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Wegovy vs Mounjaro: qual emagrece mais?

O que os estudos clínicos dizem sobre cada medicamento.

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 19/03/2026
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Wegovy e Mounjaro são as duas opções mais discutidas para perda de peso com medicação, e quem está considerando o tratamento quer saber, com razão, qual entrega mais resultado.

Estudos clínicos trazem algumas respostas, mas a verdade é que todo resultado depende de inúmeros fatores pessoais: cada pessoa é um caso individual que precisa ser avaliado pelo médico.

Mas segue o texto que explicamos tudo que você precisa para poder conversar com seu médico.

Duas canetas, mecanismos diferentes

Antes dos números, vale entender o que cada medicamento faz, porque a diferença maior começa aqui.

O que é a semaglutida (Wegovy)

O Wegovy tem como princípio ativo a semaglutida, uma molécula que imita o hormônio GLP-1 (glucagon-like peptide-1), produzido naturalmente pelo intestino após as refeições.

Esse hormônio sinaliza saciedade para o cérebro, retarda o esvaziamento gástrico e ajuda a regular o açúcar no sangue. O Wegovy usa a semaglutida em dose mais alta do que o Ozempic, e por isso os dois não são intercambiáveis, mesmo sendo a mesma molécula.

O que é a tirzepatida (Mounjaro)

O Mounjaro contém tirzepatida, uma molécula mais recente que atua em dois receptores ao mesmo tempo: GLP-1 e GIP (glucose-dependent insulinotropic polypeptide).

O GIP é outro hormônio intestinal envolvido na regulação do apetite e do metabolismo. Essa ação dupla é o que diferencia o Mounjaro farmacologicamente e, segundo os estudos, também explica parte da sua vantagem em perda de peso.

O que os estudos dizem sobre perda de peso

SURMOUNT-5: o primeiro comparativo direto

Durante anos, médicos e pacientes compararam os dois medicamentos usando dados de estudos separados, o que não é ideal.

Em maio de 2025, o New England Journal of Medicine publicou o SURMOUNT-5, o primeiro ensaio clínico de fase 3b desenhado especificamente para comparar tirzepatida e semaglutida frente a frente, em adultos com obesidade sem diabetes tipo 2.

Os resultados foram claros. Após 72 semanas, quem usou tirzepatida perdeu em média 20,2% do peso corporal. Quem usou semaglutida, 13,7%. Em quilos, isso representa cerca de 22,8 kg versus 15,0 kg, respectivamente.

O estudo também mostrou que participantes do grupo tirzepatida tiveram maiores chances de atingir reduções de 10%, 15%, 20% e 25% do peso. Em todas as faixas, a tirzepatida ficou à frente. E a circunferência abdominal encolheu, em média, mais 5 cm no grupo da tirzepatida do que no grupo semaglutida.

O que mostram os dados de uso após os estudos

Os dados clínicos são confirmados por estudos observacionais, ou seja, pelo uso dos medicamentos por pessoas em tratamentos médicos convencionais.

Uma meta-análise publicada em 2025 no Journal of Clinical Medicine Research, reunindo dois ensaios randomizados e cinco coortes retrospectivas, encontrou que a tirzepatida produziu perda de peso significativamente maior que a semaglutida (diferença média de 4,23 pontos percentuais), independentemente do tipo de estudo ou da duração do tratamento.

A consistência entre dados de ensaios clínicos e mundo real fortalece a conclusão: em média populacional, a tirzepatida performa melhor para perda de peso.

Efeitos colaterais: são muito diferentes?

Ambos os medicamentos têm perfil de efeitos adversos predominantemente gastrointestinal: náuseas, constipação, diarreia, desconforto abdominal.

Esses sintomas tendem a aparecer nas primeiras semanas e costumam diminuir com a titulação gradual da dose. No SURMOUNT-5, entre 77% e 79% dos participantes dos dois grupos relataram ao menos um efeito adverso, praticamente igual.

