Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. 4.ed. São Paulo: ABESO, 2016. https://abeso.org.br/diretrizes/

Aviso importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Os estudos clínicos com o Mounjaro mostraram resultados consistentes de perda de peso, mas os números mudam conforme a fase do tratamento e o organismo de cada pessoa. Não existe um valor único que sirva para todo mundo, e qualquer promessa nesse sentido merece desconfiança.
O que existe são faixas bem documentadas. O estudo SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine em 2022, acompanhou 2.539 adultos por 72 semanas e registrou tanto o resultado final quanto o ritmo em que ele aconteceu.
Somando esses dados ao que se observa na prática clínica brasileira, é possível ter uma expectativa realista de quanto se perde em cada etapa.
Quantos quilos o Mounjaro emagrece por semana
Nas primeiras semanas a balança costuma se mover pouco, e o que muda primeiro é a fome. Essa etapa serve para o organismo se adaptar ao medicamento, e é comum que o número na balança fique abaixo do que se esperava no início.
O ritmo aumenta quando as doses eficazes entram em curso, a partir do segundo mês, e é aí que a perda pode ficar em torno de 0,5 kg a 1 kg por semana. Essa é a fase de queda mais visível de todo o tratamento, e também a que gera mais expectativa.
Com o tempo o ritmo desacelera de forma natural, passando para algo entre 0,1 kg e 0,3 kg semanais. Essa desaceleração não indica falha do tratamento nem perda de eficácia do medicamento. Ela acontece porque o corpo com menos massa gasta menos energia em repouso, e porque a diferença entre o que se consome e o que se gasta diminui conforme o peso cai.
Vale um cuidado com a leitura semanal isolada. A balança oscila por retenção de líquidos, ciclo hormonal e variação de sódio na alimentação, e essas flutuações chegam facilmente a 1 kg de um dia para o outro.
Uma semana sem queda cabe dentro de um tratamento que está funcionando, e a média de quatro semanas informa muito mais do que a diferença entre segunda e segunda.
Quantos quilos o Mounjaro emagrece em 1 mês
No primeiro mês, pode haver perda aproximada de 2 kg a 3 kg, com variação individual considerável. Esse número surpreende quem esperava mais, e a explicação está no desenho do tratamento.
Isso porque todo mundo começa com a mesma dose de partida, independentemente de qual será a dose de manutenção mais adiante. É uma fase de adaptação, em que o organismo se acostuma à tirzepatida e o principal efeito aparece na fome, não na balança.
O primeiro aumento de dose só entra depois da primeira etapa. A lógica por trás desse intervalo de quatro semanas entre cada aumento está detalhada no guia de progressão de doses do Mounjaro.
A partir do segundo mês
Somando os dois primeiros meses, a perda acumulada pode ficar em torno de 4 kg a 6 kg, lembrando que esse valor é uma estimativa do que foi observado nos estudos e prática clínica.
Ao final do terceiro mês, quando as doses eficazes já estão em curso há algumas semanas, a faixa de perda pode aumentar para de 6 kg a 8 kg.
São valores aproximados, e o intervalo largo reflete o quanto o resultado depende de fatores que vão além do medicamento. O ritmo não é uniforme entre as fases, e pode variar bastante conforme a resposta individual e o momento em que cada dose entra.
O que o estudo SURMOUNT-1 mostrou sobre perda de peso em 72 semanas
O principal estudo sobre tirzepatida acompanhou 2.539 adultos com índice de massa corporal médio de 38 e peso médio de 105 kg. O protocolo previa doses escalonadas a partir de 2,5 mg, alimentação estruturada com déficit de 500 kcal por dia, atividade física supervisionada e avaliações médicas periódicas ao longo de 72 semanas.
