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Ozivy é genérico do Ozempic? Entenda as diferenças

Por que Ozivy e Ozempic seguem caminhos regulatórios diferentes, mesmo tendo o mesmo princípio ativo.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 15 de setembro de 2026

Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.


O Ozivy é um medicamento à base de semaglutida que segue uma categoria regulatória diferente da do Ozempic. Embora os dois tenham o mesmo princípio ativo, o Ozivy é produzido por síntese química, enquanto o Ozempic é um medicamento biológico.

No Brasil, essa diferença de origem determina como cada produto pode ser desenvolvido, registrado e classificado pela Anvisa. Por isso, o Ozivy não é um genérico do Ozempic. A legislação brasileira não prevê medicamentos genéricos para produtos biológicos.

No caso da semaglutida, isso significa que o Ozivy pode servir como medicamento de referência para versões genéricas e similares produzidas pela mesma via sintética, sem ser um genérico do Ozempic.

A aprovação do Ozivy e o que veio depois

A Anvisa publicou o registro do Ozivy em 26 de maio de 2026, por meio da Resolução 2.122/2026 no Diário Oficial da União. Foi a primeira semaglutida de origem nacional autorizada no país depois que a patente da Novo Nordisk expirou, em 20 de março do mesmo ano.

O pedido havia sido apresentado pela EMS ainda em 2023, antes do fim da proteção patentária, e passou por avaliação técnica de eficácia, segurança e qualidade.

O Ozivy não ficou sozinho por muito tempo. Em 29 de julho de 2026, a Anvisa aprovou outras cinco semaglutidas sintéticas para diabetes tipo 2, chamadas Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema, todas pela mesma via regulatória abreviada. Dessas, o Semavy, comercializado pela Mantecorp, foi o primeiro a chegar às farmácias, em 4 de setembro de 2026.

Em agosto, o mercado ganhou também os dois primeiros genéricos e os dois primeiros similares de semaglutida do país, todos com o Ozivy como referência. Os preços e a disponibilidade de cada uma dessas versões estão reunidos no nosso guia sobre o genérico de semaglutida no Brasil.

Nada disso, porém, transforma o Ozivy em um genérico do Ozempic. Para entender por que os dois seguem categorias diferentes mesmo tendo a mesma molécula, vale começar pelo que a palavra genérico significa dentro da regulação brasileira.

O que é um genérico na regulação brasileira

Um medicamento genérico é uma cópia química idêntica ao original, com a mesma molécula, a mesma concentração e a mesma forma farmacêutica.

Para ser aprovado, precisa comprovar bioequivalência, ou seja, demonstrar que o organismo o absorve da mesma maneira e na mesma velocidade que absorve o medicamento de referência.

Em remédios de moléculas pequenas e bem conhecidas, como boa parte dos antibióticos e dos anti-hipertensivos, esse processo é relativamente simples.

Com a semaglutida, o caminho muda. Ela é uma molécula grande e complexa, e a forma como cada fabricante a produz altera o tipo de comprovação que a Anvisa exige.

É daí que nasce a divisão entre semaglutida biológica e semaglutida sintética, que está no centro de toda a confusão sobre o Ozivy.

Semaglutida biológica e semaglutida sintética

Ozempic e Wegovy usam a versão biológica da semaglutida. A molécula é produzida por células vivas modificadas em laboratório, que funcionam como pequenas fábricas do princípio ativo.

O processo é complexo e altamente controlado, e pequenas variações no cultivo celular podem alterar o produto final, o que torna difícil reproduzi-lo de forma idêntica.

Por causa disso, no Brasil esse tipo de medicamento não admite genérico. Quando surge um concorrente de um biológico, ele segue a rota dos biossimilares, que exige estudos comparativos próprios para demonstrar equivalência ao original. É uma via mais longa, mais cara e com exigências específicas de comparabilidade.

O Ozivy segue outra lógica. Sua semaglutida é sintética, construída por processos químicos em laboratório, sem uso de células vivas. Isso permite um caminho regulatório diferente, chamado desenvolvimento abreviado, previsto para medicamentos novos baseados em substâncias já conhecidas.

O nível de exigência da Anvisa continua alto, e o que muda é o tipo de estudo necessário para comprovar qualidade, eficácia e segurança.

Características
Semaglutida biológica (Ozempic, Wegovy)
Semaglutida sintética (Ozivy)
Exemplo no Brasil
Ozempic, Wegovy, Extensior, Poviztra
Ozivy, Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy, Orsema
Como é produzida
Por biotecnologia, com DNA recombinante e células vivas
Por síntese química em laboratório.
Categoria regulatória na Anvisa
Medicamento biológico
Medicamento novo por desenvolvimento abreviado.
Pode ter genérico?
Não, o caminho previsto é o do biossimilar.
Sim, o primeiro foi registrado em agosto de 2026.

Uma observação sobre a tabela. O Extensior e o Poviztra são a semaglutida biológica original da Novo Nordisk, produzida por ela e distribuída no Brasil pela Eurofarma desde outubro de 2025.

O Extensior corresponde ao Ozempic, com indicação para diabetes tipo 2, e o Poviztra corresponde ao Wegovy, para obesidade e sobrepeso com comorbidades. Não são concorrentes independentes, e sim marcas adicionais do mesmo fabricante.

