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Ozempic para emagrecer: como funciona, resultados e quem pode usar

Como a semaglutida ajuda a perder peso, o que dizem os estudos e quando o uso é indicado.


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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 6 min
Atualizado em 24 de junho de 2026
Aviso importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

O Ozempic virou sinônimo de emagrecimento, mas há uma distinção importante que muda como entender o assunto. No Brasil, o medicamento aprovado para perda de peso é o Wegovy, não o Ozempic.

Os dois têm o mesmo princípio ativo, a semaglutida, mas em doses e indicações diferentes: o Ozempic é registrado para diabetes tipo 2, e o Wegovy para obesidade e sobrepeso com comorbidades.

Isso não significa que a semaglutida não funcione para emagrecer, e sim que a versão com essa indicação aprovada é o Wegovy. Quem já tentou de tudo, de dietas a jejum e academia, e sente frustração, encontra nesses medicamentos uma abordagem médica real para ajudar o corpo no processo.

Este guia explica como a semaglutida age, o que os estudos mostram de resultado, quem pode usar e o que esperar do tratamento.

Ozempic e Wegovy: mesma substância, indicações diferentes

Antes de tudo, vale esclarecer a distinção que confunde tanta gente, porque ela define o que é uso aprovado e o que é uso off-label.

  • Ozempic: semaglutida em doses de até 2 mg por semana, aprovado no Brasil para diabetes tipo 2. Foi lançado primeiro, em 2017, e por isso ficou popularmente associado ao emagrecimento, ainda que essa não seja a sua indicação oficial registrada.
  • Wegovy: a mesma semaglutida, em dose maior (até 2,4 mg por semana), aprovada especificamente para obesidade e sobrepeso com comorbidades. É o medicamento com indicação para perda de peso no Brasil.

Na prática, usar Ozempic para emagrecer é uso off-label, ou seja, fora da indicação da bula. Isso significa que o médico pode prescrevê-lo em situações específicas, mas a via aprovada para obesidade é o Wegovy.

Quer saber mais sobre diferença entre os medicamentos? Leia o artigo Wegovy ou Mounjaro: qual emagrece mais.

Como a semaglutida funciona

A semaglutida imita o hormônio natural GLP-1, produzido pelo intestino após as refeições. Ela envia ao organismo os mesmos sinais desse hormônio, mas de forma muito mais duradoura, o que explica o efeito sobre o apetite.

  • Saciedade: o cérebro registra que a refeição foi suficiente, e você se sente satisfeito com porções menores.
  • Digestão mais lenta: o alimento permanece mais tempo no estômago, prolongando a sensação de plenitude.
  • Estabilidade da glicose: reduz os picos de açúcar no sangue e, com eles, os episódios de fome repentina.

O resultado é uma relação mais tranquila com a comida. Muitas pessoas descrevem essa mudança como uma diminuição do “food noise”, quando os pensamentos constantes sobre comida diminuem.

Quanto peso é possível perder

Os estudos de perda de peso mais robustos, os estudos STEP, avaliaram a semaglutida na dose de 2,4 mg, que é a do Wegovy, não a do Ozempic.

Nesses estudos, a perda média foi de 14,9% do peso corporal em 68 semanas, contra 2,4% do grupo placebo. Para alguém com 100 kg, isso representa cerca de 15 kg em pouco mais de um ano.

O Ozempic usa a semaglutida em dose menor (até 1 mg, ou 2 mg), estudada com foco no diabetes. Nesses estudos, a perda de peso existe, mas é mais modesta, tipicamente na faixa de 4 a 6 kg, justamente porque a dose é menor. É por isso que, quando o objetivo é emagrecimento, a versão desenhada para isso é o Wegovy, com a dose maior.

Vale entender que esses números são médias de estudos grandes, e a resposta individual varia bastante. A perda é progressiva e costuma ser maior nos primeiros meses, desacelerando conforme o corpo se adapta e as doses se estabilizam.

Quando isso acontece, a balança pode ficar no mesmo peso por algumas semanas. Trata-se do platô, uma etapa esperada, que faz parte do processo e não indica falha.

O mais importante é se lembrar que nem todo mundo responde da mesma forma, e é por isso que o acompanhamento médico importa: quando a perda é inferior a 5% em três meses, é preciso reavaliar a estratégia.

