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Wegovy: o que muda com a queda da patente

Saiba quando os medicamentos genéricos estarão disponíveis nas farmácias.



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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 04/05/2026
Tempo de leitura: 5 min
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Atualização em maio de 2026

A patente da semaglutida caiu em 20 de março de 2026. A Anvisa tem 17 processos de registro em análise. Os primeiros produtos para diabetes devem ser aprovados até junho de 2026; para obesidade, a previsão é final de 2026 ou início de 2027. Nenhum genérico foi aprovado até a data desta atualização.

Durante anos, a semaglutida, princípio ativo do Wegovy e do Ozempic, foi protegida por patente: exclusividade total, preço elevado, sem concorrência. Isso mudou.

Em 20 de março de 2026, a patente expirou. O cenário que se abre é de transformação gradual no acesso e no preço, mas não imediata. Este artigo explica o que já aconteceu, o que está em andamento na Anvisa e o que ainda não tem data confirmada.

O que significa a queda da patente na prática

Uma patente farmacêutica garante exclusividade temporária de fabricação e comercialização. Enquanto vigorou, só a Novo Nordisk podia produzir e vender semaglutida no mundo todo, em qualquer apresentação.

Com o fim da patente, outros laboratórios passam a poder desenvolver e registrar versões próprias, desde que comprovem à autoridade regulatória que o produto tem qualidade, segurança e eficácia equivalentes ao de referência. No Brasil, quem faz essa análise é a Anvisa.

Queda de patente não é o mesmo que genérico disponível. É o ponto de partida, não a chegada.

Como a patente chegou ao fim

A patente da semaglutida foi depositada no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) em 2006, mas só foi concedida em 2019, após 13 anos de análise.

A Novo Nordisk argumentou que a demora administrativa reduziu, na prática, seu tempo real de exclusividade e pediu extensão judicial do prazo.

Em dezembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu que houve demora, mas decidiu que não existe base legal para estender o prazo sem previsão específica em lei. A expiração foi confirmada para 20 de março de 2026, e assim ocorreu.

O que a Anvisa diz hoje sobre os registros

No dia da queda da patente, a Anvisa publicou um balanço oficial dos pedidos em andamento: oito processos em análise ativa e nove aguardando início da avaliação técnica, totalizando 17 produtos. Dos oito em análise, sete são de origem sintética e um é biológico.

Os estágios mais avançados, segundo informações disponíveis, são os da EMS e da Ávita Care, que já haviam recebido questionamentos técnicos da Anvisa e tinham prazo de 120 dias para responder. As estimativas são:

  • Primeiros registros para diabetes (Ozempic similar): até junho de 2026
  • Primeiros registros para obesidade (Wegovy similar): final de 2026 ou início de 2027
  • Ritmo máximo de aprovações: três por semestre, processo que pode se estender até 2028

Atenção regulatória importante

A semaglutida é classificada como medicamento biológico. No Brasil, medicamentos biológicos não podem ser registrados como 'genéricos' no sentido tradicional.

Os produtos concorrentes serão registrados como 'similar biológico' ou 'análogo sintético', categorias com exigências próprias de comprovação. Isso não afeta a segurança nem a eficácia dos produtos aprovados, mas é importante para entender como eles aparecerão na bula, na receita e na cobertura de planos de saúde.

Quanto vão custar os similares da semaglutida?

A Lei 9.787/1999 estabelece o piso de 35% de desconto sobre o medicamento de referência para genéricos. Para similares biológicos e análogos sintéticos, o piso regulatório pode ser diferente, mas a concorrência tende a puxar os preços para baixo de qualquer forma.

Projeções de mercado apontam queda de 50 a 60% em até dois anos com múltiplos fabricantes competindo. Para quem paga em torno de R$ 1.700 mensais pelo Wegovy 2,4 mg hoje, isso representaria preços próximos de R$ 680 a R$ 850. São projeções baseadas em precedentes de outros mercados, não garantias.

A Novo Nordisk também se moveu antes da queda. Em março de 2026, a empresa anunciou promoção que oferecia a dose inicial de Wegovy 0,25 mg gratuitamente ao comprar outra dose.

Além disso, já havia reduzido os preços em média 19,6% em junho de 2025, após a entrada do Mounjaro no mercado. No modelo chinês, que pode servir de precedente, a empresa reduziu o Wegovy à metade antes da queda da patente.

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Ozempic, Wegovy e Rybelsus: qual terá similar primeiro?

Os três contêm semaglutida, mas estão em situações distintas. O Ozempic e o Wegovy usam semaglutida injetável: é a patente dessa apresentação que expirou em março de 2026, e ambos devem ter similares aprovados entre 2026 e 2027.

