
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Os estudos clínicos feitos com o medicamento Mounjaro (tirzepatida) mostram resultados expressivos, mas a resposta não cabe em um número por semana.
O ritmo depende da dose, do peso inicial e de como cada organismo responde. Este artigo explica o que os dados realmente mostram, fase a fase do tratamento.
A obesidade não é falta de força de vontade: é biologia
Antes de falar em números, vale entender por que emagrecer é tão difícil para tantas pessoas.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, influenciada por genética, hormônios, inflamação, histórico de dietas e ambiente alimentar.
O organismo possui mecanismos ativos para defender o peso atual, o que significa que dieta e força de vontade raramente são suficientes sozinhas.
É nesse contexto que medicamentos como o Mounjaro fazem diferença: eles atuam diretamente nos sistemas hormonais que regulam fome e saciedade, onde restrições alimentares não chegam.
Como a tirzepatida age no organismo
O Mounjaro contém tirzepatida, o primeiro medicamento que age simultaneamente em dois receptores hormonais: GLP-1 e GIP. Esses hormônios são liberados naturalmente pelo intestino após as refeições e sinalizam saciedade ao cérebro.
A tirzepatida imita esse combo hormonal de forma mais potente e duradoura do que os medicamentos que agem apenas no GLP-1, como a semaglutida.
Na prática, os efeitos são: maior saciedade com porções menores, redução do food noise (a frequência com que a mente volta à comida), desaceleração do esvaziamento gástrico e melhora do controle glicêmico.
Esse conjunto de ações é o que explica os resultados superiores nos estudos comparativos.
Para entender a diferença entre Mounjaro e semaglutida, veja Wegovy ou Ozempic: qual é melhor para emagrecer.
O que os estudos mostram sobre perda de peso com Mounjaro
O principal estudo sobre tirzepatida é o SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine em 2022.
Ele acompanhou 2.539 adultos por 72 semanas, com IMC médio de 38 e peso médio de 105 kg, usando doses escalonadas de 2,5 mg a 15 mg, com dieta estruturada, exercício supervisionado e consultas periódicas.
Os resultados após 72 semanas foram: 5 mg com perda média de 15% do peso, 10 mg com 19,5%, 15 mg com 20,9% e placebo com 3,1%. Foi o primeiro medicamento a atingir resultados próximos aos de cirurgia bariátrica leve sem procedimento cirúrgico.
Os percentuais representam médias. Por trás deles há variação individual significativa: algumas pessoas perdem mais, outras menos. O acompanhamento médico é o que permite ajustar a estratégia para cada caso.
Quantos quilos o Mounjaro emagrece semana a semana
O ritmo de perda não é linear e varia por fase do tratamento. Mais do que isso, varia de pessoa para pessoa (metabolismo, idade, condições de saúde, rotina, adesão ao tratamento, são muitas as variáveis).
Ainda assim, é possível ter uma ideia do que se esperar em cada etata do tratamento para emegracer com o Mounjaro.
Veja o que se observa nos estudos e na prática clínica:
Semanas 1 a 4 (dose 2,5 mg)
- A primeira fase é de adaptação. O corpo começa a desacelerar o esvaziamento gástrico, o apetite cai gradualmente e surgem pequenas mudanças comportamentais automáticas.
- A perda média é de 2 a 3 kg no mês, com alta variação individual.
- É também a fase com maior incidência de efeitos colaterais gastrointestinais.
Semanas 5 a 12 (doses 5 a 7,5 mg)
- Com a entrada nas doses eficazes, a resposta do organismo fica mais evidente.
- A perda acumulada média pode chegar a 6 a 8 kg, com velocidade de 0,5 a 1 kg por semana.
- O acompanhamento nutricional nessa fase acelera os resultados e ajuda a preservar a massa muscular.
Semanas 13 a 20 (doses 10 a 15 mg)
- Na fase terapêutica, o Mounjaro atinge sua potência máxima e a perda tende a se tornar mais estável e predominantemente de gordura.
- A perda acumulada média costuma ficar entre 12 e 16 kg.
- Nem todos os pacientes precisam chegar à dose máxima. A dose ideal é a que traz resultado com boa tolerância. As doses de 12,5 mg e 15 mg chegaram ao Brasil em março de 2026.
Veja mais sobre o protocolo de escalonamento em progressão de doses do Mounjaro.
Semanas 21 a 40 (platô e adaptação metabólica)
- Mesmo com tirzepatida, ninguém emagrece em linha reta. Platôs de 2 a 4 semanas são comuns e esperados, causados por adaptação metabólica, flutuação hormonal, retenção de líquidos e queda natural do gasto energético conforme o peso diminui.
- A perda acumulada nessa fase pode ser de 18 a 22 kg.
Semanas 41 a 72 (consolidação)
- Com adesão ao tratamento, o peso se estabiliza e a composição corporal continua melhorando.
- A perda média com 15 mg fica entre 20 e 22 kg, e muitos pacientes atingem perda acima de 20% do peso corporal inicial.
Por que duas pessoas usando Mounjaro perdem pesos diferentes
A dose utilizada é um dos maiores determinantes: 5 mg leva a ~15% de perda, 10 mg a ~19,5% e 15 mg a ~20,9%. Mas outros fatores têm impacto relevante.
A alimentação importa
A tirzepatida reduz a fome, mas não elimina o excesso calórico. Nos estudos, todos os participantes seguiram déficit de 500 kcal/dia. Quem mantém esse déficit e faz escolhas alimentares de qualidade preserva mais massa muscular e perde mais gordura.
O exercício físico regular não é bônus
Exercício é parte do resultado. Pacientes que treinam perdem mais gordura, preservam mais músculo e mantêm o metabolismo mais ativo. A diferença observada nos estudos é de 3 a 5 kg a mais em 72 semanas.
O peso inicial também influencia a perda absoluta: quanto maior o peso de partida, maior a perda em quilos. Uma pessoa de 130 kg pode perder ~27 kg; uma de 100 kg, ~21 kg. As porcentagens tendem a ser semelhantes, mas os números na balança diferem.
Isso significa que diagnóstico certo e acompanhamento médico são fatores que trazem maiores chances de resultados consistentes e duradouros.
O que lembrar:
- A tirzepatida produz perdas médias de 15% a 20,9% do peso corporal em 72 semanas, dependendo da dose.
- O ritmo não é linear: as primeiras 20 semanas costumam ser as mais rápidas, com 0,5 a 1 kg por semana, e depois desaceleram naturalmente. Platôs são esperados e fazem parte do processo, não indicam falha do tratamento.
- A dose, o peso inicial, a alimentação e a atividade física influenciam o resultado de forma significativa.
- A decisão de quando parar o medicamento, se chegar esse momento, precisa ser planejada com o médico: a recuperação de peso após a interrupção sem estratégia de manutenção é bem documentada nos estudos.

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