
Aviso Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
O Ozivy não é um genérico do Ozempic. Embora os dois usem semaglutida, eles são medicamentos de naturezas diferentes: o Ozempic é biológico, enquanto o Ozivy é produzido por síntese química. Essa diferença determina caminhos regulatórios distintos no Brasil.
A legislação brasileira não prevê medicamentos genéricos para produtos biológicos, por isso o Ozempic não pode ter um genérico.
Já em julho de 2026, o Ozivy entrou na Lista de Medicamentos de Referência e passou a ser o padrão de comparação para a semaglutida sintética.
Foi com base nessa referência que, em 17 de agosto de 2026, a Anvisa registrou o primeiro genérico de semaglutida do país, da EMS, e o primeiro similar, o Semaclique, da Germed.
A aprovação do Ozivy pela Anvisa
A Anvisa publicou o registro do Ozivy em 26 de maio de 2026, por meio da Resolução 2.122/2026 no Diário Oficial da União. Trata-se da primeira semaglutida de origem nacional autorizada no país desde a expiração da patente da Novo Nordisk, em 20 de março.
Desenvolvido e fabricado pela EMS, o medicamento teve seu pedido de registro apresentado ainda em 2023, antes mesmo do fim da patente, e passou por avaliação técnica de eficácia, segurança e qualidade.
O Ozivy não ficou sozinho por muito tempo. Em 29 de julho de 2026, a Anvisa aprovou mais cinco medicamentos de semaglutida sintética para diabetes tipo 2 (Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema), todos pela mesma via de desenvolvimento abreviado do Ozivy.
Ou seja, o Ozivy foi o primeiro, mas a concorrência nacional já é uma realidade. Para o cenário de preços e de disponibilidade das diferentes versões, veja preços do genérico no Brasil.
O que é um genérico de verdade
Um medicamento genérico é uma cópia química idêntica ao original: mesma molécula, mesma concentração, mesma forma farmacêutica. Para ser aprovado, precisa comprovar bioequivalência, ou seja, que é absorvido pelo organismo da mesma forma e na mesma velocidade que o medicamento de referência.
O genérico de medicamentos com moléculas pequenas e simples, como antibióticos ou anti-hipertensivos comuns tem um processo relativamente simples. Mas no caso da semaglutida, o caminho é mais complexo.
Semaglutida biológica e sintética: qual é a diferença
Ozempic e Wegovy usam uma versão "biológica" da semaglutida. Na prática, isso significa que a molécula é produzida por células vivas modificadas em laboratório, como se fossem pequenas fábricas que fabricam o medicamento. É um processo complexo, altamente controlado e muito difícil de copiar de forma idêntica.
Por isso, no Brasil, esse tipo de remédio não tem genérico. Em vez disso, quando surge um concorrente, ele precisa seguir o caminho dos chamados biossimilares, que passam por estudos comparativos rigorosos para mostrar que funcionam de forma equivalente ao original.
Já o Ozivy segue outra lógica. Ele usa semaglutida sintética, feita totalmente por processos químicos em laboratório, sem uso de células vivas. Isso permite um caminho regulatório diferente, chamado desenvolvimento abreviado, usado para medicamentos novos baseados em substâncias já conhecidas.
Mesmo com essa via mais curta, a Anvisa continua exigindo provas de qualidade, eficácia e segurança. O que muda não é o nível de exigência, mas o tipo de estudo necessário para aprovação.
Uma observação sobre a tabela: o Extensior e o Poviztra são a semaglutida biológica original da Novo Nordisk, produzida por ela e distribuída no Brasil pela Eurofarma desde outubro de 2025.
O Extensior corresponde ao Ozempic, com indicação para diabetes tipo 2, e o Poviztra corresponde ao Wegovy, para obesidade e sobrepeso com comorbidades. Não são concorrentes independentes, e sim marcas adicionais do mesmo fabricante.
A virada: o Ozivy virou medicamento de referência
Em 10 de julho de 2026, a Anvisa incluiu o Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência. Isso não é uma nova aprovação, e sim um passo técnico importante: o Ozivy passa a ser o padrão oficial usado para comparar futuros medicamentos.
Na prática, isso abriu um caminho que antes não existia. O Ozempic não entra nessa lista porque é um medicamento biológico, que não admite cópia idêntica. Já o Ozivy, por ser sintético, permite replicação exata.
O resultado apareceu em pouco mais de um mês. O Brasil passou a ter genéricos de semaglutida, mas baseados no Ozivy, e não no Ozempic.
O primeiro genérico de semaglutida do Brasil é genérico do Ozivy
A Anvisa decidiu em 13 de agosto de 2026 e publicou no Diário Oficial da União no dia 17 o registro da primeira semaglutida genérica do país, da EMS, e do primeiro medicamento similar, o Semaclique, da Germed.
Os dois têm o Ozivy como referência e herdam dele a indicação aprovada, o diabetes tipo 2.
Para não ter confusão: o genérico não tem nome de marca. Pela Lei 9.787/1999, ele é vendido apenas pelo nome do princípio ativo, então o produto da EMS chegará identificado como semaglutida, com a marcação de genérico na embalagem. O Semaclique, por ser um similar, pode ter nome comercial.
