Sorli C, Harashima S, Tsoukas GM, et al. Semaglutida uma vez por semana em monoterapia versus placebo em pacientes com diabetes tipo 2 (SUSTAIN 1): estudo randomizado, duplo-cego, multinacional de fase 3a. Lancet Diabetes & Endocrinology, 2017. https://doi.org/10.1016/S2213-8587(17)30013-X30013-X)
Aviso Importante:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Ozempic, Ozivy, Semavy, Semaclique e as demais canetas vendidas no Brasil têm o mesmo princípio ativo, a semaglutida, molécula que imita o hormônio GLP-1 e ajuda a controlar a glicose e o apetite.
Por isso, trocar de marca no meio do tratamento é possível, desde que com uma nova receita e orientação médica. A caneta, os componentes da fórmula e as regras de substituição na farmácia variam de um produto para outro, e um erro de dose na transição pode trazer enjoos e outros efeitos.
Entre as canetas para diabetes, a concentração é a mesma e a dose costuma ser mantida. Já a passagem para o Wegovy, que tem doses maiores, envolve um novo plano de tratamento, e não apenas uma nova marca.
O que muda quando você troca de marca de semaglutida?
A molécula é a mesma em todas as marcas, e é ela que responde pelo efeito sobre a glicose e o apetite. O que muda é o caminho de fabricação e a forma como o medicamento chega às suas mãos.
O Ozempic e o Wegovy, da Novo Nordisk, são medicamentos biológicos, produzidos em células vivas. O Extensior e o Poviztra, vendidos pela Eurofarma desde outubro de 2025, são outras marcas dessa mesma semaglutida biológica, fabricada pela Novo Nordisk.
O Ozivy, da EMS, e o Semavy, da Mantecorp, usam semaglutida obtida por síntese química e foram registrados como medicamentos novos. Depois vieram os genéricos e os similares, como o Semaclique, que têm o Ozivy como referência.
Entre uma marca e outra podem variar os excipientes, que são os componentes inativos da fórmula, o desenho da caneta e as orientações de conservação.
Essas diferenças não alteram a ação da semaglutida, mas mudam o jeito de usar a caneta, e é por isso que a troca pede orientação. O mapa de todas as versões registradas está no nosso guia sobre o Ozempic genérico.
A dose continua a mesma?
Entre as canetas registradas para diabetes, na maioria dos casos, sim. Ozempic, Extensior, Ozivy, Semavy e Semaclique usam solução de 1,34 mg/mL, com caneta de 1,5 mL para as doses de 0,25 mg e 0,5 mg e caneta de 3 mL para a dose de 1 mg.
Assim, quem usa 0,5 mg em uma marca costuma seguir com 0,5 mg na outra, sem voltar ao início. O médico pode, porém, mudar esse plano se a pessoa ainda está no começo do escalonamento das doses ou se teve efeitos colaterais recentes.
Por que a dose importa
A dose importa porque o efeito acompanha a quantidade de semaglutida. No estudo SUSTAIN, a hemoglobina glicada caiu 1,45 ponto percentual com 0,5 mg e 1,55 ponto com 1 mg em 30 semanas.
No STEP 200213-0), com adultos com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2, a perda média de peso foi de 7,0% com 1 mg e de 9,6% com 2,4 mg em 68 semanas, contra 3,4% com placebo.
Por isso, trocar de marca mantendo a dose não deve alterar o resultado esperado, já que cada produto precisou comprovar qualidade e eficácia para ser registrado.
E se a troca for para o Wegovy?
Aqui a conversa muda. O Wegovy e o Poviztra são registrados para obesidade e sobrepeso com doenças associadas, com doses de 0,25 mg, 0,5 mg, 1 mg, 1,7 mg e 2,4 mg, cada uma em sua própria caneta, e o Wegovy ganhou em 2026 uma apresentação de 7,2 mg para casos específicos.
A dose de manutenção habitual é de 2,4 mg, que no STEP 1 levou a uma perda média de 14,9% do peso em 68 semanas em pessoas sem diabetes.
Por isso, passar de uma caneta para diabetes para o Wegovy não é apenas trocar de marca. Cabe ao médico avaliar se a mudança é indicada, definir em qual dose iniciar e estabelecer o escalonamento até a dose de manutenção.
Posso trocar na farmácia, sem nova receita?
Na maioria dos casos, não. A farmácia só pode substituir o medicamento prescrito quando a legislação permite essa troca.
Em geral, um genérico pode substituir o seu medicamento de referência, desde que cumpra os critérios de intercambialidade. Já um similar só pode ser trocado pelo medicamento de referência quando essa intercambialidade é reconhecida pela Anvisa.
