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O que é o Semaclique, a nova caneta de semaglutida

Registrado como similar do Ozivy, o Semaclique amplia as opções de semaglutida nacional para diabetes tipo 2. Veja como funciona e o que ainda falta para chegar às farmácias.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 6 min
Atualizado em 15 de setembro de 2026

Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

O Semaclique é uma caneta de semaglutida, substância que imita o GLP-1, hormônio liberado pelo intestino depois das refeições para estimular a produção de insulina e reduzir o apetite.

É por esse efeito sobre a glicose que a Anvisa o registrou, em 17 de agosto de 2026, para tratar adultos com diabetes tipo 2, em aplicação semanal e sempre com receita, já que o uso sem acompanhamento expõe a efeitos gastrointestinais e a outros riscos. A bula não inclui a obesidade, mas a mesma molécula já foi estudada para perda de peso, e médicos podem prescrevê-la com esse objetivo como uso off label.

Embora tenha a mesma molécula do Ozempic, o Semaclique percorreu outro caminho regulatório, porque é um similar do Ozivy, a semaglutida sintética da EMS, e ainda aguarda a definição de preço para chegar às farmácias.

O que é o Semaclique?

Por trás do nome está a Germed, laboratório do Grupo EMS responsável pelo registro, enquanto a comercialização ficará com a Brace Pharma, empresa do mesmo grupo.

A aprovação saiu no Diário Oficial da União no mesmo dia do primeiro genérico de semaglutida do país, e os dois produtos nasceram da mesma mudança no mercado, o fim da patente da semaglutida em março de 2026, que abriu espaço para a produção nacional da molécula.

Essa produção nacional tem uma particularidade que ajuda a entender o Semaclique. O Ozempic e o Wegovy usam semaglutida fabricada por tecnologia de DNA recombinante, dentro de células vivas, enquanto a EMS desenvolveu uma rota de síntese química, estreada com o Ozivy.

Como o Semaclique usa essa semaglutida sintética e teve o Ozivy como referência, a molécula que chega ao organismo tem a mesma estrutura das canetas já conhecidas, e por isso o modo de ação também se repete.

Como a semaglutida age no organismo?

Ao se ligar aos receptores de GLP-1, a semaglutida estimula a liberação de insulina principalmente quando a glicose está alta, o que reduz o risco de hipoglicemia quando ela é usada sem outros remédios para diabetes.

Ao mesmo tempo, diminui a produção de glucagon, hormônio que manda o fígado liberar açúcar no sangue, e faz o estômago esvaziar mais devagar, o que suaviza os picos de glicose depois das refeições.

Esse conjunto de efeitos explica por que a glicemia fica mais estável ao longo do dia. A ação no sistema nervoso central completa o quadro, já que a molécula atua em áreas do cérebro ligadas ao apetite e aumenta a sensação de saciedade.

Por isso, mesmo em pessoas tratadas apenas para diabetes, a perda de peso costuma aparecer como um efeito associado ao tratamento, o que leva à dúvida mais frequente sobre o Semaclique.

O Semaclique serve para emagrecer?

A bula do Semaclique não traz a indicação para obesidade, mas isso diz mais sobre o registro do que sobre a molécula. Cada indicação exige estudos específicos apresentados à Anvisa, e como o Ozivy, referência do Semaclique, foi registrado para diabetes tipo 2, as versões feitas a partir dele herdaram apenas essa indicação.

A substância dentro da caneta, por outro lado, é a mesma semaglutida que a ciência já estudou amplamente no tratamento da obesidade, e esses estudos mostram que a perda de peso acompanha a dose.

No STEP 1, que acompanhou 1.961 adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes, a semaglutida 2,4 mg, dose do Wegovy, levou a uma perda média de 14,9% do peso em 68 semanas, contra 2,4% no grupo placebo.

O STEP 200213-0), feito com 1.210 adultos com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2, comparou diretamente duas doses ao longo de 68 semanas e encontrou perda média de 9,6% com 2,4 mg e de 7,0% com 1 mg, a dose mais alta das canetas de semaglutida para diabetes disponíveis no Brasil, contra 3,4% no grupo placebo.

