
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Muita gente não sabe, mas o Ozempic foi desenvolvido especificamente para o tratamento da diabetes tipo 2 e, desde sua aprovação pela Anvisa em 2018, vem mudando o cuidado com a doença.
O impacto vai além da glicemia: estudos mostram redução de risco cardiovascular e proteção renal, dois dos maiores temores de quem vive com diabetes.
Em 2025, uma nova regra da Anvisa também mudou a forma de comprar o medicamento no Brasil. Ao longo deste texto, você vai entender como o Ozempic funciona, para quem ele é indicado, quais benefícios vão além do açúcar no sangue e o que mudou na regulação.
O que é Ozempic e para que serve
Ozempic é o nome comercial da semaglutida, um medicamento injetável indicado para o tratamento da diabetes tipo 2 em adultos. Ele foi aprovado pela FDA (U.S. Food and Drug Administration) em 2017 e pela Anvisa em 2018, após uma série de estudos robustos que comprovaram sua eficácia e segurança.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1. Na prática, isso significa que ela imita a ação de um hormônio que o próprio intestino libera após as refeições, o GLP-1. Esse hormônio ajuda o corpo a controlar a glicose, estimular a insulina e reduzir o apetite.
O GLP-1 natural, porém, dura apenas alguns minutos no organismo. A semaglutida foi criada para resistir à degradação rápida, permanecendo ativa por vários dias. É por isso que o Ozempic é aplicado apenas uma vez por semana.
A indicação aprovada pela Anvisa é objetiva: tratamento da diabetes tipo 2, sempre como complemento à alimentação equilibrada e à prática de atividade física. Ele pode ser usado sozinho, quando a metformina (medicamento antidiabético oral) não é tolerada, ou em combinação com outros medicamentos para diabetes.
Vale esclarecer um ponto importante: Ozempic não é aprovado no Brasil para tratar obesidade em pessoas sem diabetes. Para esse fim, a Anvisa aprovou o Wegovy, que contém a mesma substância, mas em doses mais altas.
Ozempic vs Wegovy: qual a diferença?
Antes que dúvida venha, aqui estão as respostas: o Ozempic e Wegovy contêm exatamente a mesma substância: semaglutida. A diferença está nas doses e nas indicações aprovadas.
Ozempic é indicado para diabetes tipo 2, com doses menores. Wegovy foi estudado e aprovado para obesidade, com doses mais altas. A escolha depende da condição clínica e da orientação médica.
Como Ozempic age no controle da diabetes tipo 2
O efeito da semaglutida no controle glicêmico acontece por três mecanismos principais, que atuam de forma integrada.
- No pâncreas, o Ozempic estimula a liberação de insulina quando a glicose está elevada e, ao mesmo tempo, reduz a liberação de glucagon, hormônio que aumenta o açúcar no sangue. Um ponto-chave é que essa ação é glicose-dependente: quando a glicemia está normal ou baixa, o efeito praticamente desaparece. Isso reduz muito o risco de hipoglicemia em comparação com outros tratamentos.
- No estômago, a semaglutida retarda o esvaziamento gástrico. A digestão ocorre de forma mais lenta, o que suaviza os picos de glicose após as refeições e contribui para maior sensação de saciedade.
- No cérebro, o medicamento atua em regiões do hipotálamo ligadas ao apetite e à saciedade. Esse efeito auxilia no controle do peso, o que melhora a resistência à insulina e favorece o controle da diabetes tipo 2.
Nos estudos da série SUSTAIN, pacientes usando Ozempic 1 mg apresentaram redução média da hemoglobina glicada entre 1,5% e 1,8% em cerca de 30 semanas. Aproximadamente 73% atingiram HbA1c abaixo de 7%, alvo recomendado pelas principais diretrizes internacionais.
Ozempic reduz risco de infarto, derrame e problemas renais
Um dos maiores diferenciais do Ozempic é que seus benefícios não se limitam ao controle da glicemia. Veja outros benefícios que o tratamento, quando feito com segurança médica, oferece:
- Proteção cardiovascular: O estudo SUSTAIN-6, publicado no New England Journal of Medicine, demonstrou redução de cerca de 26% nos eventos cardiovasculares maiores, como infarto, derrame e morte cardiovascular, em pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardíaco. Esse resultado levou à inclusão oficial da proteção cardiovascular na bula.
