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Genéricos de liraglutida chegam ao Brasil: o que muda

Pela primeira vez, um genérico de GLP-1 no Brasil nasce com indicação aprovada para obesidade. Entenda o que isso significa na prática e o que ainda falta.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 24 de setembro de 2026

Resumo rápido:

Em 8 de setembro de 2026, a Anvisa aprovou os dois primeiros genéricos de liraglutida do país, os dois da EMS, com registros válidos até setembro de 2036. Um deles tem como base o Olire, indicado para obesidade, e o outro o Lirux, para diabetes tipo 2. É a primeira vez que um genérico de GLP-1 no Brasil nasce com indicação aprovada para tratar obesidade, sem depender de prescrição fora da bula. Os produtos ainda não têm preço definido nem data de chegada às farmácias. Pela regra da CMED, o preço de fábrica de um genérico não pode passar de 65% do valor autorizado para o medicamento de referência.

Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para queda capilar deve ser feito somente com prescrição e

A Anvisa publicou no Diário Oficial da União o registro de dois medicamentos genéricos de liraglutida 6 mg/mL, ambos da EMS, em solução injetável para aplicação subcutânea.

Eles serão vendidos pelo nome do princípio ativo, sem marca comercial, em embalagens com um a dez carpules de 3 mL, que são os refis encaixados na caneta aplicadora.

Os dois foram registrados como genéricos clones, por um procedimento simplificado usado pela Anvisa quando o produto tem a mesma composição, o mesmo fabricante, a mesma linha de produção e a mesma documentação de um medicamento já avaliado.

Nesse caso, as matrizes são o Olire e o Lirux, da própria EMS. É a indicação de cada um deles que define a principal diferença entre os novos genéricos.

Liraglutida genérica: uma opção aprovada para obesidade

O genérico vinculado ao Olire mantém a indicação para obesidade. Com esse registro, o Brasil passa a ter um genérico de GLP-1 aprovado especificamente para o tratamento do excesso de peso.

Essa indicação diferencia o medicamento das semaglutidas nacionais aprovadas em 2026. Até agora, todas elas, incluindo genéricos e similares, têm indicação apenas para diabetes tipo 2.

Por isso, quando prescritas para emagrecimento, seu uso é considerado off-label, ou seja, fora das indicações da bula, uma decisão que cabe ao médico, após avaliação individual.

Já o genérico vinculado ao Lirux é indicado para diabetes tipo 2, assim como o medicamento que lhe serviu de matriz. Seu uso é previsto para adultos, adolescentes e crianças a partir dos 10 anos quando dieta e exercício não são suficientes para controlar a glicemia.

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Quanto deve custar?

A EMS não divulgou preço nem data de lançamento. A referência mais próxima são o Olire e o Lirux, que chegaram às farmácias em agosto de 2025 com preços sugeridos a partir de R$ 307,26 por caneta.

A regra da CMED estabelece que o preço de fábrica de um genérico não pode ultrapassar 65% do valor autorizado para o medicamento de referência.

Isso não garante 35% de desconto na farmácia, porque impostos, descontos do laboratório e política comercial de cada rede mudam o valor final.

Na hora de comparar com as canetas semanais, vale olhar o custo por mês, e não por caixa. A liraglutida é de aplicação diária, então o consumo mensal depende da dose prescrita e do número de carpules de cada embalagem.

Liraglutida ou semaglutida: qual a diferença?

As duas pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, mas não são equivalentes. A liraglutida é aplicada todos os dias, enquanto a semaglutida é semanal, diferença que pesa na rotina de quem faz o tratamento.

Os resultados também são diferentes. No estudo SCALE, publicado em 2015 no New England Journal of Medicine, adultos com obesidade que usaram liraglutida 3 mg perderam em média 8,4 kg em 56 semanas, contra 2,8 kg no grupo placebo.

A comparação direta entre as duas moléculas apareceu no STEP 8, publicado em 2022 no JAMA. Em 68 semanas, a perda de peso com semaglutida 2,4 mg foi de 15,8%, contra 6,4% com liraglutida 3 mg.

A liraglutida tem, por outro lado, mais tempo de uso e um extenso conjunto de dados de segurança. No estudo LEADER, com mais de 9 mil pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular, ela reduziu em 13% o risco de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC não fatal.

Como a liraglutida é aplicada?

A aplicação é subcutânea e diária, no abdome, na coxa ou na parte superior do braço, sempre no mesmo horário, o que ajuda a criar rotina. A caneta recebe um carpule, o refil com o medicamento, e a agulha é trocada a cada aplicação.

A dose sobe aos poucos. No tratamento da obesidade, começa em 0,6 mg por dia e sobe a cada semana até 3 mg, ritmo que existe para reduzir enjoo e desconforto abdominal. No diabetes tipo 2, a dose máxima prevista é menor.

