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Conheça os principais estudos sobre a eficácia das canetas emagrecedoras

Um guia dos principais ensaios clínicos por trás da semaglutida e da tirzepatida com seus métodos resultados.

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 8 min
Atualizado em 07 de agosto de 2026
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Os principais estudos clínicos por trás dos medicamentos GLP-1 ajudam a entender de onde vêm os resultados de emagrecimento e o que eles realmente significam.

Ensaios como os estudos STEP 1, que avaliou a semaglutida, e SURMOUNT-1, que estudou a tirzepatida, mediram a eficácia e a segurança desses tratamentos em milhares de participantes.

O SURMOUNT-5 trouxe a primeira comparação direta entre as duas moléculas, enquanto o SELECT avaliou o impacto da semaglutida em eventos cardiovasculares.

Reunir esses estudos em um só lugar permite olhar além dos números de perda de peso: entender quem participou, como a pesquisa foi feita, quais resultados foram encontrados e quais conclusões a ciência realmente permite tirar.

Como entender um estudo sem ser especialista

Antes dos números, vale um mapa rápido. Um ensaio clínico bem feito divide os participantes por sorteio entre quem recebe o medicamento e quem recebe placebo, uma aplicação sem princípio ativo.

Por que os estudos usam placebo e sorteio dos participantes

Esse sorteio, chamado de randomização, existe para deixar os dois grupos parecidos em tudo, menos no tratamento. Assim, a diferença observada no final do estudo pode ser atribuída ao medicamento, e não a características diferentes entre os participantes ou ao acaso.

O placebo funciona como uma comparação de referência. Como todos os participantes costumam receber algum nível de acompanhamento e orientação para mudanças de rotina durante a pesquisa, parte da perda de peso pode acontecer mesmo sem o medicamento.

Por isso, os pesquisadores analisam principalmente a diferença entre quem recebeu o tratamento e quem recebeu placebo: ela mostra o efeito adicional que o remédio trouxe.

Por que a comparação com placebo é tão importante

A diferença entre o grupo que recebeu o medicamento e o grupo que recebeu placebo ajuda a responder uma pergunta essencial: quanto do resultado veio realmente do tratamento?

Sem essa comparação, seria mais difícil separar o efeito do medicamento de outros fatores que também influenciam a perda de peso, como acompanhamento médico, mudanças alimentares e maior atenção aos hábitos durante o estudo.

Média de peso em um estudo

Quando um estudo fala em uma perda média de 15%, isso não significa que todas as pessoas perderam exatamente esse valor. Trata-se de uma média: algumas pessoas perderam mais peso, enquanto outras perderam menos.

Os resultados dos estudos mostram o comportamento do grupo como um todo, mas a resposta individual pode variar de acordo com fatores como características do organismo, adesão ao tratamento e condições de saúde.

Vale lembrar também que esses medicamentos são análogos de GLP-1, uma classe de tratamentos que imita a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo corpo. Eles atuam principalmente aumentando a sensação de saciedade e ajudando no controle do apetite.

Por que um mesmo estudo pode apresentar números diferentes de perda de peso

Há ainda uma distinção técnica que muda os números e quase nunca aparece nas manchetes. Os ensaios costumam apresentar dois cálculos diferentes para o mesmo resultado.

Um deles considera todos os participantes que foram sorteados para receber o tratamento, inclusive aqueles que abandonaram o estudo no caminho. Esse cálculo é chamado de estimando de política de tratamento e tende a refletir melhor o que acontece na prática.

O outro estima qual teria sido o resultado se todos os participantes tivessem seguido o tratamento conforme planejado. Ele aparece como estimando de produto do ensaio ou estimando de eficácia e mostra o potencial do medicamento quando usado como previsto.

A diferença entre os dois pode ser relevante. No STEP 1, por exemplo, a perda média de peso foi de 14,9% pelo primeiro cálculo e de 16,9% pelo segundo.

Por isso, ao comparar estudos diferentes, é importante verificar se os números seguem a mesma metodologia. Comparar um resultado mais conservador de um medicamento com um resultado mais otimista de outro pode criar uma diferença que não representa a realidade.

STEP 1, a semaglutida na obesidade

O STEP 1 foi o ensaio que colocou a semaglutida 2,4 mg, o Wegovy, no mapa da obesidade. Foram 1.961 adultos com obesidade e sem diabetes, acompanhados por 68 semanas.

A perda média de peso ficou em 14,9% no grupo do medicamento, contra 2,4% no placebo, pelo estimando de política de tratamento, e em 16,9% pelo estimando de produto do ensaio.

É a referência para a semaglutida em quem não tem diabetes, e os resultados detalhados estão no texto sobre Wegovy para perda de peso.

SURMOUNT-1, a tirzepatida na obesidade

O SURMOUNT-1 fez o mesmo pela tirzepatida, o Mounjaro, também em pessoas com obesidade e sem diabetes, com 2.539 participantes ao longo de 72 semanas.

A perda dependeu da dose, com 16,0% na de 5 mg, 21,4% na de 10 mg e 22,5% na de 15 mg, todas pelo estimando de eficácia. O comportamento de cada dose está detalhado no artigo sobre o Mounjaro de 5 mg.

Um ponto que costuma se perder é que este estudo excluiu quem tinha diabetes, então o número de 22,5% vale para obesidade, e não para diabetes.

Quem quer entender o ritmo dessa perda ao longo das semanas encontra o desdobramento em quantos quilos o Mounjaro emagrece por semana.

SURMOUNT-5, as duas frente a frente

O SURMOUNT-5 respondeu à pergunta que os outros dois deixavam no ar, qual das duas emagrece mais, comparando-as diretamente em 751 adultos com obesidade e sem diabetes por 72 semanas. A tirzepatida levou a 20,2% de perda de peso, contra 13,7% da semaglutida.

