Mounjaro: valor e alternativas acessíveis para tratamento da obesidade

Por que o Mounjaro custa tão caro — e quais opções podem ser prescritas pelo médico.

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Aprovado por:

Time de Saúde Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 27/11/2025
Aviso importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

A notícia de que o Mounjaro pode levar à perda média de até 20% do peso corporal chamou atenção no Brasil e despertou esperança em muitas pessoas que enfrentam a obesidade. Pela primeira vez, um medicamento demonstrou resultados expressivos em estudos rigorosos.

No entanto, quando o médico prescreve o tratamento, a esperança esbarra em um obstáculo concreto: o valor do medicamento.

O preço do Mounjaro pode variar entre R$ 2.200 e R$ 2.800 por mês, dependendo da dosagem. Para 72 semanas de tratamento — o período dos estudos clínicos —, o custo total ultrapassaria R$ 40.000. Com esses números, é compreensível a sensação de frustração.

Muitos médicos, quando prescrevem o tratamento, ouvem a mesma pergunta: existe uma versão mais acessível? A resposta é complexa.

Não há genérico da tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) aprovado pela Anvisa, mas existem alternativas seguras que podem ser avaliadas pelo médico, conforme o caso.

Por que o Mounjaro é tão caro?

O preço elevado da tirzepatida se explica por alguns motivos, dá só uma lida nos fatores que acabam aumentando o preço de custo do medicamento:

  • Inovação farmacológica

O Mounjaro tem um mecanismo de ação duplo (GIP + GLP-1), o que exige uma produção mais complexa. Isso que dizer que ele age em dois sinais naturais do corpo que controlam fome, saciedade e metabolismo: o GIP e o GLP-1.

Parece complicado, mas a lógica é simples:

  • O GLP-1 é o hormônio que o intestino libera quando você come. Ele diz para o seu cérebro: “já está bom, pode parar de comer”. Também deixa o estômago esvaziar mais devagar, o que prolonga a sensação de barriga cheia.
  • O GIP é outro hormônio liberado durante as refeições. Ele melhora a resposta da insulina após comer e ajuda a regular o metabolismo. Em pessoas com obesidade, esse sistema costuma funcionar mal — e isso contribui para fome frequente e dificuldade de perder peso.
  • Investimento em pesquisa — grandes estudos como o SURMOUNT demandaram milhões de dólares para provar a eficácia e segurança da molécula.
  • Proteção de patente — a Eli Lilly detém exclusividade sobre a tirzepatida, o que impede a entrada de genéricos no mercado por enquanto.

Mas, embora ainda não exista um genérico da tirzepatida no Brasil, há outras alternativas seguras que os médicos podem considerar.

Semaglutida: uma alternativa com evidências científicas

Além do Mounjaro (tirzepatida), existem outras opções para perda de peso que podem ser prescritas por médicos, sendo a semaglutida a principal concorrente. Os medicamentos com esse princípio ativo mais conhecidos são:

  • Ozempic: aprovado para diabetes tipo 2, mas autorizado pela Anvisa para ser usando em alguns casos de obesidade, sempre com acompanhamento médico.
  • Wegovy: autorizado especificamente para obesidade, com dose de 2,4 mg semanal.

Ao contrário do Mounjaro, que age em GLP-1 e GIP, a semaglutida atua apenas no receptor GLP-1, promovendo saciedade e controle do apetite.

Semaglutida x tirzepatida: principais diferenças

A tirzepatida (Mounjaro) mostrou resultados superiores aos da semaglutida nos ensaios clínicos. No estudo SURMOUNT-1, o Mounjaro levou em média a 20,9% de redução de peso em 72 semanas nas doses mais altas, enquanto a semaglutida (Wegovy), no STEP 1, reduziu cerca de 14,9% no mesmo período.

Essa diferença pode significar 5 a 7 kg a mais de perda em uma pessoa de 100 kg.

A ação dupla do Mounjaro se traduz em maior probabilidade de atingir perdas de 15% a 20% do peso corporal — patamar semelhante ao de algumas cirurgias bariátricas leves. A semaglutida também é altamente eficaz, mas tende a entregar reduções de 10% a 15% na média.

