
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Se você está pesquisando sobre Ozempic, provavelmente já percebeu que o cenário mudou bastante. Wegovy, Mounjaro, Olire, Lirux, Saxenda. Nomes novos aparecem toda hora, e a confusão é compreensível.
O termo "novo Ozempic" virou uma forma popular de se referir a essa explosão de medicamentos similares. Mas aqui está o ponto importante: não existe um Ozempic 2.0 ou uma versão atualizada. O que existe são medicamentos diferentes, da mesma classe, cada um com suas particularidades.
Aqui está o que você precisa saber: o que está disponível no Brasil agora, o que mudou nas regras da Anvisa, e como escolher entre tantas opções (spoiler: essa escolha tem que ser feita com seu médico, não sozinho).
O cenário atual dos medicamentos GLP-1 no Brasil
A classe dos agonistas de GLP-1 explodiu nos últimos anos. E há boas razões para isso.
Em dezembro de 2024, a Organização Mundial da Saúde publicou suas primeiras diretrizes reconhecendo oficialmente que esses medicamentos fazem parte do tratamento da obesidade.
Não é mais questão de "se", mas de "como" usá-los adequadamente. A obesidade causou 3,7 milhões de mortes em 2024, com custos globais podendo atingir 3 trilhões de dólares anuais até 2030.
No Brasil, o cenário ficou ainda mais movimentado.
- Janeiro de 2023: aprovação do Wegovy pela Anvisa.
- Novembro de 2024: a chegada oficial do Mounjaro.
- Dezembro de 2024: aprovação do Olire e Lirux: os primeiros medicamentos dessa classe produzidos inteiramente no Brasil.
E em abril de 2025? A Anvisa mudou as regras do jogo.
O que mudou em 2024-2025
A Anvisa aprovou em abril de 2025 um controle muito mais rigoroso para todos os agonistas de GLP-1. Agora funciona assim: prescrição em duas vias, retenção obrigatória da receita na farmácia (igual antibiótico), validade de 90 dias.
Por quê? Os dados brasileiros de farmacovigilância mostraram mais eventos adversos relacionados ao uso off-label do que os dados globais. Tradução: muita gente usando sem acompanhamento adequado, tendo problemas.
Além do Ozempic: entenda os novos medicamentos disponíveis
Vamos ver cada um desles no detalhe. Lembrando que, conhecer os medicamentos é importante, mas só o médico é capaz de definir se e qual deles é adequado para você, combinado?
Wegovy (Semaglutida)
O Wegovy usa a mesma molécula do Ozempic — a semaglutida — mas em dose mais alta (2,4mg versus 1mg) e com indicação oficial da Anvisa especificamente para obesidade e sobrepeso.
Em estudos clínicos com mais de 4.500 pessoas, os participantes perderam em média 17% do peso corporal ao longo de 17 meses. Um terço deles perdeu 20% ou mais do peso inicial, enquanto o grupo placebo teve apenas 2,4% de redução.
A aplicação é semanal, como o Ozempic, e o preço fica em torno de R$ 1.800 por caneta (equivalente a 4 aplicações).
Mounjaro (Tirzepatida)
O Mounjaro é diferente dos anteriores: atua em dois hormônios simultaneamente – GLP-1 e GIP – o que aumenta sua potência.
Estudos mostram perda de peso entre 20-25%, resultados superiores aos análogos apenas de GLP-1. Porém, efeitos colaterais gastrointestinais podem ser mais intensos, principalmente no início do tratamento.
A aplicação é semanal e o preço costuma ser o mais alto do grupo. Está disponível no Brasil desde novembro de 2024, com indicação para diabetes tipo 2.
Olire e Lirux: o "Ozempic Brasileiro"
Em dezembro de 2024, a Anvisa aprovou os primeiros medicamentos dessa classe produzidos no Brasil. A farmacêutica EMS desenvolveu o Olire (para obesidade) e o Lirux (para diabetes tipo 2).
O princípio ativo é a liraglutida, não semaglutida. E atenção: liraglutida não é "versão inferior", são moléculas diferentes, ambas agonistas de GLP-1, mas com perfis distintos.
A grande diferença prática é que a liraglutida exige aplicação diária, enquanto a semaglutida é semanal.
A eficácia média do Olire fica em 8-10% de perda de peso em 6-12 meses, menos que semaglutida, mas isso não significa que seja pior escolha para todos. Algumas pessoas se adaptam melhor à aplicação diária, têm menos efeitos colaterais ou simplesmente não conseguem arcar com medicamentos importados.
Detalhe importante: a caneta do Olire exige contagem manual de "cliques" para ajustar a dose:
- 0,6mg = 10 cliques
- 1,2mg = 20 cliques
- 1,8mg = 30 cliques
- 2,4mg = 40 cliques
- 3,0mg = 50 cliques
Rybelsus: A versão em comprimido
Para quem tem fobia de agulhas ou simplesmente prefere evitar injeções, existe o Rybelsus, a primeira e única forma oral de semaglutida disponível no mercado.
