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Liraglutida: o que é, como funciona e quais os resultados para emagrecer

Do controle do apetite aos resultados de perda de peso: entenda o que os estudos mostram e qual é a diferença entre Saxenda, Victoza e outros GLP-1.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 6 min
Atualizado em 21 de agosto de 2026

Resumo rápido

  • A liraglutida é um análogo do GLP-1 aprovado pela Anvisa para obesidade na dose de 3,0 mg (Saxenda) e para diabetes tipo 2 na dose de 1,8 mg (Victoza).
  • Ela reduz o apetite no cérebro, retarda o esvaziamento do estômago e regula a liberação de insulina.
  • Nos estudos SCALE, a perda média foi de 8,0% do peso corporal em 56 semanas, contra 2,6% com placebo.
  • Cerca de 63% dos participantes perderam ao menos 5% do peso, e 33% perderam mais de 10%.
  • No estudo STEP 8, a semaglutida 2,4 mg levou a perda de 15,8% contra 6,4% da liraglutida em 68 semanas.

Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

A liraglutida é um medicamento que imita a ação do GLP-1, hormônio produzido pelo intestino após as refeições e que participa do controle da fome e da saciedade.

Na obesidade, esses mecanismos podem favorecer o retorno da fome mesmo após uma refeição, e é nesse contexto que atuam os agonistas do receptor de GLP-1.

Aprovada pela Anvisa na dose de 3,0 mg para obesidade, sob o nome Saxenda, a liraglutida também é usada em doses menores no tratamento do diabetes tipo 2, como Victoza. Foi a primeira molécula da classe utilizada para tratar obesidade no Brasil e já acumula mais de uma década de uso clínico.

No programa de estudos SCALE, um ensaio de 56 semanas feito em 2015, a perda média foi de 8,0% do peso corporal com liraglutida 3,0 mg, contra 2,6% com placebo.

É uma média, mas ajuda a dimensionar o efeito observado nos estudos e a entender como o medicamento atua no organismo.

Nomes comerciais da liraglutida

Desenvolvida inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, a liraglutida passou a chamar atenção durante os ensaios clínicos pelo efeito consistente sobre o peso.

A partir desses resultados, foi desenvolvida uma apresentação de 3,0 mg especificamente para o tratamento da obesidade. A molécula pertence à mesma classe dos demais agonistas de GLP-1, mas tem características próprias de duração e potência.

No Brasil, ela é encontrada em duas apresentações, com indicações diferentes: Saxenda, com 3,0 mg em dose diária, para obesidade e sobrepeso associado a comorbidades, e Victoza, com 1,8 mg em dose diária, para diabetes tipo 2.

As doses refletem objetivos terapêuticos diferentes e, por isso, as duas apresentações não são intercambiáveis.

Como a liraglutida funciona no organismo

A liraglutida imita a ação do GLP-1 natural e atua em três frentes complementares. No hipotálamo, região do cérebro que regula fome e saciedade, ela sinaliza que houve alimento suficiente e reduz a vontade de comer.

No estômago, retarda o esvaziamento gástrico e prolonga a sensação de plenitude depois das refeições. No pâncreas, estimula a liberação de insulina quando a glicose está elevada e inibe a secreção de glucagon, o que ajuda a estabilizar a glicemia ao longo do dia.

O resultado dessa combinação é que a pessoa consome menos calorias sem depender de uma restrição alimentar agressiva, que costuma ser difícil de sustentar por muito tempo.

O medicamento não substitui a alimentação equilibrada nem a atividade física, e funciona como um suporte fisiológico que torna a adesão a essas mudanças mais viável.

Nos estudos, todos os participantes que receberam liraglutida também seguiram orientação de dieta e exercício, o que significa que os resultados descritos refletem a combinação das duas coisas.

Para quem a liraglutida é indicada

De acordo com a bula aprovada pela Anvisa, a liraglutida 3,0 mg é indicada para:

  • Adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m², faixa que caracteriza obesidade;
  • Adultos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² acompanhado de pelo menos uma comorbidade, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, dislipidemia ou apneia do sono.

A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como doença crônica, e o tratamento medicamentoso integra uma estratégia mais ampla e tem critérios diferentes para sobrepeso e obesidade.

A definição da indicação envolve histórico clínico, exames e avaliação de riscos individuais, e cabe ao médico. A liraglutida é um tratamento para uma condição crônica que exige acompanhamento contínuo, não um recurso para emagrecimento rápido ou estético.

Quem não deve usar

A liraglutida é contraindicada para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, para quem tem neoplasia endócrina múltipla tipo 2 e para casos de hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer componente da fórmula.

O medicamento também não é recomendado durante a gravidez e a amamentação, nem para menores de 18 anos, por ausência de estudos de segurança nessas populações.

Situações que envolvem doença renal ou hepática grave, assim como histórico de pancreatite, exigem avaliação individualizada, porque pedem cautela e monitoramento e não excluem automaticamente o tratamento.

Resultados clínicos: o que mostram os estudos

O programa SCALE

O programa SCALE reúne o conjunto mais abrangente de evidências sobre a liraglutida 3,0 mg.

No principal ensaio, 3.731 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades receberam liraglutida ou placebo por 56 semanas. Todos também seguiram orientações sobre alimentação e atividade física.

A perda média foi de 8,0% do peso corporal com liraglutida, contra 2,6% com placebo. Cerca de 63% dos participantes que receberam o medicamento perderam pelo menos 5% do peso, enquanto 33% perderam mais de 10%. Ou seja, os resultados variaram entre as pessoas: aproximadamente 37% não chegaram a perder 5% do peso.

