Hormônio GLP-1: o que é e como funciona

Entenda o hormônio GLP-1 produzido pelo intestino e como medicamentos para diabetes e obesidade conseguem reproduzí-lo

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 21 de janeiro de 2026
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍ ‌​‍‌‍‍‌‌‍‌‌‍‍‌‌‍‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‍‌‍‍‌‌‍ ​‍​‍​‍​​‍​‍‌‍‍​‌​‍‌‍‌‌‌‍‌‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌‍‍​‌‌​‌‌​‌​​‌​​‍‍​‍​‍ ‌‍‌‌‍​‌‌‍‍‌‌‌‌‍​‌‌‍​​‍‌‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‌‌​‌‌​‌‌‌‌‍‌​‌‍‍‌‌‍ ​‍‍‌‌‍‌‍‌‌‌​‍‌‍​‌‍‌‌‌‍​​‍‍‌‍​‌‌​​‌​​​‍ ‌‍‍‌‌‍‍‌‌​‌‍‌‌‌‍‍‌‌​​‍ ‌‍‌‌‌‍‌​‌‍‍‌‌‌‌‍‌‌‍ ‌‍‌​‌‍‌‌​ ‌‌​​‌​‍‌‍‌‌‌​‌‍‌‌‌‍‍‌‌​‌‍​‌‌‌​‌‍‍‌‌‍ ‌‍‍​‍‌‍‍‌‌‍‌​​ ‌‌‍‌​​​‌​‍​​‌‌‌‍‌‍​‍‌‌‍‌‌​‌‍​‍‌​​‌​‌​‌‍‌​​‌‌​‍‌​‌​‌‍‌‌​‌‌‍​​‍‌‌‍​‌​‍​​​‍​​‍​‍‌​​‍​‌​‍‌​‌‍​‌​​​‌‌‍‌‍‌‍​​‌‌​​‌​​​​​‍‌‌​‌‍‌‌​​‌‍‌‌​ ‌‌‌‌‍‌‍ ‌‍‌‌​​‍‌​‍‌‌‌‌‍‌‌‌‍​‍​‍‌‌‍​‍‌‍​‌‍ ‌‍‌​‍‌‌‍​‌‌​‍‌‌​‌‍‍‌‌‍​‌‍​‌‍‌‌​‍‌‌​​‌‍​‌‌‍‌‌‍‌‌​‍‌​​‌‍​‌‌‌​‌‍‍​​ ‌‌‍​‌‍ ‌‍‌‌​​‌‍ ‌​‌‍‍‌‌‌​‌‍‍‌‌‍ ‌‍‍‌​​‍‌‌​‌‌‌​​‍‌‌ ‌‍‍‌‍‌‌‌‍‌​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‍​​‍​​‌‍‌​​​‍​​​​‌‍​‍​​​​​​​​‍​‌‍​‍‌‌‍‌‌​‍‌‌​​‍​​‍​‍‌‌​‌‌‌​‌​​‍‍‌‍​‌‍ ‌‍‍‌‌​‌‍‌‌‌‍‍‌‌​​‍‌‌​‌‌‌​​‍‌‌ ‌‍‍‌‍‌‌‌‍‌​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‌​‌​​‍‌‌​​‍​​‍‌‍​‍‌‍​‍‌‍​‌‍​‌​​​‌‍‌‍​​‍‌‍‌‌‌‍​‌‍​‌​​‍​​‍​‍‌‌​​‍​​‍​‍‌‌​‌‌‌​‌​​‍‍‌‍‌​‌‍‌‌‌​‌‍​‌​‍‌‍‍‌‌​​‌‌​‌‍‍‌‌‍

Você provavelmente já ouviu falar em Ozempic, Wegovy, Saxenda ou Mounjaro. Esses nomes deixaram de circular só em consultórios médicos e passaram a fazer parte das conversas sobre emagrecimento, diabetes e saúde no dia a dia.

O que pouca gente sabe é que todos esses remédios têm uma coisa em comum: eles imitam um hormônio que o seu próprio corpo já produz, chamado GLP-1. Entender o que é esse hormônio ajuda a separar fato de exagero, e explica por que esses tratamentos precisam de receita e acompanhamento médico.

O que é o hormônio GLP-1

GLP-1 é a sigla, em inglês, para um hormônio produzido no intestino toda vez que você come. Ele funciona como um regulador natural do corpo logo depois da refeição, ajudando a lidar melhor com o alimento que acabou de entrar.

Quando a comida chega ao intestino, células especializadas chamadas de células L liberam o GLP-1 na corrente sanguínea. Proteínas, gorduras e carboidratos estimulam esse processo. Ou seja, toda vez que você come, o corpo ativa esse hormônio sozinho.

