
Aviso importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
O Ozempic é o nome comercial da semaglutida injetável, da Novo Nordisk, indicada para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos.
O medicamento foi aprovado pela FDA (U.S. Food and Drug Administration), nos Estados Unidos, em 2017 e pela Anvisa em 2018, depois de um programa de estudos clínicos que avaliou sua eficácia e segurança em milhares de pessoas.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, o que significa que imita a ação de um hormônio liberado pelo intestino depois das refeições.
Esse hormônio ajuda a controlar a glicose, estimula a liberação de insulina e reduz o apetite, mas permanece pouco tempo ativo no organismo. A semaglutida foi desenvolvida para resistir a essa degradação e agir por vários dias, o que permite uma aplicação por semana.
Para que o Ozempic é indicado
A indicação aprovada do Ozempic é o tratamento do diabetes tipo 2, associado à alimentação equilibrada e à atividade física. Ele pode ser usado sozinho, quando a metformina não é tolerada ou está contraindicada, ou em combinação com outros medicamentos para diabetes.
A perda de peso também é um efeito conhecido da semaglutida, e alguns médicos podem prescrever Ozempic para obesidade fora da indicação da bula, o chamado uso off-label. Nesses casos, a decisão depende de avaliação médica individual. Para o tratamento da obesidade, a semaglutida aprovada especificamente no Brasil é o Wegovy, que utiliza doses maiores.
Como a semaglutida age no controle da glicose
O efeito sobre a glicemia vem de três mecanismos que trabalham juntos. No pâncreas, a semaglutida estimula a liberação de insulina quando a glicose está alta e, ao mesmo tempo, reduz a liberação de glucagon, o hormônio que faz o açúcar subir.
Essa ação depende da glicose, ou seja, praticamente desaparece quando a glicemia está normal ou baixa, e é por isso que o risco de hipoglicemia é baixo quando o remédio é usado sozinho.
No estômago, o esvaziamento fica mais lento, o que suaviza os picos de glicose depois das refeições e prolonga a saciedade. No cérebro, a semaglutida atua em regiões do hipotálamo ligadas à fome, e a perda de peso que vem daí melhora a resistência à insulina, o que ajuda no controle do diabetes por um caminho indireto.
No estudo SUSTAIN 7, feito com 1.201 adultos com diabetes tipo 2 acompanhados por 40 semanas, a hemoglobina glicada caiu 1,5 ponto percentual com a dose de 0,5 mg e 1,8 com a de 1 mg, enquanto o peso diminuiu em média 4,6 kg e 6,5 kg.
O tratamento começa com 0,25 mg por quatro semanas e sobe aos poucos, e o artigo sobre quantas doses tem cada caneta de Ozempic detalha esse esquema.
O que os estudos mostram sobre coração e rins
O diferencial da semaglutida no diabetes está no que ela faz além da glicose.
O estudo SUSTAIN-6 acompanhou 3.297 pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular por cerca de dois anos, e a soma de mortes por causa cardiovascular, infartos e AVCs ocorreu em 6,6% de quem usou semaglutida contra 8,9% de quem recebeu placebo, uma redução relativa de 26%. Esse resultado abriu caminho para a inclusão do benefício cardiovascular na bula.
Nos rins, o estudo FLOW testou a semaglutida em pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica e encontrou 24% menos eventos renais graves, categoria que reúne a perda importante de função dos rins, a falência renal e a morte por causa renal ou cardiovascular.
O próprio SUSTAIN-6 já havia registrado menos casos de piora da função renal, 3,8% contra 6,1% no placebo.
Ozempic vs outros medicamentos
A comparação com outros remédios da mesma classe ainda não está fechada.
O estudo REACH, com 58 mil idosos americanos com diabetes e doença cardiovascular, associou a semaglutida a 23% menos eventos cardiovasculares do que a dulaglutida, mas é um estudo observacional financiado pela fabricante.
Uma emulação de ensaio clínico com dados dinamarqueses não encontrou diferença relevante entre os dois remédios, o que mostra que a vantagem de um sobre o outro segue em aberto.
Buscando tratamento para sobrepeso e obesidade?
Para quem o Ozempic é indicado e quem não deve usar
A Anvisa aprova o Ozempic para adultos com diabetes tipo 2 que não atingem o controle adequado apenas com alimentação e exercício.