A taxa de abandono por efeitos adversos foi ligeiramente menor no grupo tirzepatida (6% vs 8%). Pequena diferença, mas na direção contrária ao que se poderia presumir.

Existem diferenças relevantes em contraindicações específicas que o médico precisa avaliar caso a caso, como histórico de pancreatite e determinadas condições da tireoide, considerados antes da prescrição de qualquer um dos dois.

No Brasil: aprovações, receita e custo

O Wegovy foi aprovado pela Anvisa em janeiro de 2023 e chegou às farmácias brasileiras em agosto de 2024. Foi o primeiro análogo GLP-1 semanal aprovado no país especificamente para obesidade e sobrepeso com comorbidade.

O Mounjaro teve trajetória diferente. Estava disponível desde 2023, mas só com indicação para diabetes tipo 2. Em junho de 2025, a Anvisa aprovou o uso da tirzepatida também para controle crônico de peso, tornando o Mounjaro uma opção formal para pacientes com IMC igual ou acima de 30, ou a partir de 27 com pelo menos uma comorbidade associada.

A partir de 23 de junho de 2025, os dois passaram a exigir receita com retenção obrigatória na farmácia com validade de 90 dias. A mudança veio em resposta ao aumento de eventos adversos associados ao uso sem indicação médica adequada.

Qual a diferença de preço?

Em termos de custo, o Mounjaro varia entre R$ 1.400 e R$ 2.400 mensais dependendo da dose e do canal de compra. O Wegovy registrou queda de cerca de 20% após a entrada do Mounjaro no mercado.

Nenhum dos dois tem cobertura pelo SUS atualmente. O cenário pode mudar com a queda da patente da semaglutida (prevista para 2026) e a chegada de versões genéricas, esperadas entre o final de 2026 e início de 2027.

Então qual é melhor para mim?

Essa é a pergunta certa, e a resposta só um médico pode dar.

Metabolismo, tolerância aos efeitos adversos, histórico clínico, uso concomitante de outros medicamentos e capacidade de manter a dose ao longo do tempo: tudo isso influencia o resultado de cada pessoa.

Bruno Halpern, vice-presidente da ABESO (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), resumiu bem ao comentar o SURMOUNT-5: com mais opções disponíveis, é possível desenvolver estratégias de tratamento mais adaptadas a cada paciente.

Nenhum dos dois funciona como solução isolada. Todos os estudos que demonstraram esses resultados combinaram o medicamento com dieta hipocalórica e atividade física. O reganho de peso após descontinuação é documentado, o que reforça a importância de pensar no tratamento como parte de uma mudança mais ampla, acompanhada por um profissional.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

Voy Saúde
A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.

O Que Lembrar

Os dados clínicos apontam o Mounjaro como mais eficaz em perda de peso do que o Wegovy, em média, mas eficácia média não define a melhor escolha para cada pessoa. A decisão envolve histórico clínico, tolerância, custo e um plano de tratamento que vai além da caneta.


Perguntas Frequentes

Referências
icon¹

Aronne LJ et al. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-5). New England Journal of Medicinescribble-underline, 2025. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2416394

icon²

Aamir AB et al. Comparative Efficacy of Tirzepatide vs. Semaglutide in Reducing Body Weight in Humans: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Med Resscribble-underline, 2025;17(5):285-296. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12151102/

icon³

Jastreboff AM et al. Semaglutide vs Tirzepatide for Weight Loss in Adults With Overweight or Obesity. JAMA Internal Medicinescribble-underline, 2024. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11231910/

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ANVISA. Entra em vigor norma que prevê retenção de receita para medicamentos agonistas GLP-1 (IN 360/2025). Junho, 2025. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/entra-em-vigor-norma-que-preve-retencao-de-receita-para-medicamentos-agonistas-glp-1

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Agência Brasil. ANVISA aprova uso do medicamento Mounjaro para perda de peso. Junho, 2025. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-06/anvisa-aprova-uso-do-medicamento-mounjaro-para-perda-de-peso

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