Pi-Sunyer X, Astrup A, Fujioka K, et al. Estudo randomizado, controlado, de liraglutida 3,0 mg para controle de peso (SCALE Obesity and Prediabetes). New England Journal of Medicine, 2015;373(1):11-22. https://doi.org/10.1056/NEJMoa1411892
Aviso Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição eA Anvisa publicou no Diário Oficial da União o registro de dois medicamentos genéricos de liraglutida 6 mg/mL, ambos da EMS, em solução injetável para aplicação subcutânea.
Eles serão vendidos pelo nome do princípio ativo, sem marca comercial, em embalagens com um a dez carpules de 3 mL, que são os refis encaixados na caneta aplicadora.
Os dois foram registrados como genéricos clones, por um procedimento simplificado usado pela Anvisa quando o produto tem a mesma composição, o mesmo fabricante, a mesma linha de produção e a mesma documentação de um medicamento já avaliado.
Nesse caso, as matrizes são o Olire e o Lirux, da própria EMS. É a indicação de cada um deles que define a principal diferença entre os novos genéricos.
Liraglutida genérica: uma opção aprovada para obesidade
O genérico vinculado ao Olire mantém a indicação para obesidade. Com esse registro, o Brasil passa a ter um genérico de GLP-1 aprovado especificamente para o tratamento do excesso de peso.
Essa indicação diferencia o medicamento das semaglutidas nacionais aprovadas em 2026. Até agora, todas elas, incluindo genéricos e similares, têm indicação apenas para diabetes tipo 2.
Por isso, quando prescritas para emagrecimento, seu uso é considerado off-label, ou seja, fora das indicações da bula, uma decisão que cabe ao médico, após avaliação individual.
Já o genérico vinculado ao Lirux é indicado para diabetes tipo 2, assim como o medicamento que lhe serviu de matriz. Seu uso é previsto para adultos, adolescentes e crianças a partir dos 10 anos quando dieta e exercício não são suficientes para controlar a glicemia.
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Quanto deve custar?
A EMS não divulgou preço nem data de lançamento. A referência mais próxima são o Olire e o Lirux, que chegaram às farmácias em agosto de 2025 com preços sugeridos a partir de R$ 307,26 por caneta.
A regra da CMED estabelece que o preço de fábrica de um genérico não pode ultrapassar 65% do valor autorizado para o medicamento de referência.
Isso não garante 35% de desconto na farmácia, porque impostos, descontos do laboratório e política comercial de cada rede mudam o valor final.
Na hora de comparar com as canetas semanais, vale olhar o custo por mês, e não por caixa. A liraglutida é de aplicação diária, então o consumo mensal depende da dose prescrita e do número de carpules de cada embalagem.
Liraglutida ou semaglutida: qual a diferença?
As duas pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, mas não são equivalentes. A liraglutida é aplicada todos os dias, enquanto a semaglutida é semanal, diferença que pesa na rotina de quem faz o tratamento.
Os resultados também são diferentes. No estudo SCALE, publicado em 2015 no New England Journal of Medicine, adultos com obesidade que usaram liraglutida 3 mg perderam em média 8,4 kg em 56 semanas, contra 2,8 kg no grupo placebo.
A comparação direta entre as duas moléculas apareceu no STEP 8, publicado em 2022 no JAMA. Em 68 semanas, a perda de peso com semaglutida 2,4 mg foi de 15,8%, contra 6,4% com liraglutida 3 mg.
A liraglutida tem, por outro lado, mais tempo de uso e um extenso conjunto de dados de segurança. No estudo LEADER, com mais de 9 mil pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular, ela reduziu em 13% o risco de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC não fatal.
Como a liraglutida é aplicada?
A aplicação é subcutânea e diária, no abdome, na coxa ou na parte superior do braço, sempre no mesmo horário, o que ajuda a criar rotina. A caneta recebe um carpule, o refil com o medicamento, e a agulha é trocada a cada aplicação.
A dose sobe aos poucos. No tratamento da obesidade, começa em 0,6 mg por dia e sobe a cada semana até 3 mg, ritmo que existe para reduzir enjoo e desconforto abdominal. No diabetes tipo 2, a dose máxima prevista é menor.
Os efeitos colaterais mais comuns são os mesmos da classe, com enjoo, diarreia, prisão de ventre e dor abdominal, em geral mais fortes no início e a cada aumento de dose.
Quem já usa uma caneta semanal costuma estranhar a mudança de ritmo, porque a aplicação diária exige mais organização com o descarte de agulhas e com a conservação. Antes de abrir, os carpules ficam na geladeira, e a regra depois do primeiro uso está na bula de cada produto.
O que muda para quem faz tratamento hoje
Por enquanto, nada. Os genéricos ainda não estão nas farmácias, e quem usa Olire, Lirux, Saxenda ou Victoza segue com o mesmo produto e a mesma receita.
Quando chegarem, a troca continuará dependendo de prescrição. O genérico pode substituir a referência na farmácia quando cumpre os requisitos de intercambialidade, mas a mudança de tratamento é decisão do médico que acompanha o caso.
Também não muda a forma de comprar. A embalagem do genérico traz apenas o nome liraglutida, sem marca, o que costuma gerar dúvida no balcão sobre estar levando o produto certo.
Vale lembrar que os agonistas de GLP-1 só podem ser vendidos com receita retida desde 2025, e que a Anvisa voltou a alertar em fevereiro de 2026 para os riscos do uso sem acompanhamento, incluindo a pancreatite aguda.
O que esperar do mercado
O movimento repete o que já aconteceu com a semaglutida. Em 2026, a Anvisa autorizou uma sequência de canetas nacionais, entre elas Ozivy, Semavy, Semaclique e Yluméc, além dos genéricos, e parte delas ainda não chegou às prateleiras.
O mapa completo dessas versões está no guia sobre o Ozempic genérico.
Com a liraglutida, a concorrência cresce de novo, agora numa molécula cuja patente caiu antes. Quando a EMS lançou o Olire e o Lirux, as vendas totais de liraglutida no país cresceram 154,5% no primeiro mês, o que mostra como o preço trava o acesso.
Para quem trata obesidade, a chegada de um genérico com essa indicação pode ampliar as opções acessíveis, ainda que o resultado esperado com a liraglutida seja menor que o da semaglutida em dose alta. A escolha considera peso inicial, doenças associadas, tolerância, rotina de aplicação e custo.
Liraglutida e semaglutida lado a lado
O que lembrar
- A Anvisa aprovou em 8 de setembro de 2026 os dois primeiros genéricos de liraglutida do país, ambos da EMS.
- Um tem como base o Olire, para obesidade, e o outro o Lirux, para diabetes tipo 2.
- É o primeiro genérico de GLP-1 no Brasil com indicação aprovada para obesidade.
- Preço e data de venda ainda dependem da CMED, e a referência atual parte de R$ 307,26 por caneta.
- A liraglutida é de aplicação diária e teve resultado menor que a semaglutida na comparação direta.
- A venda exige receita retida, e a troca de produto depende de prescrição médica.