É a comparação mais direta que existe hoje entre as duas moléculas, e a leitura completa desse confronto, com as ressalvas de indicação e perfil de paciente, está em Wegovy ou Mounjaro: qual emagrece mais.

SELECT, o efeito no coração

O SELECT deslocou o foco do peso para o coração. Foram 17.604 pessoas com obesidade ou sobrepeso e doença cardiovascular, mas sem diabetes, usando semaglutida 2,4 mg, com seguimento médio de cerca de 40 meses.

O medicamento reduziu em 20% o risco de eventos cardiovasculares graves, o conjunto que reúne infarto, AVC e morte de causa cardiovascular.

Foi o estudo que mostrou benefício além da balança, e o que a Anvisa reconheceu dessa evidência está em semaglutida e risco cardiovascular.

STEP UP, a dose de 7,2 mg

O STEP UP testou uma dose mais alta de semaglutida, 7,2 mg, em adultos com obesidade, por 72 semanas.

A perda média foi de 20,7% pelo estimando de produto do ensaio, contra 2,4% do placebo, superando a dose de 2,4 mg usada até então.

O estudo também trouxe à tona um efeito ainda pouco falado, a disestesia, uma alteração de sensibilidade com formigamento, mais frequente na dose alta.

Estudo
STEP 1 - Semaglutida 2,4 mg
SURMOUNT-1 - Tirzepatida 5 / 10 / 15 mg
SURMOUNT-5 - Tirzepatida vs semaglutida
SELECT- Semaglutida 2,4 mg
STEP UP - Semaglutida 7,2 mg
Condição
Obesidade sem diabetes
Obesidade sem diabetes
Obesidade sem diabetes
Obesidade ou sobrepeso com doença cardiovascular
Obesidade
Resultado principal
Perda média de 14,9% do peso corporal com semaglutida, contra 2,4% com placebo (grupo que não recebeu o medicamento).
Perda média de 16%, 21,4% ou 22,5% do peso corporal, dependendo da dose de tirzepatida usada. Doses maiores tiveram maior perda de peso média.
Tirzepatida levou a uma perda média de 20,2% do peso corporal, contra 13,7% com semaglutida após 72 semanas.
Semaglutida reduziu em 20% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, em pessoas com obesidade ou sobrepeso e doença cardiovascular.
Perda média de 20,7% do peso corporal com semaglutida 7,2 mg, contra 2,4% com placebo.
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Um cuidado para não misturar os números

Quando o tratamento é avaliado em pessoas com diabetes tipo 2, a perda média de peso costuma ser menor.

É o que aparece em estudos específicos para esse grupo, como o SURMOUNT-2, que registrou 15,7% de perda de peso com a dose de 15 mg de tirzepatida, além dos estudos das famílias SUSTAIN (semaglutida) e SURPASS (tirzepatida).

Um erro comum é pegar o maior número de um estudo com pessoas sem diabetes e aplicar para todos os casos, ou comparar resultados de grupos diferentes como se fossem iguais. Isso pode criar expectativas maiores ou menores do que a realidade.

Por isso, para entender o resultado de uma caneta de emagrecimento, é preciso olhar quem participou do estudo.

Pessoas com obesidade sem diabetes costumam ser comparadas aos resultados do STEP e do SURMOUNT. Já quem tem diabetes tipo 2 deve considerar os estudos feitos especificamente para esse perfil.

Essa diferença ajuda a criar uma expectativa mais realista sobre os resultados, já que a resposta ao tratamento varia conforme as características de cada pessoa.

O que lembrar:

  • STEP 1 (14,9%) e SURMOUNT-1 (até 22,5%) são as referências de perda de peso da semaglutida e da tirzepatida na obesidade, sempre em pessoas sem diabetes.
  • O SURMOUNT-5 comparou as duas de frente, com 20,2% contra 13,7% em 72 semanas.
  • O SELECT mostrou redução de 20% em eventos cardiovasculares graves, em pessoas com doença cardiovascular já estabelecida.
  • O STEP UP avaliou a dose de 7,2 mg de semaglutida e chegou a 20,7%, com mais relatos de alteração de sensibilidade.
  • Todo número só faz sentido junto da população estudada, e dados de obesidade não se misturam com dados de diabetes.
  • Comparar dois estudos exige conferir se o cálculo usado foi o mesmo, porque política de tratamento e eficácia produzem valores diferentes para o mesmo ensaio.
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Perguntas Frequentes

Referências
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Wilding JPH e colaboradores. Semaglutida 2,4 mg semanal em adultos com sobrepeso ou obesidade (STEP 1). New England Journal of Medicine, 2021. doi.org/10.1056/NEJMoa2032183

icon²

Jastreboff AM e colaboradores. Tirzepatida no tratamento da obesidade (SURMOUNT-1). New England Journal of Medicine, 2022. doi.org/10.1056/NEJMoa2206038

icon³

Aronne LJ e colaboradores. Tirzepatida em comparação com semaglutida no tratamento da obesidade (SURMOUNT-5). New England Journal of Medicine, 2025. doi.org/10.1056/NEJMoa2416394

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Lincoff AM e colaboradores. Semaglutida e desfechos cardiovasculares na obesidade sem diabetes (SELECT). New England Journal of Medicine, 2023. doi.org/10.1056/NEJMoa2307563

icon

Garvey WT e colaboradores. Tirzepatida no tratamento da obesidade em pessoas com diabetes tipo 2 (SURMOUNT-2). The Lancet, 2023. doi.org/10.1016/S0140-6736(23)01200-X

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Semaglutida 7,2 mg semanal em adultos com obesidade (STEP UP). The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2025. [DOI A CONFIRMAR ANTES DE PUBLICAR]