O médico costuma considerá-lo principalmente quando há excesso de peso, doença cardiovascular, doença renal crônica ou dificuldade persistente em chegar às metas de hemoglobina glicada.
A bula traz contraindicações absolutas que valem para todos. Estão nessa lista:
- Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide,
- Neoplasia endócrina múltipla tipo 2 e a alergia à semaglutida ou a qualquer componente da fórmula.
- O Ozempic também não é indicado para diabetes tipo 1.
Outras situações pedem cautela e avaliação individual, entre elas o histórico de pancreatite, a retinopatia diabética avançada, a doença renal ou hepática grave, a gravidez, o planejamento de gestação e a amamentação.
Quem usa insulina ou sulfonilureias precisa de atenção redobrada, porque a combinação aumenta o risco de hipoglicemia e pode exigir ajuste dessas doses.
Uso fora da bula para emagrecer
Mesmo sem aprovação para obesidade no Brasil, o Ozempic passou a ser prescrito com esse objetivo, no chamado uso off-label, que é a prescrição fora da indicação da bula.
A prática é permitida, desde que haja embasamento científico e acompanhamento médico, e a perda de peso acontece porque a semaglutida reduz o apetite e prolonga a saciedade.
Do ponto de vista regulatório, porém, quando o objetivo principal é o emagrecimento existe a opção estudada e aprovada para isso, que é o Wegovy, com doses mais altas e estudos feitos em pessoas sem diabetes.
O uso fora da bula sem indicação adequada, ajuste de dose e acompanhamento aumenta a chance de efeitos adversos, e foi esse cenário que motivou o aperto nas regras de venda em 2025.
Efeitos colaterais e como reduzir o desconforto
Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, com náusea, diarreia, vômito, prisão de ventre e dor abdominal. Eles costumam aparecer no começo do tratamento e nas semanas de aumento de dose, e tendem a melhorar depois de algumas semanas.
Começar na dose baixa, comer porções menores, evitar alimentos gordurosos e não se deitar logo após as refeições ajuda, e os efeitos colaterais das canetas emagrecedoras estão reunidos em outro artigo do blog.
Efeitos raros, porém graves, incluem pancreatite, problemas na vesícula e piora aguda da retinopatia diabética, esta última observada no SUSTAIN-6 em 3,0% dos participantes que usaram semaglutida contra 1,8% no placebo. Por isso o exame oftalmológico antes e durante o tratamento é importante, sobretudo em quem já tem alguma alteração na retina.
Como comprar dentro das regras
Desde 23 de junho de 2025, a venda de Ozempic e dos demais agonistas de GLP-1 exige retenção da receita na farmácia.
Pelas normas da Anvisa, a prescrição precisa ser emitida em duas vias, tem validade de 90 dias a partir da emissão e uma das vias fica retida no estabelecimento, que ainda registra a movimentação no sistema de controle de produtos controlados. As perguntas e respostas publicadas pela Agência detalham como isso funciona, inclusive para receitas eletrônicas.
A regra atingiu semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida, e a justificativa da Anvisa foi o número elevado de eventos adversos ligados ao uso fora das indicações aprovadas.
Para quem tem diabetes tipo 2 e prescrição adequada, o acesso ao tratamento não muda. O mercado também mudou desde então, com a chegada das versões nacionais de semaglutida em 2026, todas registradas apenas para diabetes tipo 2.
O que lembrar:
- O Ozempic é semaglutida injetável, aprovada pela Anvisa em 2018 apenas para diabetes tipo 2 em adultos.
- Ele estimula a insulina somente quando a glicose está alta, retarda o esvaziamento do estômago e reduz o apetite.
- No SUSTAIN 7, a hemoglobina glicada caiu 1,5 ponto com 0,5 mg e 1,8 com 1 mg em 40 semanas.
- No SUSTAIN-6, houve 26% menos eventos cardiovasculares, e no FLOW, 24% menos eventos renais graves.
- Carcinoma medular de tireoide e neoplasia endócrina múltipla tipo 2 são contraindicações absolutas, e o remédio não serve para diabetes tipo 1.
- Desde junho de 2025, a venda exige receita em duas vias, com retenção e validade de 90 dias.