O GLP-1 faz parte de um grupo de hormônios chamado incretinas. Em termos simples, as incretinas ajudam o corpo a lidar melhor com o aumento do açúcar no sangue depois das refeições.

Por que o GLP-1 natural dura só alguns minutos

O GLP-1 que seu corpo produz foi feito para agir rápido e sumir logo em seguida. Isso é bom para o equilíbrio do organismo, mas vira um problema quando se pensa em transformar esse hormônio em remédio.

A meia-vida do GLP-1 natural é menor que dois minutos. Isso quer dizer que, em menos de dois minutos, metade do hormônio já foi destruída por uma enzima chamada DPP-4.

Esse funcionamento rápido faz sentido para o corpo: o hormônio precisa agir logo depois da refeição e desaparecer em seguida. Mas isso torna impossível usar o GLP-1 natural como remédio, porque ele não fica ativo tempo suficiente para tratar diabetes ou obesidade. Foi esse desafio que levou ao desenvolvimento de versões sintéticas do hormônio.

Como o GLP-1 age no corpo

O GLP-1 funciona como um mensageiro que avisa vários órgãos que você acabou de comer. A partir disso, ele dispara uma série de respostas importantes para o equilíbrio do corpo.

Açúcar no sangue e produção de insulina

A ação mais conhecida do GLP-1 é estimular o pâncreas a liberar insulina, mas só quando o açúcar no sangue está alto. Isso se chama secreção de insulina dependente de glicose.

Na prática, isso significa que o GLP-1 não obriga o pâncreas a produzir insulina quando o açúcar já está normal ou baixo. Por isso, remédios baseados em GLP-1 têm um risco bem menor de causar hipoglicemia do que outros tratamentos para diabetes.

O GLP-1 também reduz a liberação de outro hormônio, o glucagon, que faz o fígado soltar mais glicose no sangue. Com menos glucagon, o fígado para de aumentar o açúcar logo depois das refeições.

Controle da fome e da saciedade

No caso da obesidade, o GLP-1 age direto no comportamento alimentar. Ele envia sinais para o hipotálamo, a região do cérebro que regula fome e saciedade, e o resultado é sentir-se satisfeito com uma quantidade menor de comida.

Ao mesmo tempo, o GLP-1 deixa a digestão mais lenta, fazendo o alimento ficar mais tempo no estômago. Isso prolonga a sensação de estar satisfeito depois da refeição.

É essa combinação de efeitos que explica por que os remédios baseados em GLP-1 ajudam tanto na perda de peso.

Outros efeitos no corpo

Com o avanço das pesquisas, ficou claro que o GLP-1 não age só no açúcar do sangue e no apetite. Estudos mostram benefícios para o coração, como redução da pressão arterial e melhora do colesterol, além de sinais de proteção para os rins, especialmente em pessoas com diabetes.

Outro efeito observado é a redução de gordura no fígado, o que pode ajudar quem tem esteatose hepática. Já existem estudos iniciais olhando para possíveis efeitos protetores no cérebro, mas essa parte da pesquisa ainda está no começo.

Da descoberta científica até virar remédio

Transformar o GLP-1 em medicamento não foi rápido. Foram décadas de pesquisa, observação e algumas descobertas bem inesperadas pelo caminho.

O hormônio foi identificado nos anos 1980, e logo ficou claro que ele poderia ajudar no tratamento do diabetes. O grande problema, como já vimos, era que ele durava pouquíssimo tempo no corpo.

A ajuda inesperada de um lagarto

Uma das viradas mais curiosas dessa história veio da natureza. Na década de 1990, o pesquisador John Eng estudou a saliva do monstro-de-Gila, um lagarto venenoso da América do Norte, e encontrou nela um peptídeo chamado exendina-4, muito parecido com o GLP-1 humano.

A diferença importante era que essa substância resistia à ação da enzima DPP-4 e ficava ativa por muito mais tempo. Essa descoberta levou à criação da exenatida, o primeiro remédio dessa classe aprovado para uso em humanos, em 2005.

Os remédios sintéticos que vieram depois

Depois dessa primeira descoberta, a pesquisa avançou rápido. Vieram a liraglutida, depois a semaglutida e, mais recentemente, a tirzepatida.

Cada nova geração foi criada para durar mais no corpo e precisar de menos aplicações. Hoje já existem remédios de aplicação semanal, com estudos mostrando perdas de peso de até 22,5% do peso corporal, como é o caso da tirzepatida.

Os remédios não são iguais ao hormônio natural

Apesar de imitarem o GLP-1, os remédios não são idênticos ao hormônio que o corpo produz. Essa diferença é justamente o que permite usá-los como tratamento.

