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Ozempic genérico: as versões de semaglutida que já chegaram ao Brasil

As versões nacionais já aprovadas, quanto custam, quem fabrica e o que muda com os primeiros genéricos registrados pela Anvisa.

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 5 min
Atualizado em 15 de setembro de 2026

Últimas atualizações

  • Não existe genérico do Ozempic, porque ele é um medicamento biológico.
  • Os genéricos e similares de semaglutida registrados no Brasil têm como referência o Ozivy, semaglutida sintética da EMS.Em agosto de 2026, a Anvisa registrou os dois primeiros genéricos, da EMS em 17 de agosto e da Germed em 24 de agosto, e os dois primeiros similares, o Semaclique, da Germed, em 17 de agosto, e o Yluméc, da EMS, em 31 de agosto.
  • Entre as versões nacionais, só o Ozivy, desde 15 de junho, entre R$ 452 e R$ 498, e o Semavy, desde 4 de setembro, a partir de R$ 333 por caneta na compra de três, estão à venda. Genéricos e similares ainda dependem da definição de preço pela CMED.Os genéricos precisam custar no mínimo 35% menos que o Ozivy, o que coloca o teto deles em R$ 293,80 e R$ 323,70.
  • Todas as versões nacionais de semaglutida são registradas para diabetes tipo 2. Para obesidade, as opções com registro são o Wegovy e o Poviztra, com semaglutida, o Mounjaro, com tirzepatida, e o Saxenda e o Olire, com liraglutida, que ganhou em setembro de 2026 o primeiro genérico com essa indicação.

Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.

A patente da semaglutida expirou em março de 2026, e a corrida das versões nacionais já produziu resultado.

Até meados de setembro de 2026, dez versões nacionais de semaglutida sintética tinham registro na Anvisa, e duas delas já estavam nas farmácias, o Ozivy, a partir de R$ 452, e o Semavy, a partir de R$ 333 por caneta na compra de três, contra os R$ 900 a R$ 1.300 que se pagava antes.

Só que nenhuma dessas versões é, tecnicamente, um genérico do Ozempic. O Ozempic é um medicamento biológico, feito a partir de organismos vivos, e a legislação brasileira não prevê genéricos para essa categoria.

Os genéricos registrados agora têm como referência o Ozivy, que é sintético, e é sobre eles que passa a valer a regra do desconto mínimo de 35%.

Nesse texto você vai saber quais versões já existem, quanto custam, quem as fabrica, por que não são genéricos do Ozempic e o que esperar dos preços.

O que é o Ozempic

A patente da semaglutida expirou em março de 2026, e a corrida das versões nacionais já produziu resultado.

Até o fim de agosto de 2026, dez versões nacionais de semaglutida sintética tinham registro na Anvisa, com a primeira delas, o Ozivy, nas farmácias a partir de R$ 452, contra os R$ 900 a R$ 1.300 que se pagava antes.

Em agosto o mercado acelerou: a Anvisa registrou os dois primeiros genéricos de semaglutida do país, da EMS no dia 17 e da Germed no dia 24, e os dois primeiros similares, o Semaclique, da Germed, e o Yluméc, da EMS.

Só que nenhuma dessas versões é, tecnicamente, um genérico do Ozempic. O Ozempic é um medicamento biológico, feito a partir de organismos vivos, e a legislação brasileira não prevê genéricos para essa categoria.

Os genéricos registrados agora têm como referência o Ozivy, que é sintético, e é sobre eles que passa a valer a regra do desconto mínimo de 35%.

Nesse texto você vai saber quais versões já existem, quanto custam, quem as fabrica, por que não são genéricos do Ozempic e o que esperar dos preços.

O que é o Ozempic

O Ozempic é o nome comercial da semaglutida, desenvolvida pela Novo Nordisk e aprovada pela Anvisa em 2018 para tratamento do diabetes tipo 2.

O mecanismo do medicamento consiste em imitar o GLP-1, um hormônio intestinal que sinaliza saciedade ao cérebro, estimula a liberação de insulina e retarda o esvaziamento do estômago. É exatamente por isso que quem usa o medicamento tende a perder peso.

