
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Quando o assunto é tratamento com canetas de GLP-1, o preço costuma aparecer logo na conversa. E faz sentido: são medicamentos de uso contínuo e com impacto direto no orçamento.
Mas, quando falamos de saúde, olhar apenas para o valor da caixa pode levar a escolhas que custam caro depois: seja em resultado, segurança ou manutenção do peso perdido.
Hoje, existem alternativas ao Ozempic disponíveis no Brasil. O ponto central é entender que elas não são equivalentes entre si. Por isso, a escolha precisa ser feita junto com o médico, considerando objetivo do tratamento, resposta individual, dose necessária e custo mensal real.
Quais opções estão disponíveis atualmente
Olire (EMS)
Lançada em 2025, é a primeira caneta de emagrecimento produzida integralmente no Brasil. Seu princípio ativo é a liraglutida, a mesma substância do Saxenda.A aplicação é diária, diferente do Ozempic, que é semanal.Pode ser indicada para obesidade, sempre com prescrição médica e acompanhamento.
Saxenda (Novo Nordisk)
É a versão de referência da liraglutida para tratamento da obesidade, com estudos robustos e aprovação específica para esse fim.Também é de uso diário e apresenta boa eficácia, embora menor do que a semaglutida em doses para obesidade.
Victoza (Novo Nordisk)
Contém liraglutida, mas é aprovado no Brasil para diabetes tipo 2, não para obesidade.Em alguns casos, pode ser prescrito off-label, a critério do médico, quando há indicação clínica.
Trulicity (Eli Lilly)
Contém dulaglutida, outro medicamento da classe dos GLP-1.A aplicação é semanal, como o Ozempic, mas sua aprovação no Brasil é apenas para diabetes tipo 2. Para perda de peso, os estudos mostram uma potência menor quando comparada à semaglutida.
Extensior e Poviztra (Novo Nordisk em parceria com a Eurofarma)
São versões de semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic.Na prática clínica, muitos médicos já prescrevem essas opções como alternativas, dependendo da disponibilidade e do custo.Nesse grupo também entra o Wegovy, que é a versão da semaglutida aprovada especificamente para tratamento da obesidade, em dose terapêutica adequada.
Importante reforçar: mesmo quando o princípio ativo é o mesmo, a troca entre marcas ou apresentações deve sempre ser orientada pelo médico, que avalia dose, resposta clínica e tolerância individual.
Importante: o preço da caneta não igual ao custo do tratamento
Um erro comum é comparar apenas o valor da caixa. O que realmente importa é o custo mensal na dose eficaz.
Medicamentos de uso diário podem parecer mais acessíveis, mas isso muda quando se considera quanto tempo cada caneta dura na dose terapêutica.
Um exemplo com a liraglutida:
- Um kit com 3 canetas oferece cerca de 54 mg da substância
- Na dose máxima usual (3 mg por dia), isso cobre pouco mais de 18 dias
- Para completar um mês, o custo sobe e pode se aproximar — ou até ultrapassar — o de uma caneta semanal de semaglutida
Já a semaglutida (Ozempic, Wegovy ou equivalentes):
- Uso semanal
- Maior potência
- Custo mensal mais previsível
Por isso, médicos costumam avaliar custo mensal e custo-benefício, e não apenas o preço unitário.
Alternativas funcionam igual? A ciência diz que não
Todos esses medicamentos pertencem à classe dos GLP-1, mas a potência para perda de peso é diferente.
O estudo SUSTAIN 7, publicado na revista The Lancet, comparou diretamente semaglutida e dulaglutida:
- Semaglutida 1 mg: média de 4,6 kg de perda de peso
- Dulaglutida 1,5 mg: média de 3,0 kg no mesmo período
Já a liraglutida (Saxenda, Olire) costuma gerar uma perda média de cerca de 6% do peso corporal após 56 semanas, enquanto a semaglutida em dose para obesidade (Wegovy 2,4 mg) atinge médias de 12% a 15%, conforme os estudos da linha STEP.
Ou seja: todos funcionam, mas não entregam o mesmo resultado.
Optar por uma alternativa pode significar aceitar uma perda de peso mais lenta ou menos expressiva. Isso não é errado, desde que seja uma decisão informada e feita com acompanhamento médico.
Quando considerar uma alternativa pode fazer sentido
Com orientação médica, algumas situações justificam outras escolhas:
- Quando o custo ameaça a continuidade do tratamento
- Quando o objetivo principal é controle do diabetes, não perda de peso máxima
- Quando há boa resposta clínica a uma medicação menos potente
- Quando o paciente está iniciando o tratamento e precisa avaliar tolerância
Por outro lado, trocar apenas por economia, sem avaliação médica, pode comprometer resultados já conquistados.
O que muda com a chegada dos genéricos da semaglutida
A patente da semaglutida expira em março de 2026, após decisão do STJ. Com isso, diversos laboratórios brasileiros já desenvolvem versões genéricas ou similares.
A expectativa é de redução progressiva de preço, possivelmente entre 35% e 60% ao longo do tempo.Ainda assim, mesmo com genéricos, a prescrição e o acompanhamento médico continuam indispensáveis. Ajustes de dose podem ser necessários, e a troca nunca deve ser feita por conta própria.
Como conversar com seu médico sobre custo e opções
Essa conversa faz parte do cuidado e não deve ser constrangedora.
Algumas perguntas que ajudam:
- “Existe uma opção segura que funcione bem para mim e caiba no meu orçamento?”
- “Qual é o custo mensal real dessa medicação na minha dose?”
- “Se eu trocar, posso perder resultado?”
- “Há programas de desconto que você recomenda?”
O papel do médico é justamente ajudar a equilibrar segurança, eficácia e viabilidade a longo prazo.
Em tratamentos para obesidade, o barato pode sair caro.E o melhor tratamento é aquele que você consegue manter, com resultado, segurança e acompanhamento médico contínuo.
Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.




