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Gordura visceral: o que é, riscos e como reduzir

As diferenças entre gordura visceral e subcutânea, seus riscos e o que mostram os ensaios clínicos.

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Aprovado por:

Dr. Earim Chaudry

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 6 min
Atualizado em 17 de agosto de 2026
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

A gordura visceral se acumula dentro da cavidade abdominal, ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestinos.

Diferentemente da gordura subcutânea, ela é metabolicamente ativa e libera ácidos graxos e substâncias inflamatórias que podem interferir na ação da insulina e favorecer doenças cardiovasculares.

Esse risco não aparece necessariamente na balança: pessoas com índice de massa corporal normal também podem apresentar acúmulo visceral elevado.

A circunferência abdominal é um dos principais indicadores usados no rastreio, enquanto sua redução costuma acompanhar o emagrecimento obtido com alimentação, atividade física e, quando indicado, tratamento medicamentoso sob acompanhamento.

O que é gordura visceral

A principal diferença está em onde esse tecido fica e em como ele se comporta no organismo.

A gordura visceral ocupa a cavidade intra-abdominal, envolvendo órgãos como fígado, pâncreas e intestinos, e apresenta maior atividade metabólica do que a gordura subcutânea.

O tecido visceral libera ácidos graxos livres na circulação que drena para o fígado e produz citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina-6 e o fator de necrose tumoral alfa. Essas substâncias contribuem para a resistência à insulina e para um estado de inflamação crônica de baixo grau.

A confusão entre os dois tipos é comum, porque ambos podem se acumular no abdômen. A subcutânea fica entre a pele e a musculatura (é aquela que pode ser pinçada com os dedos), e funciona como reserva energética e produz hormônios como leptina e adiponectina.

Já o tecido visceral fica atrás da musculatura abdominal e não pode ser visto ou apalpado com facilidade. Por isso, uma pessoa pode ter silhueta magra e ainda apresentar acúmulo visceral elevado, condição descrita na literatura como obesidade de peso normal.

Nesses casos, a distribuição da gordura pode ser mais informativa do que o número na balança, e é por isso que o rastreio se baseia em medidas. O quadro se conecta ao panorama mais amplo de sobrepeso e obesidade.

Por que a gordura visceral importa para a saúde

Resistência à insulina e diabetes tipo 2

A liberação constante de ácidos graxos livres sobrecarrega o fígado e o tecido muscular, que passam a responder pior à insulina. Esse quadro, conhecido como resistência à insulina, é um dos elos mais estudados entre obesidade abdominal e diabetes tipo 2.

Uma revisão dos estudos publicada na Nature, descreve o acúmulo abdominal como um dos determinantes do agrupamento de alterações metabólicas que define a síndrome metabólica.

Doença cardiovascular

Um posicionamento conjunto da International Atherosclerosis Society com o grupo de trabalho sobre obesidade visceral da International Chair on Cardiometabolic Risk concluiu que medidas de obesidade abdominal melhoram a predição de eventos cardiovasculares além do que o índice de massa corporal isolado oferece.

A inflamação gerada pelo tecido visceral acelera o processo de aterosclerose. A associação com infarto, acidente vascular cerebral e hipertensão é consistente entre populações, e o risco se mantém mesmo depois de ajustado para o índice de massa corporal.

Acúmulo de gordura no fígado

O fígado é o primeiro órgão a receber os ácidos graxos liberados pela gordura visceral.

A esteatose hepática associada à disfunção metabólica, antes chamada de doença hepática gordurosa não alcoólica, atinge cerca de 25% da população adulta mundial.

A redução da gordura visceral é um dos caminhos para reverter esse acúmulo, e a relação entre os dois tecidos está entre os focos das diretrizes atuais sobre doença hepática metabólica.

Como identificar o acúmulo visceral

A circunferência abdominal, medida com fita métrica na altura do umbigo, é o método prático mais aceito para o rastreio inicial.

O relatório de consulta de especialistas da Organização Mundial da Saúde adota 94 centímetros para homens e 80 centímetros para mulheres como valores a partir dos quais o risco de complicações metabólicas aumenta.

Importante: esses cortes valem para adultos de origem europeia, e o mesmo documento registra que variam conforme a etnia.

Para além da fita métrica, existem outros recursos. A bioimpedância segmentada estima o percentual de gordura visceral, e a tomografia e a ressonância magnética são o padrão de referência, medindo a área visceral com precisão.

Na prática clínica, a circunferência abdominal somada à presença de fatores de risco metabólicos costuma ser suficiente para orientar a conduta, sem necessidade de exame de imagem na maioria dos casos.

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O que a ciência mostra sobre o tratamento

O papel dos agonistas de GLP-1

Os agonistas do receptor de GLP-1 são aprovados no Brasil para obesidade e sobrepeso com comorbidades. O mecanismo começa no sistema nervoso central, onde o medicamento reduz o apetite, e passa pelo estômago, onde retarda o esvaziamento gástrico.

