
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Mesmo princípio ativo, mesmo fabricante e mesma via de administração. Então por que existem dois medicamentos? E, a pergunta que muita gente faz, qual emagrece mais?
A resposta curta: não existe o melhor, existe o mais adequado para cada situação. E quem determina isso não é o Google, nem quem já emagreceu, nem este artigo, é o médico, com base no seu histórico e nas suas necessidades. Mas entender as diferenças ajuda, então vamos a elas.
O que são Wegovy e Ozempic?
Ambos contêm semaglutida, um medicamento da classe dos agonistas de GLP-1. São fabricados pela Novo Nordisk e administrados por injeção subcutânea uma vez por semana.
A semaglutida é uma versão sintética de um hormônio que o corpo já produz naturalmente, o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Esse hormônio é liberado pelo intestino depois das refeições e tem papel importante na regulação do apetite e da glicemia.
A diferença fundamental não está na molécula, está no propósito de cada medicamento.
A diferença principal: para que foram aprovados
O Ozempic foi desenvolvido e aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2. A perda de peso? Um efeito colateral bem-vindo, mas não era o objetivo principal dos estudos que levaram à sua aprovação.
O Wegovy, por outro lado, passou por ensaios clínicos específicos para obesidade, os estudos STEP. Foi aprovado pela Anvisa em janeiro de 2023 especificamente para pessoas com obesidade (IMC igual ou acima de 30) ou sobrepeso (IMC igual ou acima de 27) que tenham pelo menos uma condição de saúde relacionada ao peso, como hipertensão ou pré-diabetes.
A chegada do Wegovy ao Brasil
Embora aprovado em 2023, o Wegovy só chegou às farmácias brasileiras em julho de 2024. Antes disso, quem buscava tratamento com semaglutida para obesidade e não tinha diabetes acabava usando Ozempic fora da indicação da bula, o chamado uso off-label.
Essa prática não é ilegal, mas envolve nuances importantes. E é exatamente por isso que o acompanhamento médico faz diferença: o profissional avalia qual medicamento, dentro das opções disponíveis, faz mais sentido para cada pessoa.
Como a semaglutida funciona no corpo
O mecanismo é elegante na sua simplicidade. A semaglutida imita o GLP-1, aquele hormônio que o intestino libera depois de comer. Só que a versão sintética dura muito mais tempo no organismo, cerca de uma semana, mantendo seus efeitos de forma constante. Enquanto isso, o GLP-1 natural tem uma ação de apenas cerca de dois minutos no organismo.
Ela reduz a fome, agindo em áreas do cérebro que controlam o apetite. Aumenta a saciedade, fazendo a pessoa se sentir satisfeita com menos comida. E retarda o esvaziamento gástrico, deixando a comida mais tempo no estômago e prolongando a sensação de estar cheio.
O resultado é uma redução natural da ingestão alimentar. Não é uma questão de força de vontade, é bioquímica trabalhando a favor do tratamento.
O que os estudos mostram sobre perda de peso
Os números dos ensaios clínicos são consistentes. No estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine, participantes usando semaglutida perderam em média 14,9% do peso corporal em 68 semanas. O grupo placebo perdeu apenas 2,4%. Mais impressionante: cerca de um terço dos participantes perdeu 20% ou mais do peso inicial.
Mas há outro dado importante, e menos divulgado. O estudo SELECT, também publicado em 2023, mostrou que a semaglutida reduziu em 20% o risco de eventos cardiovasculares maiores (infarto, AVC, morte cardiovascular) em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardíaca prévia, sem diabetes.
Isso mudou a conversa. A semaglutida deixou de ser “apenas” um medicamento para peso e passou a ser vista como tratamento com benefícios cardiovasculares comprovados.
Vale o alerta: esses são resultados médios de estudos controlados. O resultado individual pode ser diferente, para mais ou para menos.
E o efeito rebote?
Aqui está a parte que ninguém gosta de ouvir.
Estudos mostram que, ao interromper o tratamento, a maioria das pessoas recupera parte do peso perdido. Um levantamento apresentado na Obesity Week 2025 analisou uma base de dados de mais de 1,2 milhão de pessoas que usaram medicamentos GLP-1 e identificou 18.228 pacientes que haviam interrompido o tratamento depois de perder pelo menos 5% do peso. Nesse grupo, a maior parte recuperou mais da metade do peso perdido já no primeiro ano após a interrupção, um padrão consistente com o observado em outros levantamentos sobre o efeito rebote do Wegovy.
Isso não significa que o tratamento “não funciona”. Significa que a obesidade é uma doença crônica, como hipertensão ou diabetes. Parar a medicação sem outras mudanças é como parar o remédio de pressão e esperar que a pressão continue controlada.
O posicionamento da SBEM e da ABESO, de 2024, deixa isso claro: o tratamento farmacológico deve vir acompanhado de mudanças de estilo de vida, não como alternativa, mas em conjunto.
A boa notícia é que pesquisas da Universidade de Copenhague sugerem que pessoas que combinaram medicação com exercício físico regular, especialmente musculação durante o uso da caneta emagrecedora, tiveram muito mais sucesso em manter o peso depois da interrupção do tratamento.
Mitos comuns sobre Wegovy e Ozempic
O que vale lembrar:
- Wegovy e Ozempic contêm a mesma molécula, a semaglutida, mas foram aprovados para propósitos diferentes
- O Ozempic foi aprovado para diabetes tipo 2, e o Wegovy, especificamente para obesidade ou sobrepeso com comorbidade
- No STEP 1, a perda média de peso foi de 14,9% em 68 semanas; no SELECT, a semaglutida reduziu em 20% o risco de eventos cardiovasculares maiores
- A maior parte das pessoas recupera parte do peso perdido após interromper o tratamento, por isso a obesidade é tratada como doença crônica
- Combinar o tratamento com exercício físico, especialmente musculação, ajuda a manter os resultados depois da interrupção
- A escolha entre os dois medicamentos deve ser sempre uma decisão médica, baseada no histórico e nas necessidades de cada pessoa




