
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Nem todo mundo que pesquisa Ozempic está decidido a usá-lo. Muitas pessoas chegam até aqui porque ouviram falar do medicamento, tentaram encontrá-lo, se assustaram com o preço ou simplesmente querem entender se existem opções mais adequadas ao seu perfil.
E essa curiosidade faz sentido. O Brasil é hoje o segundo país do mundo que mais busca por medicamentos dessa classe no Google. São mais de 715 mil pesquisas mensais apenas por Ozempic, sem contar Wegovy, Mounjaro e outros nomes que passaram a fazer parte das conversas sobre saúde e emagrecimento.
Esse movimento reflete dois fatores importantes: o avanço da obesidade no país, que hoje atinge cerca de 68% da população adulta, e a necessidade crescente de informação confiável sobre tratamentos disponíveis.
A seguir, você vai entender quais são os principais concorrentes do Ozempic no Brasil, o que muda entre eles em termos de eficácia, mecanismo de ação, preço e para quem cada opção costuma fazer mais sentido.
O que são os análogos de GLP-1 e como funcionam
Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Saxenda fazem parte de uma mesma família de medicamentos, chamada de análogos de GLP-1. Apesar dos nomes diferentes, todos se baseiam em um mesmo princípio fisiológico.
O GLP-1, sigla para peptídeo semelhante ao glucagon-1, é um hormônio produzido naturalmente pelo nosso intestino após as refeições. Ele atua em três frentes principais: aumenta a sensação de saciedade no cérebro, estimula a liberação de insulina quando a glicose sobe e desacelera o esvaziamento do estômago.
Na prática, isso significa sentir menos fome, ficar satisfeito por mais tempo e ter melhor controle da glicemia. Os medicamentos dessa classe imitam esse hormônio, mas com uma grande vantagem: permanecem ativos no organismo por dias ou até uma semana inteira.
Diferença entre GLP-1 simples e agonistas duplos
Aqui está um ponto que costuma passar despercebido, mas faz bastante diferença nos resultados.
A maioria dos medicamentos dessa classe atua apenas no receptor de GLP-1. É o caso da semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e da liraglutida, usada no Saxenda, Victoza, Olire e Lirux.
Já a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro e do Zepbound, vai além. Ela age em dois receptores hormonais ao mesmo tempo: GLP-1 e GIP, outro hormônio relacionado ao controle da glicose e do apetite.
Essa ação dupla ajuda a explicar por que a tirzepatida apresenta resultados mais expressivos em perda de peso nos estudos clínicos, como veremos a seguir.
Principais concorrentes do Ozempic disponíveis no Brasil
Wegovy (semaglutida): a versão aprovada para emagrecimento
Wegovy e Ozempic usam exatamente a mesma molécula: semaglutida. Ambos são fabricados pela Novo Nordisk, nas mesmas plantas industriais.
A principal diferença está na indicação e na dose. O Wegovy tem aprovação específica da Anvisa para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a comorbidades, enquanto o Ozempic foi originalmente aprovado para diabetes tipo 2. Além disso, o Wegovy chega a doses mais altas, de até 2,4 mg por semana.
Nos estudos clínicos do programa STEP, o Wegovy demonstrou perda média de 15% a 17% do peso corporal em 68 semanas. Cerca de 70% dos participantes perderam pelo menos 10% do peso inicial.
A aplicação é semanal. O preço gira em torno de R$ 1.800 por caneta, que contém quatro doses.
Mounjaro (tirzepatida): o agonista duplo mais potente
É aqui que os números começam a chamar mais atenção.
Por atuar simultaneamente nos receptores de GLP-1 e GIP, o Mounjaro apresentou resultados superiores nos principais estudos clínicos. No estudo SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine, a perda média de peso chegou a 21% a 22% com a dose de 15 mg. Metade dos participantes perdeu mais de 20% do peso corporal em 72 semanas.
Para comparação, em estudos diretos, a perda média com semaglutida 1 mg foi de 5,7 kg, enquanto com tirzepatida na dose máxima chegou a 11,2 kg.
No Brasil, o Mounjaro foi aprovado pela Anvisa para diabetes tipo 2 em setembro de 2023. A versão específica para obesidade, chamada Zepbound, ainda aguarda aprovação, seguindo o mesmo caminho já percorrido nos Estados Unidos.
A aplicação também é semanal. O preço médio gira em torno de R$ 1.700, valor próximo ao do Wegovy.
Saxenda e Victoza (liraglutida): aplicação diária
A liraglutida representa uma geração anterior dos análogos de GLP-1. O Victoza foi aprovado para diabetes em 2010 e o Saxenda, para obesidade, em 2014.
A eficácia é menor quando comparada às opções mais recentes. Com Saxenda na dose máxima de 3 mg por dia, os estudos mostram uma perda média de cerca de 8,4% do peso corporal em um ano. É um resultado clinicamente relevante, mas inferior ao observado com semaglutida e, principalmente, com tirzepatida.
A principal diferença prática está na frequência de uso. A liraglutida exige aplicação diária, enquanto as opções mais novas são semanais. Algumas pessoas se adaptam bem à rotina diária, enquanto outras preferem a conveniência de uma única aplicação por semana.
O preço do Saxenda gira em torno de R$ 750 por caneta.
Vale destacar que a Novo Nordisk anunciou a descontinuação global do Victoza, com término previsto para o último trimestre de 2025.
Olire e Lirux: os primeiros GLP-1 fabricados no Brasil
O final de 2024 marcou um momento importante para o mercado nacional. A Anvisa aprovou os primeiros análogos de GLP-1 fabricados integralmente no Brasil.
