Aviso Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.O que é a NOIA?
O nervo óptico leva ao cérebro as imagens captadas pelo olho, e depende de um fluxo constante de sangue para funcionar. Quando esse fluxo falha na porção anterior do nervo, parte das fibras sofre e a visão se perde. É isso que acontece na neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA).
A condição não é nova nem exclusiva de quem usa canetas. Ela é uma das principais causas de perda de visão em adultos e, segundo a Organização Mundial da Saúde, a segunda doença mais comum do nervo óptico, atrás apenas do glaucoma.
Por que a semaglutida entrou nessa conversa?
A discussão começou em julho de 2024, com um estudo do Massachusetts Eye and Ear publicado na JAMA Ophthalmology. Ao revisar prontuários de pacientes atendidos no serviço, os pesquisadores encontraram mais casos de NOIA entre quem usava semaglutida do que entre quem usava outros tratamentos.
Era um estudo retrospectivo, feito em um centro de referência em oftalmologia, o que limita a conclusão. Ainda assim, o achado levou agências reguladoras a revisar os dados disponíveis.
Em junho de 2025, o comitê de farmacovigilância da Agência Europeia de Medicamentos concluiu a análise. Para o comitê, a NOIA é um efeito adverso muito raro da semaglutida, com frequência de até um caso em 10 mil pessoas, e passou a constar nas bulas europeias do Ozempic, do Wegovy e do Rybelsus.
A Anvisa publicou alerta no mesmo mês. Até então, o sistema brasileiro de notificação havia recebido 52 relatos de distúrbios oculares associados à semaglutida, entre eles 4 casos de neurite óptica isquêmica. Em junho de 2025, a Organização Mundial da Saúde também emitiu alerta sobre o tema.
Qual é o tamanho real do risco?
Segundo a avaliação europeia, vários estudos epidemiológicos de grande porte apontam que adultos com diabetes tipo 2 tratados com semaglutida têm risco cerca de duas vezes maior de desenvolver NOIA do que quem não usa o medicamento.
Em termos absolutos, isso corresponde a aproximadamente um caso adicional para cada 10 mil pessoas tratadas durante um ano. É um aumento relativo grande sobre um evento que já era muito raro.
Também vale lembrar que as próprias condições tratadas pela semaglutida estão entre os fatores de risco conhecidos da NOIA. Diabetes, pressão alta, colesterol elevado e obesidade aumentam a chance do quadro, o que torna difícil separar o efeito do medicamento do efeito da doença.
Por isso, nenhuma agência recomendou suspender o tratamento de forma preventiva. O que mudou foi a informação em bula e a orientação de agir rápido diante de sintomas.
Vale dizer também o que os dados ainda não respondem. Até agora, os estudos mostram associação entre o uso e um número maior de casos, sem demonstrar que o medicamento cause o quadro. Pesquisas em andamento devem esclarecer a questão nos próximos anos.
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Quem deve ter mais atenção?
Além das condições já citadas, existe um fator anatômico. Pessoas com disco óptico pequeno, característica identificada no exame de fundo de olho, têm mais risco de NOIA, e quem já teve o quadro em um olho tem chance maior de repetir no outro.
Apneia do sono, episódios de queda importante da pressão durante a noite e uso de alguns medicamentos vasculares também entram na lista discutida pela oftalmologia.
Nada disso entra nas contraindicações da semaglutida. O que faz sentido é mencionar esses antecedentes na consulta, para que a avaliação de risco e benefício considere o histórico completo.
Quais sinais pedem atendimento imediato?
Antes de listar os sinais, vale uma observação sobre proporção. Enjoo e desconforto digestivo, os efeitos mais comuns da semaglutida, atingem uma parcela grande de quem usa a caneta, enquanto a NOIA aparece em até uma pessoa em 10 mil. Conhecer o sinal de alerta serve para agir rápido caso ele apareça.
A orientação da Anvisa é direta. Perda repentina de visão, visão turva ou piora rápida da visão durante o tratamento com semaglutida pedem avaliação médica imediata, porque podem estar relacionadas à NOIA.
O detalhe que faz diferença é que a perda costuma ser indolor e atingir um olho só, o que retarda a percepção. Tampar um olho de cada vez, quando surge a dúvida, ajuda a notar a diferença entre os dois.
Se a NOIA for confirmada, a orientação em bula é interromper o tratamento com semaglutida. Essa decisão, assim como a escolha de outro tratamento depois, é do médico.
E os outros efeitos da classe?
A NOIA não é o único risco raro que aparece nas bulas. Em pessoas com diabetes já em tratamento com insulina e com retinopatia diabética conhecida, uma melhora rápida da glicemia pode agravar temporariamente a retinopatia, o que exige acompanhamento oftalmológico mais de perto.
Existem ainda os alertas da classe sobre pancreatite e sobre tumores de tireoide observados em roedores.
Nada disso muda a recomendação básica. Exames em dia, consultas regulares e relato de qualquer sintoma novo são o que permite usar o medicamento com segurança, como reforçam as medidas recentes da Anvisa para as canetas.
O que cada autoridade concluiu
Estudos epidemiológicos
Em adultos com diabetes tipo 2, observaram risco cerca de 2 vezes maior entre usuários de semaglutida. Em números absolutos, isso corresponde a aproximadamente 1 caso adicional por 10 mil pessoas tratadas durante um ano.
Agência Europeia de Medicamentos (2025)
A agência Européia concluiu que a NOIA pode ocorrer com o uso de semaglutida, mas é um efeito adverso muito raro, com frequência de até 1 caso em 10 mil pessoas. A informação passou a constar nas bulas europeias.
Anvisa (2025)
Publicou um alerta após receber notificações de distúrbios oculares associados à semaglutida. A orientação é procurar avaliação médica rápida se houver perda súbita de visão, embaçamento ou piora importante.
Organização Mundial da Saúde (2025)
também chamou atenção para esse risco raro e reforçou a importância de reconhecer os sintomas cedo, principalmente porque a perda visual pode ser permanente.
Por que o acompanhamento médico faz diferença
A semaglutida continua sendo um tratamento que pode trazer benefícios importantes quando há indicação, mas o acompanhamento médico é parte da segurança do uso.
É ele que permite avaliar fatores de risco antes de começar, interpretar sintomas novos durante o tratamento e decidir se o medicamento deve ser mantido, ajustado ou interrompido.
No caso da NOIA, a mensagem principal não é evitar a semaglutida por medo, e sim saber reconhecer alterações visuais e procurar atendimento rápido se elas aparecerem.