O preço elevado tinha uma lógica clara: enquanto a patente estava ativa, a Novo Nordisk era a única empresa autorizada a produzir a molécula no Brasil. Nesse cenário, com pouca ou nenhuma concorrência, os preços tendem a permanecer mais altos.

Ao mesmo tempo, esse valor também reflete anos de investimento em pesquisa, desenvolvimento e estudos clínicos necessários para comprovar a eficácia e a segurança do medicamento.

Por que não existe "genérico" do Ozempic (e o que existe no lugar)

Aqui está o ponto que quase toda reportagem sobre o tema erra, e que muda o que se pode esperar de preço. Nenhuma das versões nacionais de semaglutida é um genérico do Ozempic, e nenhuma delas é biossimilar. O que existe são análogos sintéticos registrados como medicamento novo, mais dois genéricos e dois similares, todos usando o Ozivy como referência.

Explicando melhor, o Ozempic é um medicamento biológico, ou seja, produzido a partir de organismos vivos, por fermentação e manipulação genética. Moléculas assim são grandes e complexas, e duas fabricações nunca saem exatamente iguais.

Reproduzir a fórmula de forma idêntica é tecnicamente impossível, e é por isso que a legislação brasileira não prevê a categoria genérico para produtos biológicos.

Como isso afeta o preço dos novos medicamentos

A consequência prática é direta: a Lei 9.787/1999, que obriga um genérico a custar no mínimo 35% menos que o medicamento de referência, não se aplica ao Ozempic. Quem espera esse desconto automático sobre o preço do Ozempic vai se frustrar.

Essa regra continua valendo para o Ozempic. O que mudou em agosto de 2026 é que o Brasil passou a ter genéricos de semaglutida por outra porta: quando a Anvisa incluiu o Ozivy na Lista de Medicamentos de Referência, em julho, abriu caminho para genéricos e similares do produto sintético. Foi exatamente o que aconteceu a partir de 17 de agosto.

Os dois caminhos que existem no lugar do genérico

O primeiro é o biossimilar, uma versão desenvolvida também por via biológica, que precisa provar em estudos próprios que tem qualidade, segurança e eficácia comparáveis ao original.

Não é cópia idêntica, é equivalência demonstrada. O desconto estimado para biossimilares gira em torno de 20%, e entre todos os pedidos que a Anvisa analisa, apenas dois seguem esse caminho.

O segundo é o análogo sintético, em que a molécula é construída por síntese química, sem organismos vivos, reproduzindo a estrutura do produto biológico.

O resultado é a mesma substância, produzida de outro jeito. Foi por essa via que o Ozivy entrou, registrado como medicamento novo. E medicamento novo não tem desconto mínimo obrigatório em relação ao de referência.

Ou seja, a maior parte dos produtos que estão chegando não está legalmente obrigada a ser mais barata. O que derruba o preço é a concorrência, e ela já começou a funcionar.

Os primeiros genéricos e similares chegaram em agosto

A decisão foi tomada pela Anvisa em 13 de agosto de 2026 e publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira seguinte, dia 17.

O genérico é da EMS, enquanto o similar, chamado Semaclique, é da Germed. Os dois usam a semaglutida como princípio ativo e têm como medicamento de referência o Ozivy, não o Ozempic.

Na prática, isso significa que os dois medicamentos foram aprovados para a mesma indicação do Ozivy: tratar diabetes tipo 2 em adultos que não conseguem controlar adequadamente a doença, sempre junto com dieta e atividade física.

O genérico chega em quatro apresentações, todas com 1,34 mg/mL de semaglutida. O medicamento é fornecido em uma caneta preenchida, descartável e com várias doses. Há opções com 1,5 mL e uma caneta ou 3 mL e duas canetas, acompanhadas das respectivas agulhas.

O Semaclique foi aprovado com as mesmas apresentações. Os dois registros são válidos por dez anos a partir da publicação.

O movimento não parou aí. Em 24 de agosto, o Diário Oficial publicou o registro de um segundo genérico, este da Germed, também sem nome comercial e com o Ozivy como referência.