Esse resultado ajuda a entender por que médicos no Brasil prescrevem semaglutida registrada para diabetes com o objetivo de controlar o peso, o chamado uso off label.

Trata-se de uma prática médica reconhecida, que parte de uma avaliação individual e considera o índice de massa corporal, as doenças associadas, a dose adequada e uma expectativa realista de resultado, sempre com o paciente informado sobre o uso fora da bula.

As diferenças entre as canetas de cada indicação estão no artigo sobre qual emagrece mais, Wegovy ou Ozempic.

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Para que serve o Semaclique?

Pela decisão da Anvisa, o Semaclique é indicado para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, sempre como complemento da alimentação adequada e da atividade física.

Ele pode ser usado sozinho quando a metformina, primeira escolha no tratamento, não é adequada por intolerância ou contraindicação, ou em conjunto com outros medicamentos para diabetes.

O que dizem os estudos clínicos

Como é um similar, o Semaclique não precisou repetir os grandes estudos clínicos, e sua eficácia se apoia na equivalência com o Ozivy, que por sua vez foi avaliado em relação à semaglutida estudada no programa SUSTAIN.

No SUSTAIN-130013-X), publicado em 2017 no Lancet Diabetes & Endocrinology, 388 adultos com diabetes tipo 2 usaram semaglutida sem outros remédios para diabetes por 30 semanas. A hemoglobina glicada, exame que reflete a média da glicose dos últimos três meses, caiu 1,45 ponto percentual com 0,5 mg e 1,55 ponto com 1 mg, contra 0,02 ponto no grupo placebo.

No mesmo estudo, os participantes perderam em média 3,73 kg com 0,5 mg e 4,53 kg com 1 mg, contra 0,98 kg no grupo placebo.

O benefício também vai além da glicose. No SUSTAIN-6, que acompanhou 3.297 pessoas com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular por 104 semanas, morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC não fatal ocorreram em 6,6% do grupo semaglutida e em 8,9% do grupo placebo, uma redução de 26% no risco.

Qual a diferença entre Semaclique, Ozivy e genérico?

O mercado de semaglutida nacional passou a ter três categorias de registro, e entender cada uma ajuda a ler a embalagem da caneta.

O Ozivy é o medicamento de referência, aprovado em maio de 2026 depois de apresentar à Anvisa dados próprios de eficácia, segurança e qualidade. O genérico reproduz a referência e é vendido apenas pelo nome do princípio ativo.

Já o similar, caso do Semaclique e do Yluméc, também comprova equivalência, mas pode ter marca própria e diferir em excipientes, embalagem e rotulagem.

A diferença prática aparece no balcão da farmácia. O genérico pode substituir a referência quando cumpre os requisitos de intercambialidade, e o similar só pode fazer essa troca se a Anvisa o incluir na lista pública de similares intercambiáveis.

Os detalhes de cada versão registrada até agora, com datas e preços de referência, estão no nosso guia sobre o Ozempic genérico e as versões de semaglutida.

O Semaclique é o mesmo que o Ozempic?

A molécula é a mesma, mas o caminho regulatório é outro. O Ozempic é um medicamento biológico, e a regulação brasileira não prevê genérico de biológico, o que explica por que nenhuma das versões nacionais usa o Ozempic como referência.

O Semaclique chega com a mesma concentração e a mesma aplicação semanal da caneta da Novo Nordisk para diabetes, mas sua equivalência foi demonstrada em relação ao Ozivy, como explicamos no artigo sobre as diferenças entre Ozivy e Ozempic.

Quais são as doses e apresentações do Semaclique?

O Semaclique foi aprovado em solução injetável de 1,34 mg/mL, a mesma concentração do Ozivy e do Ozempic, em quatro apresentações.

Há embalagens com uma caneta de 1,5 mL, acompanhada de quatro ou seis agulhas, e embalagens com duas canetas de 3 mL, com oito ou dez agulhas. Cada apresentação tem prazo de validade de 24 meses, e o registro sanitário vale até agosto de 2036.