Considerando o efeito do tratamento quando seguido conforme planejado, os resultados foram de 16% de perda média na dose de 5 mg, 21,4% em 10 mg e 22,5% em 15 mg, contra 2,4% no grupo placebo, que recebeu uma substância sem princípio ativo. Para o peso médio dos participantes, os 22,5% representaram cerca de 24 kg.
Mais da metade dos participantes que chegaram à dose de 15 mg perdeu ao menos 20% do peso corporal. Ainda assim, todos esses percentuais são médias, e por trás delas há gente que perdeu bem mais e gente que perdeu bem menos.
É por isso que o acompanhamento médico importa, já que ele permite ajustar a estratégia quando a resposta individual foge do esperado.
Uma ressalva importante
Esses números. Eles vêm de estudos feitos com o medicamento industrializado, aprovado pela Anvisa, na apresentação e na dose testadas.
Versões manipuladas de tirzepatida não têm registro no Brasil e não foram avaliadas nesses ensaios, o que significa que nenhum dos percentuais citados aqui pode ser transposto para elas. A ausência de estudo envolve também a falta de garantia sobre pureza, concentração e estabilidade do produto.
Tizerpartida vs Semaglutida
Os números acima vêm do SURMOUNT-1, que comparou a tirzepatida com placebo. Existe também um ensaio que colocou os dois medicamentos frente a frente, o SURMOUNT-5, publicado em 2025 e com o mesmo período de 72 semanas.
Nele, a tirzepatida levou a 20,2% de perda média de peso contra 13,7% da semaglutida, o que em quilos representou 22,8 kg contra 15,0 kg. Os dois estudos adotam critérios de análise diferentes, então os percentuais não se comparam diretamente entre si, ainda que a direção do resultado seja a mesma.
A diferença ocorre porque a tirzepatida atua em dois receptores hormonais, GIP e GLP-1, enquanto a semaglutida age apenas no GLP-1.
Os resultados completos dessa comparação estão em Wegovy ou Mounjaro: qual emagrece mais.
Vale registrar que o mercado brasileiro mudou desde esses ensaios, com a chegada de genéricos de semaglutida, da versão em comprimido e de novas marcas. Isso amplia as opções disponíveis, mas não altera os dados de eficácia de cada princípio ativo, que continuam sendo os dos estudos originais.
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Evolução semana a semana
Primeiro mês, semanas 1 a 4
- Fase de adaptação: o esvaziamento gástrico desacelera, o apetite cai de forma gradual e surgem mudanças de comportamento automáticas, como deixar comida no prato.
- Pode haver perda aproximada de 2 kg a 3 kg no mês, com alta variação individual.
- É também a fase de maior incidência de desconforto gastrointestinal, assunto tratado em efeitos colaterais do Mounjaro. Quem quiser detalhe sobre essa etapa encontra no texto sobre o início do tratamento com a dose de 2,5 mg.
Segundo e terceiro mês, semanas 5 a 12
- Com a resposta do organismo mais estabelecida, a perda fica mais evidente e a maioria percebe mudança em roupas e em exames de rotina.
- A perda acumulada pode ficar em torno de 6 kg a 8 kg, com velocidade aproximada de 0,5 kg a 1 kg por semana.
- Com o apetite baixo, a ingestão de proteína tende a cair junto, e parte da perda pode vir de massa muscular. É a janela em que o acompanhamento nutricional e o treino de força mais rendem.
Quarto e quinto mês, semanas 13 a 20
- A perda tende a ficar mais estável e predominantemente de gordura.
- A perda acumulada pode ficar em torno de 12 kg a 16 kg.
- Nem todo mundo precisa chegar às doses mais altas, já que muitas pessoas atingem sua melhor resposta antes disso.
Do sexto ao nono mês, o platô
- Períodos de duas a quatro semanas sem queda na balança são comuns e esperados. Ninguém emagrece em linha reta.
- Acontecem por adaptação metabólica, flutuação hormonal, retenção de líquidos e queda natural do gasto energético conforme o peso diminui.