Eles são chamados de análogos: moléculas modificadas para agir como o GLP-1, mas durando muito mais tempo. A estrutura química foi ajustada para resistir à enzima DPP-4.

Enquanto o GLP-1 natural dura menos de dois minutos, a liraglutida fica ativa por cerca de 13 horas, e a semaglutida, por cerca de sete dias. É essa diferença que permite manter o efeito estável no corpo.

Por outro lado, isso também explica por que os efeitos colaterais podem durar mais tempo: o remédio não é eliminado rapidamente.

Quais remédios com GLP-1 existem no Brasil

Hoje estão disponíveis no país:

  • Liraglutida: Victoza, Saxenda, Olire, Lirux
  • Semaglutida: Ozempic, Wegovy, Rybelsus
  • Dulaglutida: Trulicity
  • Tirzepatida: Mounjaro

Os produtos nacionais à base de liraglutida, como Olire e Lirux, surgiram como opções mais baratas do que os importados. Para entender as diferenças entre os principais nomes, vale conferir Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

Vale reforçar: nenhuma dieta ou suplemento consegue elevar o GLP-1 natural do corpo aos níveis alcançados por esses remédios.

Para que servem os remédios com GLP-1

Esses remédios não são genéricos para emagrecer rápido. Eles têm indicações médicas específicas e critérios bem definidos de uso.

Tratamento do diabetes tipo 2

Essa foi a primeira indicação aprovada. Os remédios com GLP-1 reduzem a hemoglobina glicada de forma consistente, com baixo risco de hipoglicemia, e trazem benefícios para o coração em pacientes de alto risco. Eles não são indicados para diabetes tipo 1.

Tratamento da obesidade

No tratamento da obesidade, os resultados variam conforme o remédio: a liraglutida costuma levar a uma perda em torno de 8% do peso corporal, a semaglutida a cerca de 15%, e a tirzepatida a até 22,5%.

A indicação é para pessoas com IMC acima de 30, ou acima de 27 quando existe alguma doença associada. Um ponto essencial é que o tratamento precisa ser contínuo: estudos mostram que boa parte do peso perdido volta depois que o remédio é interrompido.

Outros benefícios ainda em estudo

Além das indicações já aprovadas, a ciência segue pesquisando novas possibilidades, como efeitos sobre gordura no fígado, doença renal crônica e doenças neurológicas. Mas essas aplicações ainda não são indicações aprovadas, e não justificam o uso fora de orientação médica.

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Novas regras da Anvisa para remédios com GLP-1

Com o aumento do uso desses remédios, também cresceram as preocupações com segurança. Desde 23 de junho de 2025, a Anvisa passou a exigir regras mais rígidas para a prescrição e a venda desses medicamentos, por meio da RDC nº 973/2025 e da Instrução Normativa nº 360/2025.

A receita passou a ter retenção obrigatória na farmácia, com validade de 90 dias. Todas as vendas são registradas em um sistema oficial de controle. A manipulação de semaglutida foi proibida, e a manipulação de tirzepatida está sob monitoramento mais rigoroso, sem estar formalmente proibida. Os riscos de comprar versões manipuladas dessas substâncias, hoje sem respaldo regulatório, estão detalhados no texto sobre Mounjaro manipulado e os riscos envolvidos.

A medida busca conter o uso indiscriminado, reduzir efeitos adversos, combater o mercado ilegal e garantir que os remédios cheguem a quem realmente precisa, sempre com acompanhamento médico. As regras se somam ao que já vale para a compra desses remédios com receita.

O que vale lembrar

  • GLP-1 é um hormônio que o próprio corpo produz depois das refeições, mas dura menos de dois minutos
  • Os remédios como Ozempic, Wegovy e Mounjaro usam versões modificadas desse hormônio, feitas para durar muito mais tempo
  • A descoberta que permitiu criar esses remédios veio, em parte, do estudo da saliva de um lagarto venenoso nos anos 1990
  • Cada remédio tem uma indicação e um resultado esperado diferente: diabetes, obesidade, ou ambos
  • Desde junho de 2025, a Anvisa exige receita com retenção obrigatória para todos os remédios dessa classe
  • Nenhuma dieta ou suplemento substitui o efeito desses medicamentos
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Perguntas Frequentes

Referências
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  1. Wong SKS, et al. Comparative Effectiveness of GLP-1 Receptor Agonists on Measures of Adiposity: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Diabetes Carescribble-underline. 2025;48(Suppl 1):S145-S155. https://doi.org/10.2337/dc24-1359
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  1. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Nota Pública: SBEM apoia medidas da ANVISA sobre análogos de GLP-1. Maio 2025. https://www.endocrino.org.br/nota-publica-sbem-anvisa-rdc-glp1/
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