Nas canetas de semaglutida para diabetes, o tratamento costuma começar com 0,25 mg por semana durante quatro semanas, fase que serve para o corpo se adaptar e reduzir os enjoos, e depois sobe para 0,5 mg, podendo chegar a 1 mg conforme a resposta da glicemia.

Esse escalonamento das doses é definido pelo médico, que acompanha a tolerância e os exames ao longo das semanas.

A conservação também pede cuidado, porque as canetas precisam ficar na geladeira, entre 2 °C e 8 °C, antes e depois de iniciado o uso. A compra depende de receita em duas vias, com uma delas retida pela farmácia, regra que vale para todos os agonistas de GLP-1 desde 2025.

Quando o Semaclique chega às farmácias?

O registro sanitário é apenas uma etapa. Antes da venda, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) precisa definir o preço máximo, e até meados de setembro de 2026 nem a Germed nem a Brace Pharma haviam divulgado valores ou datas.

A mesma espera vale para os dois genéricos de semaglutida, da EMS e da Germed, e para o Yluméc, segundo similar do país.

A referência de preço mais próxima é o Ozivy, já à venda, que custa entre R$ 452 e R$ 498 por caneta. Os genéricos são obrigados por lei a custar pelo menos 35% menos que a referência, o que coloca o teto dos genéricos em R$ 293,80 e R$ 323,70, respectivamente.

Essa exigência, porém, não se aplica aos similares, cujo preço segue as regras gerais da CMED, então ainda não é possível estimar quanto o Semaclique vai custar.

Quais são os cuidados e as limitações?

Como acontece com qualquer semaglutida, é comum que o corpo precise de algumas semanas para se acostumar ao Semaclique. Os efeitos mais frequentes aparecem no estômago e no intestino, como enjoo, diarreia, prisão de ventre e dor abdominal, e costumam ser mais intensos no começo do tratamento ou quando a dose aumenta, diminuindo à medida que o organismo se adapta.

Alguns sinais, porém, merecem atenção imediata. A pancreatite é tratada como precaução, então uma dor abdominal forte e persistente deve ser avaliada por um médico o quanto antes.

O medicamento também não é indicado para quem tem alergia à semaglutida ou a algum componente da fórmula, e por isso vale contar ao médico todo o seu histórico antes de começar.

A decisão sempre é médica

Se você já usa outra caneta de semaglutida e pensa em trocar, o melhor caminho é conversar antes com quem acompanha o seu tratamento, porque a substituição depende da categoria de cada produto e da dose que você usa hoje.

Com esse acompanhamento, o Semaclique chega como mais uma opção de uma molécula que a medicina já conhece bem.

O que lembrar:

  • O Semaclique é uma caneta semanal de semaglutida sintética, registrada em 17 de agosto de 2026 como similar do Ozivy.
  • A indicação aprovada é diabetes tipo 2 em adultos, em doses que chegam a 1 mg por semana.
  • A bula não inclui obesidade, mas no STEP 2 a semaglutida 1 mg levou a perda média de 7,0% do peso em 68 semanas, e o uso para emagrecer é off label, com avaliação médica.
  • Similares podem ter marca própria, mas só substituem a referência se estiverem na lista de intercambiáveis da Anvisa.
  • A venda exige receita em duas vias e a caneta deve ficar na geladeira, entre 2 °C e 8 °C.
  • Preço e data de chegada às farmácias ainda dependem da CMED.

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Perguntas frequentes

Referências
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Sorli C, Harashima S, Tsoukas GM, et al. Semaglutida uma vez por semana em monoterapia versus placebo em pacientes com diabetes tipo 2 (SUSTAIN 1): estudo randomizado, duplo-cego, multinacional de fase 3a. Lancet Diabetes & Endocrinology, 2017. https://doi.org/10.1016/S2213-8587(17)30013-X30013-X)

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Marso SP, Bain SC, Consoli A, et al. Semaglutida e desfechos cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2. New England Journal of Medicine, 2016. https://doi.org/10.1056/NEJMoa1607141

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Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Semaglutida uma vez por semana em adultos com sobrepeso ou obesidade. New England Journal of Medicine, 2021. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2032183

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