Aprovado no Brasil desde outubro de 2020, ele foi inicialmente indicado para diabetes tipo 2, mas representa uma alternativa importante para quem busca os benefícios da semaglutida sem aplicações subcutâneas.
O desafio da absorção oral
Transformar semaglutida em comprimido não foi simples. Peptídeos como o GLP-1 normalmente são destruídos pelo ácido estomacal e enzimas digestivas antes de chegarem à corrente sanguínea.
Para contornar isso, o Rybelsus usa uma tecnologia chamada SNAC (salcaprozato de sódio), que facilita a absorção do princípio ativo através da parede do estômago.
Aqui está o ponto crítico: Rybelsus exige um protocolo rigoroso de administração. O comprimido deve ser tomado:
- Em jejum absoluto, ao acordar
- Com no máximo 120ml de água (meio copo)
- 30 minutos antes de comer, beber ou tomar qualquer outro medicamento
Perfil de efeitos colaterais
Todos compartilham efeitos gastrointestinais comuns, especialmente no início: náuseas (cerca de 20% das pessoas), vômitos, diarreia, constipação. Geralmente melhoram com o tempo.
Mas há algumas particularidades. O Mounjaro, por ser dupla ação, pode ter efeitos um pouco mais intensos. Liraglutida, por ser diária, mantém nível mais estável no organismo (alguns acham isso melhor, outros preferem a variação semanal).
Importante é saber que cada pessoa raege de um jeito, por isso, o acompanhamento médico é essencial.
Posso trocar de um medicamento para outro?
Só o médico pode dizer isso. Existem algumas situações em que a troca pode ser indicada, porém são muitos fatores para serem considerados.
Se você atingiu um platô de peso com o medicamento atual e não está mais perdendo, há desabastecimento na farmácia (já aconteceu várias vezes com Ozempic), ou você está tendo efeitos colaterais difíceis de manejar, pode ser que haja a indicação.
O que você NÃO pode fazer: trocar por conta própria.
Cada medicamento requer titulação gradual da dose. Você não pode simplesmente parar Wegovy numa sexta e começar Mounjaro no sábado. O médico precisa planejar a transição, ajustar doses, monitorar resposta.
E aqui está um fato interessante: não existem estudos comparando diretamente iniciar com um medicamento e depois trocar para outro. A prática clínica mostra que funciona, mas cada caso é único.
O que vem por aí: novos medicamentos em desenvolvimento
O pipeline é animador. Há 16 medicamentos para tratamento da obesidade na fila da Autoridade Europeia do Medicamento, com chegada esperada entre 2025 e 2026.
Destaque para a retatrutida, que em estudos preliminares mostrou perda de peso de 24-28% em 48 semanas. Mulheres perderam até 28%, homens 21%. Conclusão dos estudos de fase 3 está prevista para fevereiro de 2026.
E tem mais: uma versão de semaglutida oral em dose alta (25mg) mostrou 16,6% de redução de peso e está aguardando aprovação do FDA. Se aprovada, seria o primeiro agonista oral de GLP-1 com efeitos consideráveis para obesidade.
Qual medicamento é melhor?
Melhor para você é o que o médico indica para você, mas a verdade que ninguém quer ouvir é: não existe "melhor" universal.
O Mounjaro tem os números mais impressionantes de perda de peso, mas se você não consegue lidar com náuseas intensas, esses números não importam. O Olire é mais barato e brasileiro, mas se sua rotina é caótica e você esquece de aplicar diariamente, o custo mais baixo não compensa.
Fatores que seu médico vai considerar:
- Seu histórico médico completo (diabetes? Hipertensão? Problemas hepáticos?)
- Comorbidades que você tem
- Sua capacidade de aderir ao tratamento (consegue aplicação diária? Só semanal?)
- Perfil de efeitos colaterais que você tolera melhor
- Questão financeira (sim, isso importa e é legítimo considerar)
- Se você já tentou outros medicamentos e como foi a resposta
Uma meta-análise recente de ensaios clínicos confirmou: 33,4% dos tratados com semaglutida atingiram perda maior que 20% do peso, enquanto apenas 2,2% do grupo placebo alcançou isso. Mas todos os participantes também fizeram mudanças alimentares e incluíram atividade física.
Porque aqui está outro ponto crucial: esses medicamentos não substituem mudanças no estilo de vida. Eles facilitam essas mudanças.
Um estudo de 2024 publicado na Nature Medicine acompanhou pessoas usando semaglutida por 4 anos consecutivos e encontrou manutenção de 10% de perda de peso. Mas essas pessoas mantiveram os hábitos saudáveis junto com o medicamento.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