Além da média de 8,0% contra 2,6%, o estudo mostrou que cerca de 63% dos participantes tratados perderam ao menos 5% do peso corporal e 33% perderam mais de 10%, o que significa que aproximadamente um terço não alcançou a marca de 5%.

(doi.org/10.1001/jama.2015.9676). (doi.org/10.1038/ijo.2013.120).

O SCALE Diabetes avaliou a mesma dose em pessoas com diabetes tipo 2 e encontrou uma perda média de 6,0% do peso, contra 2,0% com placebo.

Já o SCALE Maintenance analisou outro momento do tratamento: pessoas que já haviam perdido peso após uma dieta de baixas calorias. Nesse grupo, quem continuou usando liraglutida teve menos reganho de peso do que quem recebeu placebo.

Comparação com a semaglutida

Uma das dúvidas mais frequentes de quem pesquisa tratamentos para obesidade é a diferença entre liraglutida e semaglutida.

O estudo STEP 8, publicado no JAMA em 2022, comparou diretamente liraglutida e semaglutida em adultos com obesidade ou sobrepeso, sem diabetes, durante 68 semanas. A perda média foi de 15,8% do peso corporal com semaglutida 2,4 mg e 6,4% com liraglutida 3,0 mg.

Parte dessa diferença está relacionada às características de cada molécula. A semaglutida permanece mais tempo no organismo, permitindo uma aplicação semanal e uma ação mais prolongada. A liraglutida, por sua vez, precisa ser aplicada diariamente.

Isso não significa que a liraglutida deixe de ter efeito: uma perda média de 6,4% em 68 semanas representa uma redução de peso clinicamente relevante.

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Efeitos colaterais e precauções

Os efeitos adversos da liraglutida, assim como de outros medicamentos GLP-1, são principalmente gastrointestinais. Náusea, vômito, diarreia, constipação e dor abdominal estão entre os mais comuns.

Em geral, aparecem com mais intensidade no início do tratamento e tendem a diminuir com o tempo. O aumento gradual da dose, feito ao longo das primeiras semanas até chegar a 3,0 mg, ajuda a melhorar a tolerabilidade.

Alguns eventos, embora menos frequentes, exigem atenção. A pancreatite aguda é rara, mas está descrita nas informações de segurança do medicamento. Por isso, dor abdominal intensa e persistente deve ser avaliada rapidamente por um médico, especialmente em quem já teve pancreatite.

Doenças da vesícula biliar e aumento da frequência cardíaca também estão entre os eventos que podem ocorrer durante o tratamento. Já o alerta para carcinoma medular de tireoide surgiu após estudos em roedores e fundamenta a contraindicação para pessoas com histórico pessoal ou familiar dessa doença.

O acompanhamento médico permite ajustar a dose, avaliar a resposta ao tratamento e investigar possíveis efeitos adversos. A liraglutida não deve ser usada durante a gravidez; por isso, mulheres que podem engravidar devem conversar com o médico sobre contracepção durante o tratamento.

Diferenças entre Saxenda e Victoza

Saxenda e Victoza contêm o mesmo princípio ativo em doses e indicações diferentes.

Enquanto o Saxenda usa 3,0 mg por dia, é aprovado para obesidade e exige escalonamento progressivo até a dose máxima; o Victoza usa 1,8 mg por dia, é aprovado para diabetes tipo 2 e não tem indicação para emagrecimento.

A diferença de dose acompanha o que os ensaios mostraram, porque 1,8 mg não produziu perda de peso significativa, enquanto 3,0 mg foi a dose necessária para alcançar os resultados documentados no programa SCALE.

Usar Victoza com objetivo de emagrecer significa usar uma dose abaixo da terapêutica para essa finalidade, o que não é recomendado e desperdiça tempo de tratamento.

Onde a liraglutida se encaixa hoje

A liraglutida ocupa um lugar específico entre os tratamentos disponíveis hoje. Ela entrega menos perda de peso que a semaglutida, e ao mesmo tempo acumula mais de uma década de uso clínico, com evidência ampla sobre segurança e sobre manutenção do resultado depois que ele é alcançado.

Essa combinação faz dela uma opção que segue válida, sobretudo quando o histórico clínico da pessoa aponta nessa direção.

O que atravessa todo o tratamento é que a obesidade é uma condição crônica, e os 8,0% registrados no programa SCALE descrevem uma média de pessoas que também mudaram alimentação e rotina de atividade física ao longo de 56 semanas.

O medicamento facilita essa mudança ao devolver ao corpo um sinal de saciedade que estava enfraquecido, e a decisão sobre qual molécula usar, em que dose e por quanto tempo pertence à avaliação médica, feita com histórico e exames em mãos.

O que lembrar

  • A liraglutida é um agonista de GLP-1 aprovado pela Anvisa para obesidade, como Saxenda 3,0 mg, e para diabetes tipo 2, como Victoza 1,8 mg.
  • Ela age em três frentes complementares, reduzindo o apetite, retardando o esvaziamento gástrico e regulando a liberação de insulina.
  • No programa SCALE, a perda média foi de 8,0% do peso em 56 semanas, com 63% dos participantes perdendo ao menos 5% e 33% perdendo mais de 10%.
  • No STEP 8, a semaglutida 2,4 mg levou a perda de 15,8% contra 6,4% da liraglutida, o que reflete a maior potência da molécula mais recente.
  • A aplicação é diária e a dose sobe de forma gradual ao longo de quatro a seis semanas, período em que os efeitos gastrointestinais são mais comuns.
  • O tratamento exige prescrição, acompanhamento contínuo e mudanças de estilo de vida para alcançar os melhores resultados.

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