A farmacêutica EMS investiu mais de R$ 1 bilhão em uma planta em Hortolândia, no interior de São Paulo, para produzir liraglutida. O resultado foram o Olire, indicado para obesidade, e o Lirux, para diabetes tipo 2, lançados em agosto de 2025.
O princípio ativo é o mesmo do Saxenda e do Victoza, portanto a eficácia esperada também é semelhante: perda média de 8% a 10% do peso ao longo de seis meses a um ano, com aplicação diária.
O principal diferencial está no preço, entre 10% e 20% menor que o das marcas importadas, e na produção nacional, que tende a melhorar a disponibilidade.
Um ponto de atenção é o dispositivo. Diferente das canetas mais automáticas das versões importadas, o Olire exige cuidado na contagem dos cliques para ajuste da dose. Isso torna a orientação profissional ainda mais importante no início do tratamento.
Comparação de eficácia: qual emagrece mais
Os principais estudos clínicos mostram uma diferença clara de potência entre os medicamentos:
Perda média de peso:
- Tirzepatida 15 mg: 21% a 22% em 72 semanas
- Semaglutida 2,4 mg: 15% a 17% em 68 semanas
- Liraglutida 3 mg: cerca de 8,4% em 52 semanas
- Olire e Lirux: estimativa de 8% a 10% em até 12 meses, com dados ainda limitados
Proporção de pacientes que perderam pelo menos 10% do peso:
- Tirzepatida: 78% a 84%
- Semaglutida: cerca de 70%
- Liraglutida: 40% a 50%
Esses números refletem protocolos de estudos clínicos e não substituem a avaliação médica individual. Na prática, o medicamento mais potente nem sempre é o mais adequado para todas as pessoas.
Eficácia no controle do diabetes tipo 2
Quando o objetivo principal é o controle glicêmico, as diferenças entre os medicamentos são menores.
Todos demonstram reduções importantes da hemoglobina glicada. A tirzepatida reduziu a HbA1c entre 1,8% e 2,4% nos estudos SURPASS. A semaglutida alcançou reduções próximas de 1,9%, e a liraglutida apresenta resultados semelhantes.
Nesses casos, a escolha costuma considerar outros fatores além da eficácia isolada, como tolerabilidade, custo, frequência de aplicação e efeitos adicionais sobre o peso.
Diferenças práticas entre os medicamentos
Frequência de aplicação
Semaglutida e tirzepatida são aplicadas uma vez por semana. Liraglutida, incluindo Olire e Lirux, exige aplicação diária.
Para muitas pessoas, a aplicação semanal facilita a adesão ao tratamento. Outras preferem a previsibilidade da dose diária. Não existe uma escolha universalmente melhor, e sim aquela que se encaixa melhor na rotina de cada paciente.
Preços e acesso no Brasil
Os valores médios praticados hoje são:
- Wegovy: cerca de R$ 1.800 por mês
- Mounjaro: em torno de R$ 1.700
- Ozempic: aproximadamente R$ 1.000
- Saxenda: cerca de R$ 750
- Olire e Lirux: expectativa de 10% a 20% mais baratos que as marcas de referência
A maioria dos planos de saúde não cobre esses medicamentos quando a indicação é apenas emagrecimento.
Um ponto importante é que a patente da semaglutida expirou no Brasil em março de 2025. Mais de dez fabricantes já protocolaram pedidos de registro na Anvisa para versões biossimilares. A tendência é de redução gradual de preços nos próximos anos.
Efeitos colaterais e segurança
Os efeitos colaterais mais comuns são semelhantes entre todos: náusea, diarreia, constipação e vômitos. Em geral, são leves a moderados e tendem a diminuir com o ajuste progressivo da dose.
Um efeito que merece atenção é a perda de massa muscular associada ao emagrecimento. Estudos indicam que entre 20% e 40% do peso perdido pode vir de massa magra. Por isso, é fundamental associar o tratamento a exercícios de força e ingestão adequada de proteínas.
Eventos raros, mas graves, incluem pancreatite, alterações da tireoide e obstrução intestinal. Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide não devem usar esses medicamentos.
No caso da tirzepatida, há evidências de redução da absorção de anticoncepcionais orais. Mulheres que usam Mounjaro devem discutir métodos contraceptivos alternativos com seu médico.
Quando considerar uma alternativa ao Ozempic
Trocar de medicamento pode fazer sentido em algumas situações:
- Dificuldade de encontrar o Ozempic nas farmácias
- Resposta insuficiente após meses de uso adequado
- Efeitos gastrointestinais persistentes
- Custo elevado para uso contínuo
- Preferência por aplicação diária
O que não deve motivar a troca são informações de redes sociais ou indicações informais. Qualquer mudança precisa ser feita com acompanhamento médico.
Cenário brasileiro e novas opções
Com a chegada de fabricantes nacionais e o fim da patente da semaglutida, o mercado brasileiro passa por uma transformação acelerada. Além da EMS, empresas como Hypera, Biomm e Eurofarma aguardam análise da Anvisa.
Ao mesmo tempo, cresce o risco de falsificações. Em 2024, a Anvisa identificou canetas adulteradas sendo vendidas como Ozempic. Comprar apenas em farmácias confiáveis e desconfiar de preços muito abaixo do mercado é essencial.
O que lembrar
Os concorrentes do Ozempic oferecem alternativas reais e eficazes. Mounjaro se destaca pela maior potência, Wegovy traz a semaglutida na dose específica para obesidade, e as opções brasileiras ampliam o acesso com preços mais competitivos.
A melhor escolha depende da sua resposta individual, dos seus objetivos de saúde, do orçamento e, acima de tudo, da orientação médica adequada.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