Em 2025, dados do estudo REACH reforçaram esse benefício ao mostrar menor risco cardiovascular com semaglutida quando comparada à dulaglutida em adultos mais velhos com diabetes e doença cardíaca. - Proteção renalO estudo FLOW, base para a aprovação da FDA em 2025, mostrou que o Ozempic reduziu em 24% o risco de piora da função renal, falência renal e morte cardiovascular em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. Em termos práticos, isso representa uma redução absoluta relevante ao longo de três anos.
Esses efeitos vão além do controle da glicemia, sugerindo ação direta da semaglutida sobre vasos sanguíneos, coração e rins.
Para quem Ozempic é indicado (e quem não deve usar)
A Anvisa aprova o Ozempic para adultos com diabetes tipo 2 que não atingem controle adequado apenas com dieta e exercício. Ele pode ser usado como primeira opção quando a metformina não é tolerada ou associado a outros medicamentos.
O médico tende a considerar o Ozempic especialmente quando há excesso de peso, doença cardiovascular, doença renal crônica ou dificuldade persistente em atingir as metas de HbA1c.
- Contraindicações absolutas incluem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, síndrome MEN 2 e alergia à semaglutida.
- Situações que exigem cautela envolvem pancreatite prévia, retinopatia diabética grave, doença renal ou hepática avançada, gravidez, planejamento gestacional e amamentação.
Ozempic não é aprovado para diabetes tipo 1. O uso off-label existe apenas em contextos muito específicos e sob supervisão especializada.
Uso off-label do Ozempic para sobrepeso: o que você precisa saber
Embora o Ozempic não seja aprovado pela Anvisa para tratar obesidade ou sobrepeso em pessoas sem diabetes tipo 2, ele passou a ser utilizado de forma off-label para esse fim.
Uso off-label significa prescrever um medicamento fora da indicação descrita em bula, algo que é permitido no Brasil, desde que haja embasamento científico e acompanhamento médico rigoroso.
A perda de peso ocorre porque a semaglutida reduz o apetite, aumenta a saciedade e ajuda no controle da ingestão alimentar. No entanto, para o tratamento da obesidade, a Anvisa aprovou o Wegovy, que contém a mesma substância, mas em doses mais altas e com estudos específicos em pessoas sem diabetes.
Por isso, do ponto de vista regulatório e de segurança, ele é a opção indicada quando o objetivo principal é emagrecimento.
O uso off-label do Ozempic para sobrepeso não deve ser banalizado. Sem indicação adequada, ajuste correto de dose e acompanhamento médico, o risco de efeitos adversos aumenta. Esse cenário contribuiu para a nova regra da Anvisa em 2025, que exige retenção de receita, justamente para reduzir automedicação e uso indiscriminado dos medicamentos com GLP-1.
Efeitos colaterais mais comuns e como manejar
Como todo medicamento, Ozempic pode causar efeitos adversos, principalmente gastrointestinais.
Os mais frequentes são náusea, diarreia, vômitos, constipação e dor abdominal. Eles costumam surgir no início ou durante o aumento de dose e melhoram após duas a quatro semanas.
Para reduzir o desconforto, estratégias simples ajudam bastante: iniciar com dose baixa, comer porções menores, evitar alimentos gordurosos, mastigar bem, manter boa hidratação e não se deitar logo após as refeições.
Efeitos raros, porém graves, incluem pancreatite, problemas na vesícula e piora aguda da retinopatia diabética. O risco de hipoglicemia é baixo quando o Ozempic é usado sozinho, mas aumenta se associado à insulina ou sulfonilureias.
A regra da Anvisa é clara: compra só com retenção de receita
Desde 23 de junho de 2025, a Anvisa passou a exigir retenção de receita para Ozempic e todos os agonistas de GLP-1. A prescrição deve ser emitida em duas vias, com validade de 90 dias, e uma fica retida na farmácia.
A decisão foi baseada em dados do VigiMed, que mostraram que 32% dos eventos adversos no Brasil estavam associados ao uso fora das indicações aprovadas.
Para quem tem diabetes tipo 2 e prescrição adequada, nada muda no acesso ao tratamento. A regra busca reduzir automedicação e uso indiscriminado.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