As indicações, porém, permanecem distintas. Ozempic é aprovado para diabetes tipo 2 e Wegovy para obesidade e sobrepeso com comorbidades. Um similar aprovado para diabetes não substitui automaticamente o Wegovy em termos de indicação ou cobertura de plano de saúde. A decisão continua sendo médica.

O Rybelsus, a versão oral da semaglutida, é um caso separado: a patente da tecnologia de absorção em comprimido vence apenas em 2031. Por enquanto, não haverá similar oral.

Semaglutida manipulada não é similar nem genérico

A queda da patente não muda nada em relação à semaglutida manipulada. Em agosto de 2025, a Anvisa formalizou a proibição por meio do Despacho 97/2025: nenhuma farmácia de manipulação pode produzir ou comercializar semaglutida no Brasil, seja biológica ou sintética, enquanto não houver medicamento registrado com aquela substância específica.

Medicamentos falsificados

Em outubro de 2024, a Novo Nordisk identificou canetas de insulina no Rio de Janeiro com rótulos de Ozempic sobrepostos. Insulina aplicada no lugar de semaglutida pode causar hipoglicemia grave.

A OMS também emitiu alerta sobre lotes falsificados de Ozempic detectados no Brasil, no Reino Unido e nos EUA. Para saber como identificar produtos falsificados, veja Wegovy falsificado ou manipulado: como identificar.

O similar biológico que chegará ao mercado terá registro na Anvisa, estudos técnicos e padrões industriais exigidos para qualquer medicamento aprovado. E continuará precisando de prescrição médica.

A queda da patente também tende a intensificar a circulação de produtos sem registro se passando por legítimos. Enquanto os similares aprovados não chegam às farmácias, vale redobrar a atenção e entender por que marcas paraguaias como o Tirzec estão proibidas no Brasil.

E o SUS? O que muda com os similares?

A redução de preço com a chegada dos similares melhora o cenário econômico para eventual incorporação no SUS, mas não garante nem agiliza esse processo. A incorporação depende de avaliação de custo-efetividade pelo Ministério da Saúde, processo técnico e demorado que é independente da queda da patente.

O Ministério da Saúde já solicitou prioridade à Anvisa na análise dos pedidos de registro. No curto prazo, porém, não há previsão de oferta de semaglutida pelo sistema público.

A queda da patente amplia o acesso, mas o cuidado continua sendo individual.

A chegada dos similares da semaglutida é uma boa notícia para o acesso. Mais opções, preços menores, mais brasileiros com indicação clínica podendo iniciar o tratamento.

Mas o barateamento do medicamento não muda o que ele é: uma ferramenta farmacológica para uma condição crônica, que funciona melhor quando integrada a um acompanhamento médico contínuo.

Semaglutida não é produto de prateleira

A dose de início, o ritmo de escalonamento, a avaliação de contraindicações, o monitoramento de efeitos colaterais e a decisão de manter, ajustar ou interromper o tratamento dependem de um profissional que conhece o histórico de saúde de quem usa.

Dois pacientes com o mesmo IMC podem ter indicações diferentes dependendo de histórico cardiovascular, uso de outros medicamentos, função renal ou presença de diabetes.

Os estudos clínicos com semaglutida que embasaram a aprovação da Anvisa sempre incluíram acompanhamento estruturado. Os resultados que aparecem nos ensaios, como redução de 15 a 21% do peso corporal, foram obtidos com pacientes em seguimento regular, não em uso autônomo. Isso não é coincidência: o acompanhamento médico melhora os resultados e reduz riscos.

Com ou sem genérico, a decisão sobre qual versão usar, em qual dose e por quanto tempo começa no consultório.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

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Perguntas Frequentes

Referências
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Brazil Journal. STJ decide que patente do Ozempic vence mesmo em 2026, dezembro 2025. https://braziljournal.com/stj-decide-que-patente-do-ozempic-vence-mesmo-em-2026-ufa/

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Times Brasil. Ozempic perde patente e inicia corrida de canetas genéricas no Brasil, dezembro 2025. https://timesbrasil.com.br/brasil/economia-brasileira/ozempic-perde-patente-brasil-corrida-canetas-genericas/

icon³

Bloomberg Línea. Médicos já receitam "compre o mais barato" em canetas emagrecedoras no Brasil, janeiro 2026. https://www.bloomberglinea.com.br/saude/medicos-ja-receitam-compre-o-mais-barato-em-canetas-emagrecedoras-no-brasil/

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IQVIA. Off-patent semaglutide in 2026: the next revolution in anti-obesity medications, julho 2025. https://www.iqvia.com/locations/emea/blogs/2025/07/off-patent-semaglutide

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APM / Agência Brasil. Anvisa proíbe manipulação de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, agosto 2025. https://www.apm.org.br/anvisa-proibe-manipulacao-de-ozempic-wegovy-e-rybelsus/

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