico deve custar pelo menos 35% menos que o produto de referência, é o mínimo legal.
Análises do BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimento da América Latina, estimam uma redução de 50 a 60% em até dois anos. Hoje, a dose mais alta do Wegovy gira em torno de R$ 1.700 por mês. Com queda de 50%, o valor poderia ficar próximo de R$ 850. Com 60%, em torno de R$ 680. Mas importante: estamos falando de projeções baseadas em precedentes de mercado, não promessas oficiais.
Também existe a possibilidade da redução do medicamento original. Na China, às vésperas da perda de patente, a Novo Nordisk reduziu o preço do Wegovy pela metade. No Brasil, a empresa já aplicou redução média de 19,6% em junho de 2025 após a entrada do Mounjaro no mercado.
Ozempic, Wegovy e Rybelsus: quais terão genérico em 2026?
Os três medicamentos contêm semaglutida, mas não estão na mesma situação regulatória.
Ozempic e Wegovy utilizam semaglutida injetável. É a patente dessa apresentação que expira em março de 2026. Ambos devem ter versões genéricas ou similares lançadas entre 2026 e 2027, após aprovação da Anvisa.
Ainda assim, as indicações permanecem distintas. Ozempic é aprovado para diabetes tipo 2 enquanto o Wegovy é aprovado para obesidade tipo 2 e sobrepeso com comorbidades. Um genérico aprovado para diabetes não substitui automaticamente o Wegovy em termos de indicação, bula ou cobertura por plano de saúde. Nesse caso, a decisão continua sendo médica.
O Rybelsus, por sua vez, é a versão oral da semaglutida. A patente da tecnologia de absorção em comprimido vence apenas em 2031. Portanto, nada de genéricos por enquanto.
Semaglutida manipulada não é genérico
Essa é uma confusão bem comum. O genérico é um medicamento registrado na Anvisa, com comprovação de bioequivalência e controle de qualidade industrial. Medicamentos manipulados são uma outra coisa.
Em agosto de 2025, a Anvisa proibiu a manipulação de semaglutida por meio do Despacho 97/2025, conforme noticiado pela APM / Agência Brasil. A proibição incluiu tanto versões biológicas quanto sintéticas, já que nenhuma semaglutida sintética possui registro no Brasil e o processo biotecnológico da original é complexo e exclusivo.
O risco não é abstrato. Em outubro de 2024, a Novo Nordisk identificou canetas de insulina no Rio de Janeiro com rótulos de Ozempic sobrepostos: e a insulina aplicada no lugar de semaglutida pode provocar hipoglicemia grave.
O genérico legal que chegará ao mercado terá registro na Anvisa, estudos técnicos e padrões industriais exigidos para qualquer medicamento aprovado. E, claro, continuará precisando da prescrição médica.
E o SUS? O genérico muda alguma coisa?
A discussão sobre acesso público depende principalmente do custo-efetividade.
Com preços potencialmente mais baixos após a entrada dos genéricos, o cenário econômico pode mudar. O Ministério da Saúde já solicitou prioridade à Anvisa para análise dos pedidos de registro.
Ainda assim, o processo de incorporação no SUS é técnico, demorado e independente da simples queda da patente. No curto prazo, não há previsão de oferta pelo sistema público.
A decisão não é só sobre preço
A chegada do genérico muda o mercado, amplia o acesso e pode aliviar o bolso. Mas a escolha do medicamento ideal não começa na farmácia, começa no consultório.
Semaglutida não é produto de prateleira comum. Dose, indicação, histórico de saúde, presença de diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, uso de outros medicamentos e metas de tratamento precisam ser avaliados individualmente. Além disso, o acompanhamento médico é fundamental para ajustar doses, monitorar efeitos colaterais e garantir segurança ao longo do uso.
Com ou sem genérico, a decisão sobre qual versão utilizar, em qual dose e por quanto tempo deve sempre partir de uma conversa clara entre médico e paciente. A queda da patente amplia as opções. O cuidado continua sendo personalizado.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.