Em 31 de agosto foi a vez do Yluméc, da EMS, o segundo similar do país. Em duas semanas, o Brasil passou a ter dois genéricos e dois similares de semaglutida registrados.

Entendendo a concorrência

Vale um detalhe que ajuda a entender o tamanho real da concorrência: a Germed pertence ao mesmo conglomerado da EMS, e o próprio Ozivy foi usado como referência para o registro do Semaclique.

Na prática, o medicamento de referência, os dois genéricos e os dois similares saíram todos do mesmo grupo farmacêutico.

Aqui vale um alerta: os genéricos não serão vendidos com nome de marca. Pela Lei 9.787/1999, genéricos são comercializados apenas pelo nome do princípio ativo, então esses produtos chegarão às farmácias como semaglutida da EMS e semaglutida da Germed, com a identificação de genérico na embalagem.

Similares têm nomes comerciais

Ambos os medicamento são similares e por isso têm nome comercial próprio.

Essa diferença de categoria também pesa na farmácia, já que o genérico pode substituir o medicamento de referência, desde que cumpra os requisitos de intercambialidade definidos pela Anvisa.

Enquanto o similar só pode ocupar o lugar da referência quando a agência o classifica como intercambiável, e um genérico e um similar, em regra, não são trocados diretamente entre si.

Por isso, trocar uma caneta por outra, mesmo com a mesma semaglutida, é uma decisão que passa pelo médico que acompanha o tratamento, que considera a dose, a indicação e a tolerância de cada paciente.

Diferença de valores

A diferença prática mais relevante está no preço. Diferentemente dos análogos sintéticos registrados como medicamentos novos, o genérico é obrigado por lei a custar, no mínimo, 35% menos que o medicamento de referência. É a primeira vez que o desconto mínimo obrigatório entra na conta da semaglutida no Brasil.

Com o Ozivy vendido entre R$ 452 e R$ 498 por caneta, a regra aponta para algo na faixa de R$ 293 a R$ 323, mas esse número é uma projeção.

O desconto legal incide sobre o preço aprovado pela CMED, e não sobre valores de programas promocionais dos fabricantes, então o valor de prateleira só vai se confirmar quando a câmara publicar o preço. Nem a EMS nem a Germed divulgaram data de lançamento.

As versões da semaglutida sintética já aprovadas no Brasil

Até o fim de agosto de 2026, dez versões nacionais de semaglutida sintética tinham registro na Anvisa.

As seis primeiras entraram como medicamentos novos, por desenvolvimento abreviado. As quatro últimas vieram por vias diferentes, duas como genéricos e duas como similares, todas usando o Ozivy como referência. A distinção importa porque só os genéricos têm desconto obrigatório por lei.

Ozivy (EMS)

Foi a primeira, aprovada em 26 de maio de 2026, e a primeira a chegar às farmácias, em 15 de junho, a partir de R$ 452 por caneta.

Em 10 de julho, a Anvisa a incluiu na Lista de Medicamentos de Referência, tornando-a o padrão contra o qual futuros genéricos e similares serão comparados.

Para saber mais leia o artigo: Ozivy é genérico do Ozempic? Entenda as diferenças.

Owozy (Ávita Care)

Aprovada em 29 de julho de 2026, produzida pela Ávita Care. Como as demais aprovadas nessa data, tem registro para diabetes tipo 2 e ainda não tem preço nem data de lançamento definidos, que dependem da aprovação de preço na CMED antes de chegar à farmácia.

Seemasun (Sun Farmacêutica)

Aprovada em 29 de julho de 2026, da Sun Farmacêutica do Brasil, braço nacional da indiana Sun Pharma. Registro para diabetes tipo 2, sem preço ou lançamento divulgados até o momento.

Zempneo (Brainfarma, grupo Hypera)

Aprovada em 29 de julho de 2026, produzida pela Brainfarma, do grupo Hypera Pharma. É uma das duas versões do grupo Hypera aprovadas na mesma data. Registro para diabetes tipo 2, ainda sem preço definido.

