Sorli C, Harashima S, Tsoukas GM, et al. Semaglutida uma vez por semana em monoterapia versus placebo em pacientes com diabetes tipo 2 (SUSTAIN 1). Lancet Diabetes & Endocrinology, 2017;5(4):251-260. https://doi.org/10.1016/S2213-8587(17)30013-X30013-X)
Aviso Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.O que as duas canetas têm em comum
Ozivy e Semavy usam semaglutida produzida por síntese química, uma rota diferente da utilizada no Ozempic e no Wegovy, cuja molécula é produzida por biotecnologia. Apesar da diferença no processo de fabricação, a semaglutida que chega ao organismo tem a mesma estrutura em todos esses medicamentos.
As duas canetas têm concentração de 1,34 mg/mL e são aplicadas uma vez por semana por via subcutânea. O esquema de doses também é o mesmo: começa em 0,25 mg, passa para 0,5 mg após quatro semanas e pode chegar a 1 mg. Ambas exigem receita médica com retenção na farmácia.
A indicação aprovada também coincide: tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, associado a alimentação adequada e atividade física. Nem Ozivy nem Semavy têm indicação em bula para o tratamento da obesidade.
Os dados de eficácia usados como referência vêm dos grandes estudos já realizados com a semaglutida.
No SUSTAIN-1, a dose de 1 mg reduziu a hemoglobina glicada em 1,55 ponto percentual após 30 semanas. Já o SUSTAIN-6 registrou redução de 26% no risco de eventos cardiovasculares maiores.
Por que existem tantas semaglutidas nacionais?
A patente da semaglutida terminou no Brasil em março de 2026, o que abriu caminho para outros fabricantes produzirem a molécula. Como o Ozempic é um medicamento biológico, a regulação brasileira não prevê genérico dele, e as empresas seguiram por outro caminho.
Esse caminho é o da síntese química, que monta a molécula em laboratório, sem depender de células vivas. Foi assim que surgiram o Ozivy e o Semavy, registrados como medicamentos novos por uma via abreviada, que aceita a comparação com o produto já existente.
Com o Ozivy virando referência, abriu-se também espaço para genéricos e similares, que precisam comprovar equivalência com ele. É por isso que o mercado ganhou tantas marcas em poucos meses.
Onde elas se diferenciam
Categoria de registro
O Ozivy foi o primeiro sintético aprovado no país, em maio de 2026, e entrou na Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa em julho. Por isso, ele é a referência dos genéricos e similares nacionais, como o Semaclique.
O Semavy também entrou como medicamento novo, por via de desenvolvimento abreviado (ou seja, já com respaldo dos estudos feitos até então), mas não como referência de outros produtos.
Na prática, essa diferença não muda o tratamento, e sim a posição de cada um no mercado.
Preço
É o ponto que mais pesa hoje.
O Ozivy é vendido entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.
O Semavy chegou anunciando R$ 333 pela caneta de 1 mg pelo programa da fabricante, com valores a partir de R$ 278,89 no portal para cadastrados, e sai por cerca de R$ 465 sem o programa.
Dois cuidados ajudam a comparar direito. O primeiro é olhar a apresentação, porque a caneta de 1 mg rende quatro aplicações, o equivalente a um mês, enquanto a caneta de início cobre as primeiras semanas.
O segundo é confirmar o preço na farmácia, já que programas de desconto mudam com frequência.
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Apresentações
Ozivy e Semavy seguem um desenho parecido de apresentação. As duas marcas têm caneta de 1,5 mL para as doses de 0,25 mg e 0,5 mg e caneta de 3 mL para a dose de 1 mg. A principal diferença está no conteúdo das embalagens.
No Ozivy, a bula prevê caixas com uma ou duas canetas nos dois formatos. Já o Semavy é vendido com uma caneta por caixa, acompanhada de seis agulhas na apresentação de 1,5 mL e quatro na de 3 mL.