Quem pode usar

A indicação só pode ser feita por um médico, mas há critérios gerais que ajudam a entender se o caso se enquadra. O tratamento com semaglutida para perda de peso costuma ser considerado para:

  • IMC igual ou maior que 30.
  • IMC igual ou maior que 27, desde que haja condições associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono ou colesterol alto.

Há situações em que o uso é contraindicado de forma absoluta:

  • Diabetes tipo 1 e cetoacidose diabética.
  • Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.
  • Gravidez, amamentação ou tentativa de engravidar.
  • Menores de 18 anos.
  • Alergia à semaglutida ou a componentes da fórmula.

O histórico de pancreatite, ao contrário do que se costuma pensar, não é contraindicação absoluta: é uma precaução, e a decisão depende da causa do episódio anterior, como detalhamos em contraindicações dos medicamentos GLP-1.

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Efeitos colaterais: o que esperar

Os efeitos mais comuns surgem nas primeiras semanas e costumam diminuir à medida que o corpo se adapta. São predominantemente gastrointestinais.

  • Náusea, o mais frequente, relatada por cerca de 44% das pessoas na dose de 2,4 mg nos estudos. Costuma melhorar em poucas semanas, e refeições leves e em menor porção ajudam.
  • Diarreia e constipação, em torno de 20% a 30% dos casos. Hidratação e fibras ajudam a manejar.
  • Vômito e dor abdominal, menos frequentes, e cansaço ou dor de cabeça leves no início.

Entre os efeitos menos comuns estão cálculos na vesícula e reações no local da aplicação. A pancreatite é rara e, nos estudos com semaglutida, ocorreu na mesma frequência do placebo, mas dor abdominal intensa e persistente que irradia para as costas exige atendimento imediato. O detalhamento está em efeitos colaterais das canetas emagrecedoras.

Há também o chamado “rosto Ozempic”, a perda de gordura facial que pode acompanhar emagrecimentos rápidos. É um efeito estético, não clínico, e não ocorre em todos os casos.

Como começa o tratamento

O tratamento começa com uma avaliação médica, em que o endocrinologista analisa histórico clínico, hábitos e expectativas antes de indicar qualquer protocolo. A prescrição é sempre individualizada.

A aplicação é subcutânea, semanal, no abdômen, na coxa ou no braço, com agulha muito fina, e dura segundos. A dose sobe de forma gradual justamente para o corpo se adaptar e para reduzir os desconfortos iniciais. Um exemplo de escalonamento, sempre ajustado pelo médico, começa em 0,25 mg por semana no primeiro mês, passa a 0,5 mg, depois 1 mg, e pode chegar às doses mais altas conforme a resposta e a tolerância. O ritmo respeita o tempo de cada pessoa.

E quando o tratamento é interrompido?

Quando o tratamento termina, parte do peso pode voltar. Isso acontece porque o corpo tende a retornar ao seu ponto de equilíbrio, e é um fenômeno bem documentado nos estudos, não um sinal de que o tratamento falhou. O que mais ajuda a preservar o resultado é ter construído novos hábitos ao longo do caminho, razão pela qual o acompanhamento nutricional e comportamental é parte do tratamento, não um acessório.

O que lembrar

  • Para emagrecer, o medicamento com indicação aprovada no Brasil é o Wegovy. O Ozempic é aprovado para diabetes, e usá-lo para perda de peso é off-label.
  • Os dois têm a mesma semaglutida, em doses diferentes (Ozempic até 2 mg; Wegovy até 2,4 mg).
  • Nos estudos STEP, a semaglutida 2,4 mg levou a perda média de 14,9% do peso em 68 semanas.
  • Os efeitos mais comuns são gastrointestinais e passageiros. Histórico de pancreatite é precaução, não contraindicação absoluta.
  • Parte do peso pode voltar após a interrupção, e novos hábitos ajudam a manter o resultado.
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Perguntas Frequentes

Referências
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Wilding JPH et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. N Engl J Medscribble-underline. 2021;384(11):989-1002. DOI: 10.1056/NEJMoa2032183

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Wilding JPH et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes Obes Metabscribble-underline. 2022;24(8):1553-1564. DOI: 10.1111/dom.14725

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Lincoff AM et al. (SELECT). Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Medscribble-underline. 2023;389(24):2221-2232. DOI: 10.1056/NEJMoa2307563

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Anvisa. Wegovy (semaglutida): aprovação no Brasil. gov.br/anvisa

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