Semavy (Cosmed, grupo Hypera)

Registrado em 29 de julho de 2026 como medicamento novo, para diabetes tipo 2, é comercializado pela Mantecorp e chegou às farmácias em 4 de setembro. A caneta de 1 mg custa cerca de R$ 464,80 avulsa e R$ 333 por unidade na compra de três, pelo programa de descontos da fabricante.

Orsema (Ranbaxy)

Aprovada em 29 de julho de 2026, da Ranbaxy Farmacêutica. Registro para diabetes tipo 2, sem preço ou data de lançamento divulgados.

Semaglutida EMS (genérico)

Registrada em 17 de agosto de 2026, é o primeiro genérico de semaglutida do país e tem o Ozivy como referência, não o Ozempic.

Não terá nome de marca, porque genéricos são vendidos pelo nome do princípio ativo, e é obrigada por lei a custar no mínimo 35% menos que sua referência. Registro para diabetes tipo 2, sem preço aprovado pela CMED nem data de lançamento.

Semaclique (Germed)

Registrado em 17 de agosto de 2026, é o primeiro medicamento similar de semaglutida do Brasil, também com o Ozivy como referência, e é comercializado pela Brace Pharma, outra empresa do grupo.

Chega nas mesmas quatro apresentações de 1,34 mg/mL, em cartuchos de 1,5 mL e 3 mL com canetas aplicadoras e agulhas, e o registro é válido até agosto de 2036.

Com ele, a Germed passa a ter um similar e um genérico de semaglutida. Registro para diabetes tipo 2, sem preço aprovado pela CMED nem data de lançamento.

Semaglutida Germed (genérico)

Registrada em 24 de agosto de 2026, é o segundo genérico de semaglutida do país, também com o Ozivy como referência. Como todo genérico, não tem nome comercial e é obrigada por lei a custar no mínimo 35% menos que a referência.

Chega nas mesmas quatro apresentações de 1,34 mg/mL, em cartuchos de 1,5 mL e 3 mL com canetas aplicadoras e agulhas. Com esse registro, a Germed passa a ter um similar e um genérico de semaglutida. Registro para diabetes tipo 2, sem preço aprovado pela CMED nem data de lançamento.

Yluméc (EMS)

Registrado em 31 de agosto de 2026, é o segundo similar de semaglutida do país e também tem o Ozivy como referência. Chega em quatro apresentações de 1,34 mg/mL, em cartuchos de 1,5 mL e 3 mL com canetas aplicadoras e agulhas, e o registro é válido até 2036.

Como similar, tem nome comercial próprio, mas não está sujeito ao desconto mínimo obrigatório que vale para o genérico. Registro para diabetes tipo 2, sem preço aprovado pela CMED nem data de lançamento.

Semaglutida para diabetes e para obesidade: por que não é a mesma receita

Aqui está a distinção que mais confunde, e ela vale para todas as versões nacionais. Semaglutida é o princípio ativo, mas o mesmo princípio ativo aparece em produtos com indicações diferentes, porque o que muda é a dose e o registro.

O Ozempic e todas as versões nacionais registradas até agora (as seis registradas como medicamento novo, os dois genéricos e os dois similares) são indicados para diabetes tipo 2, em doses de até 1 mg por semana.

O Wegovy, embora use a mesma semaglutida, é registrado para obesidade e sobrepeso com comorbidades, numa dose mais alta, de 2,4 mg por semana. São a mesma molécula em concentrações e finalidades distintas, o que a Anvisa trata como registros separados.

A consequência prática é direta: nenhuma das versões nacionais aprovadas até agora tem indicação para emagrecimento. Usar uma delas com esse objetivo seria uso off-label, ou seja, fora da bula, o que não é ilegal, mas é uma decisão que cabe ao médico.

Para obesidade com indicação aprovada, os medicamentos no Brasil seguem sendo o Wegovy (semaglutida 2,4 mg) e o Mounjaro (tirzepatida). Uma versão nacional de semaglutida para obesidade exigiria um registro novo, com estudos de doses mais altas, como detalhamos no comparativo entre Wegovy e Mounjaro.