Com menos calorias ingeridas, o organismo mobiliza reservas, e o tecido visceral está entre os estoques metabolizados. O detalhamento da classe está no conteúdo sobre medicamentos GLP-1 no diabetes e na obesidade.

Uma metanálise reuniu 30 ensaios clínicos clínicos, com 1.736 participantes, para medir esse efeito. O tratamento reduziu de forma significativa tanto o tecido adiposo visceral quanto a gordura acumulada no fígado, e o efeito apareceu em pessoas com e sem diabetes.

Os números gerais de eficácia vêm de ensaios de fase avançada. No ensaio STEP 1, a semaglutida na dose de 2,4 mg por semana produziu perda média de 14,9% do peso inicial em 68 semanas, contra 2,4% no grupo placebo.

No ensaio SCALE, a liraglutida na dose de 3,0 mg por dia levou a perda média de 8,0 kg em 56 semanas, contra 2,6 kg no grupo controle.

Vale ler esses valores com atenção ao que eles medem. São perda de peso total dos ensaios, e a redução da gordura visceral acompanha esse processo.

Não há evidência de que a classe atue de forma seletiva sobre o abdômen, e a resposta individual varia conforme adesão, alimentação e atividade física.

Exercício e alimentação

A perda de gordura visceral responde ao déficit calórico sustentado e ao aumento do gasto energético.

A combinação de exercício aeróbico com treino de força é a estratégia mais estudada, porque associa a queima direta de calorias à preservação de massa muscular.

A alimentação equilibrada, com redução de ultraprocessados e bebidas açucaradas, sustenta o déficit calórico que o medicamento facilita.

Acompanhamento e manutenção

A interrupção do tratamento sem mudanças sustentáveis costuma ser seguida de reganho de peso, e o mesmo vale para a gordura visceral.

O plano de manutenção, que pode incluir a continuidade do medicamento em dose ajustada ou a transição para um programa estruturado, precisa ser definido com o médico, como detalhado no guia de perda de peso com medicamento.

O que lembrar:

  • A gordura visceral fica na cavidade abdominal, é metabolicamente ativa e está associada a resistência à insulina, diabetes tipo 2, doença cardiovascular e acúmulo de gordura no fígado.
  • A circunferência abdominal é o rastreio inicial, com pontos de corte de 94 centímetros para homens e 80 centímetros para mulheres adotados pela OMS para adultos de origem europeia, com variação étnica reconhecida.
  • Medidas de obesidade abdominal melhoram a predição de eventos cardiovasculares além do índice de massa corporal isolado, conforme posicionamento publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology.
  • Metanálise com 30 ensaios randomizados e 1.736 participantes mostra redução significativa de gordura visceral e hepática com agonistas de GLP-1, em pessoas com e sem diabetes.
  • Os percentuais dos ensaios de fase 3, de 14,9% com semaglutida e 8,0 kg com liraglutida, descrevem perda de peso total, e não redução seletiva do abdômen.
  • A combinação de tratamento sob prescrição, exercício e alimentação equilibrada é o que sustenta a redução e evita o reganho, sempre com acompanhamento médico.
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Perguntas Frequentes

Referências

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Neeland IJ, Ross R, Després JP e colaboradores. Gordura visceral e ectópica, aterosclerose e doença cardiometabólica, declaração de posição. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2019. doi.org/10.1016/S2213-8587(19)30084-1

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Després JP, Lemieux I. Obesidade abdominal e síndrome metabólica. Nature, 2006. doi.org/10.1038/nature05488

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Liao C, Liang X, Zhang X, Li Y. Efeitos dos agonistas do receptor de GLP-1 sobre a gordura visceral e a gordura ectópica hepática em população adulta com ou sem diabetes e doença hepática gordurosa não alcoólica, revisão sistemática e metanálise. PLoS ONE, 2023. doi.org/10.1371/journal.pone.0289616

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Wilding JPH e colaboradores. Semaglutida semanal em adultos com sobrepeso ou obesidade (STEP 1). New England Journal of Medicine, 2021. doi.org/10.1056/NEJMoa2032183

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Pi-Sunyer X e colaboradores. Ensaio randomizado e controlado com 3,0 mg de liraglutida no manejo do peso (SCALE). New England Journal of Medicine, 2015. doi.org/10.1056/NEJMoa1411892

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Younossi ZM e colaboradores. Epidemiologia global da doença hepática gordurosa não alcoólica, avaliação metanalítica de prevalência, incidência e desfechos. Hepatology, 2016. doi.org/10.1002/hep.28431

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Drucker DJ. Mecanismos de ação e aplicação terapêutica do peptídeo semelhante ao glucagon 1. Cell Metabolism, 2018. doi.org/10.1016/j.cmet.2018.03.001

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Organização Mundial da Saúde. Circunferência da cintura e razão cintura-quadril, relatório de consulta de especialistas. Genebra, 2011. apps.who.int/iris/handle/10665/44583

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