Entendendo a concorrência
Vale um dado que ajuda a dimensionar a concorrência real: a Germed pertence ao mesmo conglomerado da EMS. O medicamento de referência, o primeiro genérico e o primeiro similar saíram todos do mesmo grupo farmacêutico.
A diferença prática está no preço. Como medicamento novo, o Ozivy não tinha obrigação legal de desconto sobre o Ozempic. O genérico tem: precisa custar no mínimo 35% menos que o Ozivy, que é sua referência.
Foram aprovadas quatro apresentações, todas com 1,34 mg/mL, e os registros valem por 24 meses. Preço e data de chegada às farmácias ainda dependem da CMED, como explicamos em preços da semaglutida no Brasil.
O que isso muda na prática para quem usa
As versões agem da mesma forma no organismo, porque o mecanismo de ação da semaglutida é determinado pela estrutura da molécula, não pelo processo de fabricação.
A semaglutida sintética é produzida de forma mais previsível, sem a variabilidade inerente aos processos que envolvem células vivas.
A Anvisa exigiu da EMS comprovação de qualidade, eficácia e segurança antes de conceder o registro, incluindo estudos de imunogenicidade, que avaliam se o organismo pode produzir anticorpos contra o medicamento, controle de impurezas do processo produtivo e métodos de análise molecular.
É isso que separa o Ozivy de produtos manipulados ou sem registro. O genérico e o Semaclique, por sua vez, precisaram comprovar equivalência ao Ozivy.
Há uma diferença prática de conservação que vale conhecer: o Ozivy precisa ser mantido refrigerado entre 2°C e 8°C antes e depois de aberto, enquanto o Ozempic admite permanência em temperatura ambiente por período determinado após o início do uso.
Confira sempre a bula da sua caixa, e converse com o médico antes de qualquer troca de medicamento em tratamento em curso.
O Ozivy serve para emagrecer?
A Anvisa concedeu o registro do Ozivy para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, a mesma indicação aprovada para o Ozempic. O mesmo vale para o genérico de semaglutida da EMS e para o Semaclique, da Germed.
Isso não impede necessariamente seu uso para emagrecimento. Um médico pode prescrever um medicamento para uma finalidade diferente daquela aprovada pela Anvisa, é o chamado uso off-label.
Nesses casos, porém, a indicação não consta na bula e a decisão cabe ao médico, que deve avaliar os benefícios e os riscos para cada paciente.
Aprovação da Anvisa
Para obter uma indicação específica para obesidade, a empresa precisaria apresentar à Anvisa um processo de registro para essa finalidade, apoiado por estudos que comprovem a eficácia e a segurança do medicamento nas doses estudadas para perda de peso.
As doses aprovadas do Ozivy chegam a 1 mg por semana, enquanto a dose de manutenção do Wegovy para controle do peso é de 2,4 mg por semana. Por isso, o Ozivy não deve ser tratado como equivalente ao Wegovy para emagrecimento apenas porque os dois contêm semaglutida.
Para quem busca um tratamento aprovado especificamente para obesidade, as opções incluem medicamentos como Wegovy e Mounjaro. Veja o comparativo entre as duas opções.
O que esperar do mercado de semaglutida
Para fechar, vale voltar ao ponto central: Ozivy e Ozempic compartilham a mesma molécula, mas não são equivalentes do ponto de vista regulatório. Essa diferença, que começa na forma de produção, é o que define todo o resto, desde o tipo de aprovação até o que pode ou não existir como cópia no mercado.
O que aconteceu em agosto confirma isso de um jeito quase didático. O Brasil ganhou seu primeiro genérico de semaglutida, e ele nasceu do Ozivy justamente porque o Ozempic não podia gerá-lo.
Para quem usa ou considera o tratamento, o mais importante não muda: qualquer escolha deve passar por avaliação médica, levando em conta indicação, segurança e acompanhamento ao longo do uso.
O que lembrar:
- O Ozivy não é um genérico do Ozempic: é semaglutida sintética, com via regulatória distinta da semaglutida biológica.
- Genéricos tradicionais não existem para medicamentos biológicos no Brasil. Para o Ozempic, o caminho seria o do biossimilar, mais exigente.
- As duas versões têm o mesmo mecanismo de ação, e ambas passaram pelas exigências de eficácia e segurança da Anvisa.
- O registro do Ozivy foi concedido em 26 de maio de 2026 para diabetes tipo 2.
- Em julho de 2026, o Ozivy entrou na Lista de Medicamentos de Referência, o que abriu caminho para genéricos da semaglutida sintética.
- Em 17 de agosto de 2026, a Anvisa registrou o primeiro genérico de semaglutida do país (EMS) e o primeiro similar, o Semaclique (Germed), ambos com o Ozivy como referência. O genérico não tem nome de marca e deve custar no mínimo 35% menos que o Ozivy.
- Para obesidade, o Wegovy e o Mounjaro seguem sendo as opções aprovadas no Brasil.