Por que o Ozivy virou medicamento de referência

Em 10 de julho de 2026, a Anvisa incluiu o Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência. A inclusão não funciona como uma nova aprovação. Ela define o Ozivy como padrão oficial de comparação para os próximos produtos de semaglutida sintética, o que abre a possibilidade de alguém registrar um genérico usando o Ozivy como base.

O Ozempic não entra nessa lista, porque medicamentos biológicos não admitem cópia idêntica na regulação brasileira. O Ozivy, por ser sintético, admite reprodução idêntica do ponto de vista regulatório, com bioequivalência comprovada por estudo. Foi essa diferença de categoria que destravou o caminho para o genérico.

O resultado apareceu em pouco mais de um mês. Em 17 de agosto de 2026, a Anvisa registrou a primeira semaglutida genérica do Brasil, da EMS, e o primeiro similar, o Semaclique, da Germed. Na sequência vieram o genérico da Germed, em 24 de agosto, e o Yluméc, segundo similar e também da EMS, em 31 de agosto.

Os dois herdam do Ozivy a indicação aprovada, que é o diabetes tipo 2, e o genérico carrega ainda a obrigação legal de custar no mínimo 35% menos que sua referência.

Pela Lei 9.787/1999, ele também chega às farmácias sem nome de marca, identificado apenas como semaglutida. Os valores praticados e a data de chegada dependem da CMED, e acompanhamos essa parte no guia de preços.

O que essa diferença muda para quem usa

Na prática, as duas versões agem da mesma forma no organismo, porque o efeito da semaglutida depende da estrutura da molécula, que é a mesma nos dois casos. A escolha entre uma e outra passa por indicação aprovada, disponibilidade, preço e avaliação médica, e não por uma diferença de mecanismo.

Antes de conceder o registro, a Anvisa exigiu da EMS comprovação de qualidade, eficácia e segurança, incluindo estudos de imunogenicidade, que avaliam se o organismo pode produzir anticorpos contra o medicamento, além de controle de impurezas do processo produtivo e métodos de análise molecular.

Os genéricos, o Semaclique e o Yluméc precisaram, por sua vez, comprovar equivalência ao Ozivy. É esse conjunto de exigências que separa um produto registrado de versões manipuladas ou compradas sem registro sanitário.

Existe ainda uma diferença prática de conservação entre as versões, descrita nas bulas aprovadas de cada produto, e ela pesa na rotina de quem aplica em casa.

Conferir a bula da própria caixa continua sendo a orientação mais segura, e qualquer troca de medicamento durante um tratamento em curso deve passar pelo médico que acompanha o caso.

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O Ozivy serve para emagrecer?

A Anvisa concedeu o registro do Ozivy para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, a mesma indicação aprovada para o Ozempic. Os dois genéricos, o Semaclique e o Yluméc herdaram essa indicação da referência, e nenhum deles tem aprovação para obesidade no Brasil.

Isso não impede automaticamente o uso com finalidade de emagrecimento. Um médico pode prescrever um medicamento fora da indicação aprovada, no chamado uso off-label, situação em que a decisão e a responsabilidade clínica são dele, avaliando benefícios e riscos de cada paciente.

As doses aprovadas para diabetes também são diferentes das usadas no tratamento da obesidade, motivo pelo qual o Ozivy não deve ser tratado como equivalente ao Wegovy apenas porque os dois contêm semaglutida.

Esse ponto está detalhado em Ozivy e Wegovy: por que a mesma semaglutida tem indicações diferentes.

Para quem procura um tratamento aprovado especificamente para obesidade, as opções registradas no Brasil incluem o Wegovy e o Mounjaro, ambos dentro da classe dos medicamentos GLP-1 usados em diabetes e obesidade.

O que esperar do mercado de semaglutida

Ozivy e Ozempic compartilham a mesma molécula sem serem equivalentes do ponto de vista regulatório. A diferença começa na forma de produção e define todo o resto, do tipo de aprovação ao que pode ou não existir como cópia no mercado.

O que aconteceu em agosto ilustra isso de maneira quase didática, já que o primeiro genérico de semaglutida do país nasceu do Ozivy justamente porque o Ozempic não podia gerá-lo.

A tendência é que a lista de versões sintéticas continue crescendo, com mais registros em análise na Anvisa. Para quem usa ou considera o tratamento, porém, o essencial permanece o mesmo.

A escolha do medicamento passa por avaliação médica, que leva em conta indicação aprovada, histórico clínico, tolerância e acompanhamento ao longo do uso.

O que lembrar:

  • O Ozivy não é um genérico do Ozempic. Ele é semaglutida sintética, com via regulatória distinta da semaglutida biológica.
  • Genéricos tradicionais não existem para medicamentos biológicos no Brasil. Para o Ozempic, o caminho previsto seria o do biossimilar.
  • As duas versões têm o mesmo mecanismo de ação, e ambas passaram pelas exigências de eficácia e segurança da Anvisa.
  • O registro do Ozivy foi concedido em 26 de maio de 2026, para diabetes tipo 2.
  • Em julho de 2026, o Ozivy entrou na Lista de Medicamentos de Referência, o que abriu caminho para genéricos de semaglutida sintética.
  • Em agosto de 2026, a Anvisa registrou os dois primeiros genéricos do país (EMS e Germed) e os dois primeiros similares, o Semaclique (Germed) e o Yluméc (EMS), todos com o Ozivy como referência.
  • Para obesidade, o Wegovy e o Mounjaro seguem sendo as opções aprovadas no Brasil.

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