- A perda acumulada pode chegar a algo em torno de 18 kg a 22 kg, distribuída de forma irregular.
- Nessa fase, roupas e composição corporal informam melhor que o número na balança. Entender que o platô faz parte da curva evita a decisão mais cara do tratamento, que é abandonar no meio por achar que parou de funcionar.
A fase de consolidação
Nessa etapa, o foco começa a mudar: além de continuar perdendo peso, ganha importância sustentar os resultados e os hábitos construídos ao longo do tratamento.
Com o passar dos meses, a perda de peso tende a desacelerar e se aproximar de um platô. Isso não significa que o tratamento deixou de funcionar, mas que o ritmo de mudança já não é o mesmo observado no início.
Os participantes que receberam 15 mg de tirzepatida chegaram ao fim das 72 semanas com perda média de 22,5% do peso corporal, cerca de 24 kg considerando o peso médio inicial do grupo.
Por que duas pessoas perdem pesos diferentes
A dose utilizada é um dos determinantes mais claros, com 5 mg levando a cerca de 16% de perda, 10 mg a 21,4% e 15 mg a 22,5% nas 72 semanas do estudo. Mas a dose está longe de explicar tudo.
O peso inicial influencia diretamente a perda absoluta. Como os percentuais tendem a ser semelhantes entre pessoas diferentes, quem parte de um peso maior perde mais quilos.
Uma pessoa de 130 kg pode chegar perto de 29 kg eliminados, enquanto alguém de 100 kg fica em torno de 22 kg, e as duas terão perdido proporções parecidas do próprio corpo.
Idade, composição corporal de partida, condições de saúde associadas e histórico de dietas anteriores também entram na conta, e nenhum desses fatores é ajustável por conta própria.
É por isso que o diagnóstico correto e o acompanhamento ao longo do tratamento aumentam as chances de um resultado consistente.
O que a alimentação e o exercício mudam no resultado
A tirzepatida reduz a fome, mas não anula o excesso calórico. Nos estudos, todos os participantes seguiram um déficit de 500 kcal por dia, e quem manteve esse déficit com escolhas alimentares de melhor qualidade preservou mais massa muscular e perdeu proporcionalmente mais gordura.
O exercício físico entra na mesma lógica. A adesão ao plano alimentar e à atividade física influencia o resultado final, e os estudos foram desenhados com esses dois componentes fazendo parte do tratamento, não como acessório. Treino de força, em particular, ajuda a preservar massa muscular enquanto a gordura diminui.
Existe ainda um efeito menos óbvio. Quando o apetite diminui, fica mais fácil organizar refeições e construir padrões alimentares novos, e essa janela é o melhor momento para criar hábitos que sustentem o peso depois.
Cada corpo tem seu ritmo
O Mounjaro não produz uma perda de peso igual em todas as semanas nem em todas as pessoas. Os estudos mostram uma curva: o ritmo costuma ser menor no início, acelera nos meses seguintes e desacelera conforme o tratamento avança.
Mais importante do que perseguir um número por semana é acompanhar a evolução ao longo dos meses, respeitando a resposta individual e os ajustes definidos pelo médico.
O que lembrar:
- A partir do segundo mês, a perda pode ficar em torno de 0,5 kg a 1 kg por semana, desacelerando para 0,1 kg a 0,3 kg conforme o tratamento avança.
- No primeiro mês a média fica entre 2 kg e 3 kg, porque essa etapa é de adaptação ao medicamento.
- No SURMOUNT-1, a perda média em 72 semanas foi de 16% com 5 mg, 21,4% com 10 mg e 22,5% com 15 mg, contra 2,4% no placebo.
- Platôs de duas a quatro semanas fazem parte da curva e não significam falha do tratamento.
- Alimentação e atividade física faziam parte do protocolo dos estudos, e são o que sustenta o resultado depois.
- Todos os números são médias de estudo, e a resposta individual varia bastante.