No caso das novas semaglutidas sintéticas, o medicamento de referência é o Ozivy. Isso significa que uma receita de Ozempic não autoriza automaticamente a compra de Ozivy, Semavy ou outra semaglutida, mesmo que todas tenham o mesmo princípio ativo.
Por isso, se a intenção é mudar de marca, o mais seguro é pedir ao médico uma nova receita com o produto indicado para a troca. Essa diferença também aparece no artigo sobre Ozivy e Ozempic.
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O que o médico avalia antes da troca?
O preço costuma ser um dos principais motivos para considerar a troca de marca de semaglutida. Com a chegada de novas opções ao mercado, a diferença entre os valores pode ser relevante para quem precisa manter o tratamento por vários meses.
Em setembro de 2026, o Ozivy custava entre R$ 452 e R$ 498 por caneta, enquanto o Semavy saía a partir de R$ 333 por caneta de 1 mg na compra de três unidades pelo programa da fabricante. A economia pode pesar na escolha, mas a troca de marca deve ser definida junto ao médico. Também entra nessa decisão a disponibilidade nas farmácias.
Mas o custo não é o único fator. Antes da mudança, o médico avalia a indicação do medicamento, em que fase do tratamento a pessoa está, qual dose utiliza, como tem respondido ao medicamento e se apresenta efeitos colaterais. Quem ainda está no escalonamento, por exemplo, pode precisar de um ajuste diferente de quem já está estável na mesma dose há meses.
Como fazer a transição na prática?
Com a nova receita em mãos, o mais comum é aplicar a caneta nova no mesmo dia da semana em que a antiga era usada, sem antecipar nem somar doses.
Nunca aplique duas marcas na mesma semana, dobrar a quantidade de semaglutida não acelera o resultado e ainda aumenta o risco de enjoo, vômito e desidratação.
Antes da primeira aplicação, vale ler a bula e o manual da caneta nova com calma, porque a forma de selecionar a dose e de preparar a agulha pode ser diferente da anterior. Em caso de dúvida, o farmacêutico ou o médico que te acompanha pode mostrar o passo a passo.
Se a troca coincidir com uma dose atrasada, a bula também orienta o que fazer. Na bula do Ozempic, a dose esquecida pode ser aplicada em até cinco dias, e depois desse prazo ela é pulada e o tratamento segue na data habitual. Pausas mais longas podem exigir recomeçar em dose menor, decisão que cabe ao médico.
Os efeitos colaterais podem voltar depois da troca?
Não há estudos publicados que tenham acompanhado pessoas trocando de uma semaglutida biológica para uma sintética, então a resposta vem do que se sabe sobre o medicamento. Como a molécula e a dose são as mesmas, não se espera o retorno dos efeitos do início do tratamento.
Ainda assim, cada organismo reage de um jeito, e qualquer sintoma novo depois da troca deve ser informado ao médico. Enjoo persistente, vômitos, dor abdominal forte ou sinais de alergia pedem avaliação o quanto antes.
Anotar o dia da troca e os sintomas das primeiras semanas ajuda o médico a separar um efeito passageiro de algo que precisa de ajuste.
Quais cuidados tomar ao trocar de marca?
Trocar de marca não inclui trocar por semaglutida manipulada. A Anvisa proibiu a manipulação de semaglutida em agosto de 2025, e esses produtos não passaram pelos testes de qualidade, segurança e eficácia exigidos das versões registradas.
Canetas vendidas por redes sociais, com preço muito abaixo do mercado ou sem nota fiscal também devem ser evitadas, porque há registros de falsificações no Brasil.
Com o acompanhamento de um profissional de saúde sério, a receita certa e uma farmácia confiável, a troca entre marcas registradas pode ser um jeito seguro de seguir o tratamento.
O que lembrar:
- Todas as marcas vendidas no Brasil têm a mesma semaglutida, biológica (Ozempic, Wegovy, Extensior, Poviztra) ou sintética (Ozivy, Semavy, genéricos e similares).
- Entre as canetas de diabetes, a concentração é de 1,34 mg/mL, e a dose costuma ser mantida na troca.
- A troca exige nova receita, porque a farmácia só substitui o produto nas situações previstas em lei.
- Passar para o Wegovy ou o Poviztra envolve um novo plano de doses, com manutenção habitual de 2,4 mg.
- Na transição, a caneta nova entra no dia habitual, sem somar doses, e qualquer sintoma novo deve ser informado ao médico.