Mesmo assim, a escolha não deve se basear apenas nos números: o médico avalia tolerância, efeitos colaterais, histórico clínico, disponibilidade das doses e, claro, custo.

Alguns fatores:

  • Custo no Brasil

O preço é um dos fatores mais decisivos para quem está avaliando medicamentos para emagrecer. No Brasil, os valores variam bastante conforme a dose, a apresentação e a disponibilidade no mercado — além de refletirem o investimento em pesquisa, a complexidade de produção e a patente que impede versões genéricas.

Preços médios atualizados:

  • Ozempic 1 mg: R$ 1.100 a R$ 1.400/mês
  • Wegovy 2,4 mg: R$ 1.800 a R$ 2.200/mês
  • Mounjaro (2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg): geralmente entre R$ 2.200 e R$ 3.000/mês, dependendo da dose e disponibilidade (As doses de 12,5 mg e 15 mg não chegaram ao mercado brasileiro.)
  • Efeitos colaterias

Os efeitos colaterais mais comuns em ambos incluem náusea, diarreia, constipação e, ocasionalmente, vômitos, principalmente nas primeiras 2 a 4 semanas. O escalonamento gradual das doses, sempre sob supervisão médica, ajuda a reduzir desconfortos.

Conclusão: tanto a semaglutida quanto a tirzepatida são tratamentos seguros e eficazes quando usados corretamente e com acompanhamento médico. A escolha ideal deve ser feita pelo médico considerando seu histórico clínico, metas de perda de peso, perfil de tolerância e orçamento.

Programas de acesso e cobertura de plano de saúde

A pergunta que todo paciente faz: meu plano vai cobrir? A resposta, infelizmente é: na maioria das vezes, não. A maioria dos planos de saúde privados no Brasil não cobre medicamentos para tratamento de obesidade.

  • Planos privados: geralmente não cobrem medicamentos para obesidade. Cobertura obrigatória da ANS se limita a procedimentos e consultas, não inclui remédios.
  • Planos premium: em alguns casos, cobertura parcial é possível, mas restrita a doenças específicas (câncer, HIV, doenças raras). Obesidade não entra na lista.
  • Cobertura para diabetes tipo 2: Mounjaro tem aprovação para diabetes tipo 2. Se você tiver sobrepeso ou obesidade e diabetes, há maior chance de cobertura, mas depende da operadora.
  • Reembolso parcial: alguns planos oferecem 50-70% de reembolso. Para um medicamento de R$ 4.000, mesmo 50% ainda dá R$ 2.000 por mês – mais acessível, mas ainda alto.
  • SUS: o Sistema Único de Saúde não fornece Mounjaro nem outros GLP-1/GIP para obesidade. Só há acesso a tratamento multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, psicólogo) e cirurgia bariátrica para casos específicos.

Versões Internacionais e Importação

Comprar fora parece tentador, mas não é permitido sem autorização da Anvisa — a tirzepatida é de controle especial.

A aquisição irregular traz riscos sérios: o produto pode ser apreendido na alfândega, não atender aos padrões de qualidade e até colocar a saúde em perigo, já que o armazenamento inadequado compromete a segurança do medicamento.

Em resumo: a compra deve ser feita apenas com prescrição e dentro dos canais legais, sempre sob orientação médica e farmacêutica.

Mudanças no cenário brasileiro em 2025

O mercado de tratamentos para emagrecimento está em rápida transformação. A semaglutida deve ter genéricos disponíveis entre 2027 e 2030, o que pode reduzir o preço em até 70%. Já a tirzepatida tem patente mais longa, com versões genéricas previstas apenas após 2035.

Enquanto isso, novas medicações estão em fase avançada de estudo, como a retatrutida, que atua em três hormônios (GLP-1, GIP e glucagon), e a CagriSema, combinação de semaglutida com cagrilintida: ambas mostram resultados promissores em perda de peso e controle metabólico.

Quando essas novas opções chegarem ao mercado, a competição tende a pressionar os preços para baixo. Mais medicamentos disputando o mesmo mercado significa mais negociação, e mais opções para que médicos prescrevam de acordo com o poder aquisitivo de quem compra.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.
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Perguntas Frequentes

Referências
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  1. ABESO - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2022. https://abeso.org.br/diretrizes/