Quanto custa a semaglutida hoje no Brasil

Os valores a seguir são referências de mercado observadas em julho e agosto de 2026. Variam conforme a dose, a rede de farmácia e os programas de desconto, então o preço final é sempre o da farmácia no dia da compra.

O Ozempic, que antes da queda da patente custava entre R$ 929 e R$ 1.308 por mês, hoje é encontrado na maioria das dosagens entre R$ 950 e R$ 1.400 por caneta.

O Ozivy chegou a partir de R$ 452, e as doses de início de tratamento com semaglutida, considerando as marcas já disponíveis, são encontradas entre R$ 399 e R$ 599. O Ozivy tem ainda condições de entrada pelo programa da EMS.

Os genéricos registrados em agosto são obrigados a custar no mínimo 35% menos que o Ozivy, sua referência, o que coloca o teto deles em R$ 293,80 e R$ 323,70. O valor exato depende da CMED.

Em setembro de 2026, o Ozempic aparecia entre R$ 975, nas doses de 0,25 mg e 0,5 mg, e R$ 999, na de 1 mg, pelo programa de preços da própria fabricante no comércio eletrônico.

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O que esperar dos preços daqui pra frente

Sem obrigação legal de desconto para os análogos sintéticos, a queda de preço depende da concorrência. E há um precedente recente e muito próximo que mostra como isso costuma se desenrolar.

A liraglutida, molécula da mesma classe presente no Victoza e no Saxenda, perdeu a patente no fim de 2024. Em agosto de 2025, a EMS lançou as versões similares Olire e Lirux, e no primeiro mês as vendas totais de liraglutida no país cresceram 154,5%, com os produtos da EMS representando mais da metade do mercado.

O ciclo deu mais um passo em 8 de setembro de 2026, quando a Anvisa registrou os dois primeiros genéricos de liraglutida, também da EMS. O que tem como base o Olire mantém a indicação para obesidade, diferente das semaglutidas nacionais, e o que tem como base o Lirux segue voltado ao diabetes tipo 2. Preço e data de chegada às farmácias ainda não foram divulgados.

O mais revelador foi o que não aconteceu: a chegada dos similares não derrubou as vendas da Novo Nordisk. O mercado simplesmente cresceu, absorvendo uma demanda que já existia mas não se concretizava por causa do preço.

Para a semaglutida, projeções de mercado apontam quedas de 50% a 60% em até dois anos, conforme mais fabricantes entram. São estimativas baseadas em precedentes, não garantias, e o ritmo depende de quantos produtos a Anvisa aprovar.

A primeira evidência real já apareceu: o Ozivy chegou a menos da metade do que se pagava pelo Ozempic antes da concorrência, sem nenhuma obrigação legal de desconto. Com os genéricos, o desconto mínimo passa a ser obrigatório pela primeira vez.

As novas semaglutidas são menos eficazes?

Não. A eficácia da semaglutida vem da molécula, e todo medicamento com registro na Anvisa passou pelas exigências de eficácia, segurança e qualidade da agência, independentemente do fabricante ou do preço.

No caso do Ozivy, a análise incluiu estudos de imunogenicidade, que avaliam se o organismo pode produzir anticorpos contra o medicamento, controle de impurezas do processo de produção e métodos de análise molecular. Os genéricos, o Semaclique e o Yluméc precisaram comprovar equivalência ao Ozivy, que é o medicamento de referência.

O que muda entre marcas são os excipientes, substâncias inativas da fórmula, o design da caneta e as condições de conservação. O que não tem garantia é a semaglutida manipulada, que não é similar nem genérico, não passou por esses testes e é proibida no Brasil.

Semaglutida manipulada não entra nessa conta

Enquanto os produtos aprovados chegam ao mercado, farmácias de manipulação continuam ofertando semaglutida a preços mais baixos. É um risco real que precisa ser nomeado.

A diferença fundamental é que apenas os medicamentos registrados passaram pelos testes de segurança e eficácia exigidos pela Anvisa.