Na prática, essa diferença pode pesar na rotina de compra. A caixa dupla do Ozivy, por exemplo, pode ser mais conveniente para quem já está em uma dose estável e quer reduzir a frequência de idas à farmácia.
Para quem está no início do tratamento, a caneta de 1,5 mL reúne as doses mais baixas, de 0,25 mg e 0,5 mg. A passagem para 1 mg, porém, não acontece automaticamente: o aumento da dose depende da resposta ao tratamento, da tolerância aos efeitos colaterais e da orientação do médico.
Origem e fabricação
O Ozivy é fabricado pela EMS, com tecnologia própria de peptídeos. O Semavy é produzido pela Sun Pharmaceutical Industries, na Índia, e importado e registrado pela Cosmed, do grupo Hypera, que o comercializa sob a marca Mantecorp.
Os dois passaram pela mesma avaliação da Anvisa, que exige comprovação de qualidade, segurança e eficácia. O local de fabricação não indica diferença de qualidade entre eles.
Conservação
Aqui está a diferença prática mais relevante entre os dois.
A bula do Semavy permite que a caneta fique até seis semanas fora da geladeira depois de aberta, entre 15 °C e 30 °C. Já a bula do Ozivy determina geladeira também durante o uso, com validade de oito semanas depois de aberta.
Ou seja, o Ozivy dura mais tempo em uso, mas não sai da refrigeração em nenhum momento. O Semavy dá mais liberdade de rotina, com um prazo um pouco menor.
Antes de abrir, a regra é a mesma para os dois, com geladeira entre 2 °C e 8 °C, sem congelar e protegido da luz. Nos dois casos, vale anotar a data da primeira aplicação para controlar o descarte.
Essa informação pesa mais do que parece para quem viaja, trabalha fora ou mora longe da farmácia, porque define se a caneta precisa acompanhar bolsa térmica em todo deslocamento.
Qual das duas escolher?
Antes de tudo, a decisão deve sempre ser feita com orientação médica que vai avaliar seu histórico de saúde e objetivos.
Como a molécula, a dose e a indicação são iguais, não existe uma superior à outra do ponto de vista da eficácia esperada. Sendo assim, se o paciente for elegível para ambos o tratamento, a decisão tende a se apoiar em três pontos práticos.
- O custo por mês de tratamento, considerando a dose que você usa e não apenas o preço da caixa.
- A disponibilidade, porque nem toda farmácia tem as duas marcas e nem todas as apresentações.
- A rotina, em que conservação e número de canetas por embalagem fazem diferença.
Vale lembrar que trocar de marca no meio do tratamento não é automático e exige nova avaliação e receita médica, assunto detalhado em troca de caneta de semaglutida.
Ozivy e Semavy lado a lado
E as outras versões nacionais?
Além dessas duas, a Anvisa registrou em 2026 outras canetas de semaglutida, como Owozy, Seemasun, Zempneo e Orsema, além de dois genéricos e dos similares Semaclique e Yluméc. Boa parte ainda não chegou às prateleiras.
Quando chegarem, a tendência é de mais concorrência e preços menores, sobretudo entre os genéricos, obrigados por lei a custar pelo menos 35% menos que a referência.
O mapa atualizado de todas as versões da semaglutida você encontra no guia sobre o Ozempic genérico.
Para quem busca tratamento para obesidade, vale lembrar que nenhuma dessas versões tem essa indicação em bula, e que a prescrição com esse objetivo é uma decisão médica caso a caso.
O que lembrar:
- Ozivy e Semavy têm a mesma semaglutida sintética, a mesma concentração e a mesma indicação para diabetes tipo 2.
- O Ozivy chegou em junho de 2026, é a referência dos genéricos e similares nacionais e precisa ficar refrigerado também durante o uso.
- O Semavy chegou em setembro de 2026, é o mais barato dos dois e pode ficar até seis semanas fora da geladeira depois de aberto.
- Nenhum estudo comparou as duas canetas diretamente.
- A troca entre elas exige nova receita, porque um não é genérico do outro.
- Nenhuma das duas tem indicação para obesidade em bula.