Os efeitos colaterais mais comuns são os mesmos da classe, com enjoo, diarreia, prisão de ventre e dor abdominal, em geral mais fortes no início e a cada aumento de dose.

Quem já usa uma caneta semanal costuma estranhar a mudança de ritmo, porque a aplicação diária exige mais organização com o descarte de agulhas e com a conservação. Antes de abrir, os carpules ficam na geladeira, e a regra depois do primeiro uso está na bula de cada produto.

O que muda para quem faz tratamento hoje

Por enquanto, nada. Os genéricos ainda não estão nas farmácias, e quem usa Olire, Lirux, Saxenda ou Victoza segue com o mesmo produto e a mesma receita.

Quando chegarem, a troca continuará dependendo de prescrição. O genérico pode substituir a referência na farmácia quando cumpre os requisitos de intercambialidade, mas a mudança de tratamento é decisão do médico que acompanha o caso.

Também não muda a forma de comprar. A embalagem do genérico traz apenas o nome liraglutida, sem marca, o que costuma gerar dúvida no balcão sobre estar levando o produto certo.

Vale lembrar que os agonistas de GLP-1 só podem ser vendidos com receita retida desde 2025, e que a Anvisa voltou a alertar em fevereiro de 2026 para os riscos do uso sem acompanhamento, incluindo a pancreatite aguda.

O que esperar do mercado

O movimento repete o que já aconteceu com a semaglutida. Em 2026, a Anvisa autorizou uma sequência de canetas nacionais, entre elas Ozivy, Semavy, Semaclique e Yluméc, além dos genéricos, e parte delas ainda não chegou às prateleiras.

O mapa completo dessas versões está no guia sobre o Ozempic genérico.

Com a liraglutida, a concorrência cresce de novo, agora numa molécula cuja patente caiu antes. Quando a EMS lançou o Olire e o Lirux, as vendas totais de liraglutida no país cresceram 154,5% no primeiro mês, o que mostra como o preço trava o acesso.

Para quem trata obesidade, a chegada de um genérico com essa indicação pode ampliar as opções acessíveis, ainda que o resultado esperado com a liraglutida seja menor que o da semaglutida em dose alta. A escolha considera peso inicial, doenças associadas, tolerância, rotina de aplicação e custo.

Liraglutida e semaglutida lado a lado

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Liraglutida
Semaglutida
Aplicação
Diária
Semanal
Perda de peso em estudo direto
15,8% com semaglutida 2,4 mg (STEP 8)
6,4% com liraglutida 3 mg em 68 semanas (STEP 8)
Indicação dos genéricos nacionais
Liraglutida tem genéricos tanto para obesidade quanto para diabetes tipo 2.
Todas as semaglutidas nacionais são só para diabetes tipo 2
Situação nas farmácias
Olire e Lirux à venda desde agosto de 2025
Os genéricos de liraglutida ainda sem preço e sem data.
Preço de referência
A partir de R$ 307,26 por caneta de liraglutida da EMS
R$ 452 a R$ 498 do Ozivy e a partir de R$ 333 do Semavy.

O que lembrar

  • A Anvisa aprovou em 8 de setembro de 2026 os dois primeiros genéricos de liraglutida do país, ambos da EMS.
  • Um tem como base o Olire, para obesidade, e o outro o Lirux, para diabetes tipo 2.
  • É o primeiro genérico de GLP-1 no Brasil com indicação aprovada para obesidade.
  • Preço e data de venda ainda dependem da CMED, e a referência atual parte de R$ 307,26 por caneta.
  • A liraglutida é de aplicação diária e teve resultado menor que a semaglutida na comparação direta.
  • A venda exige receita retida, e a troca de produto depende de prescrição médica.

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Perguntas Frequentes

Referências
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Pi-Sunyer X, Astrup A, Fujioka K, et al. Estudo randomizado, controlado, de liraglutida 3,0 mg para controle de peso (SCALE Obesity and Prediabetes). New England Journal of Medicine, 2015;373(1):11-22. https://doi.org/10.1056/NEJMoa1411892

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Rubino DM, Greenway FL, Khalid U, et al. Efeito da semaglutida semanal versus liraglutida diária sobre o peso corporal em adultos com sobrepeso ou obesidade sem diabetes (STEP 8). JAMA, 2022;327(2):138-150. https://doi.org/10.1001/jama.2021.23619

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Marso SP, Daniels GH, Brown-Frandsen K, et al. Liraglutida e desfechos cardiovasculares em diabetes tipo 2 (LEADER). New England Journal of Medicine, 2016;375(4):311-322. https://doi.org/10.1056/NEJMoa1603827

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