Em agosto de 2025, a agência formalizou essa distinção com o Despacho 97/2025, que proibiu a manipulação de semaglutida no Brasil. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apoiou a medida, classificando-a como necessária para a proteção à saúde pública.

O que isso significa na prática: não há garantia de que a dose anunciada seja a dose real, não há controle sobre a pureza do ingrediente e não há estudos comprovando que o produto funciona.

A única forma segura de usar semaglutida é por meio de medicamentos com registro ativo na Anvisa.

Cuidado com Ozempic falsificado

Em outubro de 2024, a Novo Nordisk identificou canetas de insulina Fiasp readesivadas com rótulos de Ozempic no Rio de Janeiro, com casos isolados em Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e outras cidades.

Em junho do mesmo ano, a Organização Mundial da Saúde emitiu alerta global sobre lotes falsificados detectados no Brasil, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Uma pessoa que recebe insulina achando que está tomando semaglutida corre risco sério de hipoglicemia grave. Compre sempre com receita médica, em farmácias de confiança, e verifique a integridade da embalagem antes de aplicar.

Preço muito abaixo do mercado, venda por redes sociais e pagamento por Pix sem nota são sinais de alerta.

O medicamento é parte do tratamento, não o tratamento inteiro

Os genéricos vão democratizar o acesso ao medicamento, o que é uma mudança real e importante. Mas o que transforma perda de peso temporária em mudança sustentável é o acompanhamento profissional ao longo do tempo.

Os estudos clínicos com semaglutida, incluindo o SELECT, com quatro anos de seguimento, sempre associaram o medicamento a mudanças de estilo de vida: dieta com redução calórica e aumento de atividade física.

O que lembrar:

  • A patente da semaglutida expirou em março de 2026 e abriu a concorrência no Brasil.
  • Dez versões nacionais de semaglutida sintética têm registro na Anvisa: seis como medicamento novo (Ozivy, Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema), dois genéricos (da EMS e da Germed) e dois similares (Semaclique e Yluméc), todas para diabetes tipo 2.
  • Em agosto de 2026, a Anvisa registrou os dois primeiros genéricos, em 17 e 24 de agosto, e os dois primeiros similares, o Semaclique em 17 de agosto e o Yluméc em 31 de agosto, todos com o Ozivy como referência. Os genéricos devem custar no mínimo 35% menos que o Ozivy, o que aponta para a faixa de R$ 293 a R$ 323, ainda sem preço confirmado pela CMED nem data de venda.
  • Entre as versões nacionais, o Ozivy (desde junho, entre R$ 452 e R$ 498) e o Semavy (desde 4 de setembro, a partir de R$ 333 por caneta na compra de três) já estão nas farmácias. As demais ainda não têm preço nem data de lançamento.
  • Nenhuma é genérico do Ozempic: ele é biológico, e a lei brasileira não prevê genéricos para essa categoria. Os genéricos registrados têm como referência o Ozivy, que é sintético.
  • A queda de preço dos sintéticos vem da concorrência; a dos genéricos, também da lei. O precedente da liraglutida mostra o efeito: as vendas totais cresceram 154,5% no primeiro mês.
  • Para obesidade, Wegovy e Mounjaro seguem sendo os medicamentos com indicação aprovada. As versões nacionais são para diabetes.
  • Semaglutida manipulada não é genérico, é proibida pela Anvisa desde agosto de 2025 e não passou por testes de segurança e eficácia.

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Perguntas Frequentes

Referências
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  1. CNN Brasil. Genérico do Ozempic pode chegar no Brasil em 2026; entenda. Outubro de 2024. https://www.cnnbrasil.com.br/saude/generico-do-ozempic-pode-chegar-no-brasil-em-2026-entenda/
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  1. Associação Paulista de Medicina (APM). Ozempic: quando vai cair a patente e quanto vai custar no Brasil? Janeiro de 2025. https://www.apm.org.br/ozempic-quando-vai-cair-a-patente-e-quanto-vai-custar-no-brasil/
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  1. Brazil Journal. Ozempic 'genérico' poderia custar menos de US$ 1. Março de 2024. https://braziljournal.com/ozempic-generico-poderia-custar-menos-de-us-1/